22 Jan 2011, 15:05

Texto de Ana Isabel Pereira

Praça

A verdadeira piza napolitana é nos Poveiros

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A pizaria S. Martino, na Praça dos Poveiros, acima do Coliseu do Porto, abriu em 2004 – não vai assim muito tempo – mas é já bem conhecida, mas poucos saberão contudo a história deste restaurante. A Praça esteve à conversa com um dos responsáveis e partilha a receita… do negócio.

S. Martino

As pizas fazem a delícia dos clientes. Foto: Ana Isabel Pereira

A pizaria S. Martino, na Praça dos Poveiros, acima do Coliseu do Porto, abriu em 2004 – não vai assim muito tempo – mas é já bem conhecida. Aqui, fazem-se das melhores pizas que encontrará na cidade e há fila para sentar à mesa ao fim-de-semana. Poucos saberão contudo a história deste restaurante.

A Praça esteve à conversa com um dos responsáveis deste negócio de sucesso – depois da casa original, nos Poveiros, os donos abriram a S. Martino de Francelos e a de Matosinhos – e partilha a receita… do negócio. A da piza não podemos, nem sabemos!

Sandra  emigrou com 17 anos para a Suíça e, algum tempo depois, mudou-se para Alemanha, países onde já tinha família e apoio. Foi na Alemanha que conheceu o marido, Michele Mezzero.

“Calhou de ir trabalhar no restaurante da cadeia de hotéis/ restaurantes da família do meu cunhado”, conta-nos Tiago Pereira, irmão de Sandra Mezzero e braço direito do casal. Foi Tiago quem os ajudou no primeiro ano no Porto, adiando o ingresso o curso de Enfermagem. “Aproveitei para subir as notas”, explica.

Michele costuma dizer “que aprendeu a fazer pizas e depois a andar”, conta Tiago. Ou então “que nasceu em cima de 2 sacos de farinha”. O italiano é napolitano e cresceu literalmente na cozinha, dado o negócio da família.

Quando Sandra e Michele casaram, a família da portuguesa foi algumas vezes à Alemanha e, querendo a primogénita de volta a casa, foi incentivando os dois a montar negócio no Porto.

“Pizarias hoje já vai havendo, mas há 6 ou 7 anos atrás não havia. E se havia, o que havia, não tinha nada a ver com a qualidade do que víamos lá fora”, recorda Tiago.

Sandra veio em Agosto de 2004 para procurar um espaço comercial no Porto. Com a ajuda do irmão, deu com o primeiro andar frente aos Poveiros, onde existira antes a Antiga Espanhola, um restaurante típico português. Michele “chegou em Setembro com uma mala de mão e 100 euros no bolso” e sem articular “mais do que 2 ou 3 palavras em português”.

No início, quando vinha muita gente à procura da diária que conheciam do restaurante anterior, foi preciso educar a clientela. Mas o negócio não demorou muito a descolar e, passados dois anos, abria o S. Martino na Praia de Francelos.

O último restaurante a abrir, há cerca de 2 anos, foi o de Matosinhos, junto ao Monumento ao Pescador – sim, aquelas estátuas na praia de mulheres que parecem esperar angustiadas o regresso dos (seus) homens do mar.

As pizas

Não podemos contar o segredo da massa e do molho, mas podemos revelar algumas curiosidades sobre algumas entradas da carta da S. Martino. Sabe qual é a origem da Inamoratti, aquela piza que eles lá têm em forma de coração, para duas pessoas (o tamanho está entre as pizas de 30 cm e as de 50 cm)? Michele fazia estas pizas em forma de coração quando era adolescente para impressionar as raparigas com quem trabalhava. “As pessoas adoram. Acham que fazemos especialmente para elas, para aquele casal, mas não, fazemos para quem pedir”, explica Tiago.

A Cinco Fratelli (leva chouriço, salame, fiambre, bacon e presunto) é uma invenção de Michele e dos seus quatro irmãos rapazes. O napolitano vem de uma família grande, de sete irmãos. Os rapazes aprenderam a fazer piza com Michele, o mais velho. “Criaram uma piza quando trabalhavam juntos na Alemanha, mas nunca a puseram na carta. Isso só aconteceu aqui, quando o Michele abriu a S. Martino com a Sandra”, conta Tiago. A piza está no top das preferências dos clientes da S. Martino.

Por fim, se conhece a S. Martino e até já lá foi e fez piadas sobre o nome da piza Sofia Alexandra, preste atenção. “Alguns clientes fazem piadas menos apropriadas e depois ficam constrangidos quando alguém explica que Sofia Alexandra é nome de criança”, conta Tiago. Já sabe, evite.

Aqui fica a história desta piza. Sempre que a família de Sandra a visitava na Alemanha, a irmã Carla pedia sempre uma “criação própria”. Queria a sua piza com ananás, fiambre, milho e cogumelos. Um mês antes de Sandra e Michele abrirem a S. Martino nos Poveiros, nasceu Sofia Alexandra, a filha de Carla, e o italiano dedicou à sobrinha uma entrada na carta.

Mais dicas: Caterina é uma piza de salmão fumado e rúcula e também tem nome de menina. Caterina é a segunda filha dos patrões. O primeiro é S. Martino, que partilha o nome com o avó paterno, e também tem direito a referência na ementa. A piza S. Martino leva rúcula e chouriço.