20 Mar 2011, 18:47

Texto de Ana Isabel Pereira

Comes & Bebes

Arte, design e gastronomia na mesma casa

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Uma loja de mobiliário e objectos de design do século XX e arte contemporânea, salas de exposições e eventos e uma Sala de Jantar num palacete de 1883.

Arquivo

O Arquivo fica na Praça da República, 38. Foto: AIP

No palacete de 1883  da Praça da República que acolheu, entre 1932 e 1995, o Arquivo Distrital do Porto, abriu há dias “uma casa para as pessoas do Porto”.

E o que vem a ser isto? O Arquivo é um projecto de 2 jovens arquitectos, que preferem por agora o anonimato, que inclui um espaço de comercialização de mobiliário e objectos de design do século XX e arte contemporânea, com serviço de consultoria, salas para acolher exposições e outros eventos e uma Sala de Jantar – os donos não querem que se lhe chame restaurante, mas já lá vamos.

Na casa, fica também o gabinete de arquitectura dos dois arquitectos.

“O português gosta de comer, tem apetência por mobiliário vintage e contemporâneo e está aberto à arte”, explicam, sobre a génese do Arquivo.

O edifício do século XIX, com 3 pisos e um sótão, foi recuperado dentro da traça arquitectónica original. Os mosaicos hidráulicos no corredor da entrada, que divide o palacete ao meio, as lareiras (5) que ainda funcionam, o soalho e as portas de madeira e os estuques no tecto das várias divisões da casa são todos de origem.

No edifício, que foi a casa particular de uma família conhecida do Porto até 1930, “ainda esteve o espólio da biblioteca pública Almeida Garrett”.

Os donos do Arquivo contaram à Praça que até a tipologia deste antigo edifício de habitação foi respeitada: “a cozinha fica onde ficava a cozinha da casa e a Sala de Jantar também fica na divisão onde se servia o jantar”.

A Sala de Jantar será a “cara” do Arquivo, mas só abre em Abril. O espaço terá serviço à carta e menus especiais, com assinatura do chefe Jorge Peres.

A Sala de Jantar só tem capacidade para 20 pessoas e funcionará de terça a sábado, das 12h às 14h e das 20h às 24h, mas apenas por marcação. Daí os responsáveis pelo Arquivo não a verem como “um restaurante” convencional. Os preços, afiançam, serão “competitivos” dentro da “liga” em que se insere o projecto – cozinha de autor, gourmet.

Também por marcação, vão organizar-se aqui workshops gastronómicos, orientados por Jorge Peres e seguidos de almoço, para grupos de 6 pessoas no máximo. É possível agendar uma destas oficinas para qualquer dia da semana, entre as 11h e as 13h.

A cave do palacete foi transformada em adega e, no futuro, será possível ir jantar ao Arquivo e levar aquelas garrafas de vinho especiais que tem esquecidas lá em casa e guardá-las neste espaço. Quando quiser abrir uma, é só avisar o chefe e confiar nas suas sugestões: Jorge Peres pensará a refeição em função do seu vinho de eleição.

Também é possível reservar qualquer outra sala da casa para um jantar privado ou jantar no centro de uma exposição de arte. O Arquivo vai receber desde exposições “de um dia, uma noite, um curador” a mostras mais duradouras.

A selecção de artistas, programação de eventos e exposições, bem como a aquisição de obras de arte – “se quiser um [quadro de] Paula Rego, nós vamos ao mercado ver quem é que os tem e qual é o melhor preço”, explicam os donos do Arquivo –, conta com a colaboração de especialistas do mercado de arte.

Todas as peças de mobiliário e decoração do Arquivo estão à venda – e não apenas as que encontra no show room de Raúl Sousa.

  1. Teresa Resende says:

    Caríssimos

    Fico extremamente feliz por saber que a casa onde trabalhei tanto tempo está agora recuperada e com um projeto excelente.
    Apenas uma nota: aí funcionou, durante muito tempo, o Arquivo Distrital do Porto e, mais tarde, esteve aí uma equipa a tratar documentação do Arquivo Histórico Municipal do Porto, enquanto a Casa do Infante esteve em obras de ampliação e restauro. Por isso, distrital ou municipal, sempre foi Arquivo.