8 Abr 2011, 16:45

Texto de Ana Isabel Pereira

Comes & Bebes

Bacalhau à Gomes de Sá e Tripas nas 7 Maravilhas da Gastronomia

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Se está sempre a gabar as tripas daquele restaurante onde vai muitas vezes ou as lascas fofinhas do bacalhau do não sei quantos, esteja atento. Se estes pratos chegarem à fase final, poderá votar neles.

Tripas à moda do Porto

As Tripas à moda do Porto nasceram no século XIV. Foto: Maria Cartas

O Bacalhau à Gomes de Sá e as Tripas à Moda do Porto, 2 pratos típicos do Porto, são pré-finalistas nas “7 Maravilhas da Gastronomia“.

Se está sempre a gabar as tripas daquele restaurante onde vai muitas vezes ou as lascas fofinhas do bacalhau do não sei quantos, esteja atento.

Para já, são seleccionados 70 pré-finalistas, mas este grupo ficará, posteriormente, reduzido a 21 finalistas. Na recta final, é o povo que vota – por sms, chamada telefónica ou no site oficial (www.7maravilhas.pt) e pelo Facebook.

Foi José Luís Gomes de Sá, comerciante de bacalhau do Porto do séc. XIX, que inventou o prato de bacalhau que representa a gastronomia da cidade nas 7 Maravilhas.

“Com os mesmos ingredientes que usava para os bolinhos de bacalhau, por sinal muito apreciados pelos amigos, criou um novo prato de bacalhau”, recorda a Câmara do Porto, numa nota enviada às redacções.

O fiel amigo “era mergulhado em leite a ferver, dentro de uma caçarola” e, depois, embrulhado “por um cobertor”. Cozinhava-se o bacalhau “sem levar ao lume”. O Bacalhau à Gomes de Sá tornou-se rapidamente uma receita conhecida e apreciada.

A história das Tripas à moda do Porto é mais conhecida e confunde-se com a história da própria cidade. Reza a história que esta iguaria, calórica q.b., nasceu assim: quando o Infante D. Henrique partiu com a frota portuguesa rumo a África para a conquista de Ceuta, levou a carninha toda dos portuenses para abastecer as suas caravelas.

O povo ajudou e encheu, sem contemplação, os porões dos barcos de barricas com carne. O que é que ficou para a malta comer? As tripas.

Os portuenses cozinharam-nas primeiro com enchidos e carne gorda, para acompanhar com grossas fatias de pão escuro. Mais tarde, juntaram-lhes o feijão branco, “fruto das conquistas de um novo mundo”.  E voilá, para a história ficou um prato de sabor único, que uns amam e outros – como é que é possível? – até comem, mas não sem pôr de lado as tripas. É caso para dizer, dá D. Henrique tripas a quem não tem… bom gosto!