4 Jan 2013, 18:37

Texto de Ana Isabel Pereira

Comes & Bebes

A taberna moderna que fica em frente ao teatro

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O Aduela é uma taberna-bar como ainda não havia na baixa do Porto, fica em frente ao TeCA e serve bebidas e petiscos tradicionais portugueses.

Aduela

O balcão do Aduela é uma antiga mesa de juiz. Fotos: Miguel Oliveira

É uma taberna-bar, como ainda não havia na baixa do Porto, fica em frente ao Teatro Carlos Alberto (Rua das Oliveiras, 36), serve bebidas e petiscos tradicionais portugueses e chama-se Aduela.

Abriu no dia 21 de Dezembro e, como o mundo fez questão de não acabar, promete dar vida a mais um pedacinho da área geográfica da movida.

Tem bom vinho a copo e bons petiscos; os preços são acessíveis; a música é boa; a taberna é moderna e tem preciosidades como o balcão que já foi uma mesa de juiz; as características da rua permitem o consumo e convívio ao ar livre – sim, já saiu de lá o contentor de lixo que tornava impossível seguir naquele passeio!

Júlio Moreira, 35 anos, produtor de kiwis em Felgueiras, trabalhou “durante 7 anos na restauração, há muitos anos”, e alimentava o sonho de abrir uma casa própria, “que não fosse bar nem restaurante”, mas sim o espelho da sua “paixão pelos produtos típicos de taberna”.

Em Junho, e já depois de ter visto outros sítios, encontrou o actual espaço, que estava fechado há 15 anos e servia de armazém a uma empresa de máquinas de costura, através de um amigo, o actual proprietário do imóvel. “Apesar de, na altura, a imagem exterior ser muito má, interessou-me pelo interior e pelo seu potencial”, conta à Praça.

Vinhos e petiscos

“Todos os vinhos que tenho sirvo a copo”, sublinha Júlio. E, neste momento, o Aduela tem cerca de 20 referências, com preços (a copo) entre um e 8 euros. Mas “a garrafeira não é fixa” e pode crescer por sugestão.

CARM, Casa da Passarela, Quinta dos Acipestres e Tapada de Coelheiros são algumas das garrafas em que pusemos os olhos quando estivemos na Aduela. Também há vinho verde tinto de Amarante – servido em malga, claro – e verde branco e verde rosé de Baião.

Vinho do Porto, há 2 a copo: branco (1,5 euros) e Tawny (2 euros). O que não há é caipirinhas e outros ‘estrangeirismos’, mas há sangria, Licor Beirão (2,4 euros) e amêndoa amarga (3 euros).

Aduela

As cadeiras da taberna foram compradas em antiquários e oficinas de restauro.

Há bebes, mas também há comes. Entre 2 e 6,5 euros, são várias as opções para roer – ou sorver, no caso da sopa do dia. Destacamos as sandes de presunto, paio, queijos ou salpicão (2,5 euros cada) e as tostas em pão alentejano, transmontano ou carcaça. A de bresaola com rúcula, a de salame picante com mozzarella e a de tomate-cereja com manjericão são algumas das que vêm para a mesa e o número de tostas (e o preço do petisco) é adequado à fome do cliente.

Depois, há conservas portuguesas – por exemplo, petingas em tomate picante ou mexilhões de escabeche –, chouriço assado e alheira de Miranda do Douro grelhada, e, aos sábados, há bola de carne em vinha d’alhos e filetes de pescada fresca fritos. A ideia é que a carta seja adaptada às estações do ano, por isso chegando à Primavera conte com novidades.

Pedra à vista

Só depois de retirado o gesso que cobria as paredes em pedra, agora à mostra, é que Júlio Moreira começou a idealizar o projecto de interiores.

João Clemente, amigo de infância de Júlio e gerente do Aduela, conta à Praça que, por exemplo, “as cadeiras foram todas compradas em sítios diferentes, em lojas de antiguidades, oficinas de restauro, etc”.

“O balcão, se reparar, é uma mesa de juiz. Acho que era do Tribunal de Valongo, mas não tenho a certeza”, refere o amarantino de 34 anos que antes de abraçar o projecto da Aduela trabalhou na produção audiovisual.

No hall que dá acesso à casa de banho – cuidado com o degrau! –, as paredes estão forradas com reproduções da Mona Lisa e d’O Menino da Lágrima e singles de vinil, dos Beatles ao Trio Odemira ou a Tony Ribeiro – que é primo de João.

Na taberna, as colunas debitam um pouco de tudo, mas a aposta de Júlio e João é na música tradicional portuguesa e na música do mundo.

A Aduela abre de segunda a sábado, das 13h às 2h.

 

  1. Vitaldent says:

    Sou grande admirador deste tipo de locais, cheios de história e simbolismo. Não conheço mas assim que possa darei lá um salto. Porque para além de parecer um local encantador tem também preços acessíveis. Em tempos de crise há que fazer opções.

  2. Tiago Ferreira Marques says:

    Quem pede um “Prato de Queijos” ficará desiludido com três fatias de queijo de vaca amanteigado, duas delas do mesmo tipo de queijo com ervas. Será um jogar pelo seguro que afastará quem procura algo de mais único ou cuidado. No mais, informar, em simpática descrição à mesa dos pratos de petiscos que servem, que os mesmos vêm acompanhados de pão e, depois, cobrar o este último à parte (e a 1 euro…) já roçará uma falta de lisura num espaço que quererá mostrar alguma atenção para com aqueles que o experimentam. Não recomendo, ou recomendo algum cuidado a quem desejar visitar.