14 Set 2011, 11:17

Texto de Ana Isabel Pereira

Praça

“Bonecos”, técnicas circenses e manipulação de objectos

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No Festival Internacional de Marionetas do Porto (16 a 25 de Setembro), há manipulação de formas animadas, interacção entre artistas e objectos e workshops.

"Elogio do Pêlo"

Está aí mais uma edição do Festival Internacional de Marionetas do Porto e, este ano, há “bonecos” – as ditas marionetas –, claro, mas há várias outras propostas em que os artistas trabalham a manipulação de formas animadas e a relação/interacção do corpo com os objectos. A formação é uma linha forte desta edição, que decorre de 16 a 25 de Setembro.

Apesar de a verba para a edição 2011 do FIMP ser desconhecida dos responsáveis do festival quase até ao arranque do festival, o director artístico, Igor Gandra, garantiu à Praça: “Optámos por ter um número menor de escolhas internacionais – e as nossas escolhas internacionais são espectáculos de grande dimensão –, mas não há segundas escolhas. Os que cá estão são os que nós queremos que cá estejam”.

Durante 10 dias, há 25 espectáculos diferentes para ver. Um dos destaques é “Eloge du Poil”, de Jeanne Mordoj (16 a 18 de Setembro, 21h30, MSBV; 15 euros), que é apresentado pela primeira vez em Portugal. O espectáculo que abre o festival fala da condição da mulher barbuda e “faz-nos pensar sobre o que é pertencer a um determinado género”, explica Gandra. Este “Elogio do Pêlo” mistura manipulação de objectos e técnicas circenses (contorcionismo, malabarismo, ventriloquismo…). Há um encontro  (18 de Setembro, 17h, MSBV) e um workshop (20 e 21 de Setembro, ESMAE; 50 euros) com a intérprete francesa.

Companhias do Porto em destaque

No programa deste ano, há 3 estreias absolutas de companhias portuenses.

“Pedra-Pão” ( 21 e 22 de Setembro, 21h30, THSC; gratuito) é o mais recente projecto da Circolando e conta com a direcção de Patrick Murys. Fala do quotidiano, de precariedade e abandono.

“Estória do Tamanho das Palavras”, de Thomas Bakk (21 a 24 de Setembro, 11h; 21, 22 e 24 de Setembro, 15h, TeCA; 3 euros), é o novo trabalho da companhia Limite Zero e conta uma história onde os personagens principais são os habitantes de uma biblioteca.

Em “Ciclo M1 [Marioneta 1] M1.1 e M1.2” (18 de Setembro, 19h, Teatro do Ferro; 5 euros), a marioneta protagonista dá corpo às 2 primeiras criações de um ciclo de 4 peças e contracena com a sua própria condição de actor e objecto manipulado, dominado e dominador.

Vale ainda a pena ver “Baile dos corpos extraordinários” (24 de Setembro, 17h30, Praça da Cordoaria; gratuito), “uma espécie de pré-encerramento do FIMP, porque marcará o fim das actividades ao ar livre”, sublinha Igor Gandra. Esta parceria entre o festival e o Manobras no Porto é um “baile mandado”, em que os elementos do público são convidados a envergar vestes que os vão transformar em figuras volumosas. É assim que os ‘espectadores’ vão dançar danças tradicionais europeias.

Aposta nos workshops

Na vertente da formação, o destaque de Igor Gandra vai para “Wip Escola de Verão/Paisagens Interiores” (21 de Setembro, 18h45, gratuito, mediante inscrição prévia). Esta formação resulta do curso intensivo Paisagens Interiores: Introdução ao Universo de Philippe Genty, dirigido por Eric de Sarria e Nancy Rusek (Cie Philippe Genty), na Escola de Verão do Festival Escrita na Paisagem.

Em relação ao preço dos bilhetes, saiba que há condições especiais para grupos, desconto de 50% para portadores de Cartão Jovem e à quinta-feira (excepto em dia de estreia) e desconto de 30% para estudantes, maiores de 65 anos, profissionais de teatro e à quarta-feira (excepto em dia de estreia).

E, se estiver a pensar ir ver pelo menos 6 espectáculos, vale a pena comprar o Free-Pass FIMP, que custa 50 euros e dá acesso precisamente a 6 criações e ao jantar FIMP.