15 Out 2012, 21:14

Texto de Redação, com Lusa

Praça

A provocação dos Negativland no futureplaces, o festival 100% gratuito

A 5.ª edição do festival começa no Porto, na quarta-feira. A banda Negativland e o designer Philip Marshall são os destaques.

Negativland

Os Negativland: guerrilheiros dos direitos de autor. Foto: DR

A quinta edição do festival futureplaces, dedicado aos média digitais e à cultura local, começa na quarta-feira, no Porto. A banda experimental Negativland e o designer Philip Marshall são os destaques desta edição.

O festival, que decorre até sábado, tem como palavras-chave da edição de 2012 “património, descendência e investigação”, prosseguindo a sua vontade de criar “espaços de encontro entre várias culturas interessadas nas capacidades dos meios digitais, pondo em diálogo artistas nacionais e estrangeiros, assim como investigadores das artes, das ciências sociais, da engenharia e da comunicação, e fazer deste evento anual uma plataforma para pensar um futuro virtual”, afirma a organização, em comunicado.

Tudo gratuito

Todos os eventos do festival são gratuitos, “o que garante que o festival tem as suas portas abertas a todos os cidadãos, independentemente do seu grau de conhecimento sobre os média digitais”, refere Heitor Alvelos, o autor e director do futureplaces.

O festival, que integra conferências, exposições e concertos, decorre em espaços como o auditório do Pólo de Indústrias Criativas do UPTEC — Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto e a Academia Contemporânea do Espectáculo, ambos na Praça Coronel Pacheco, e ainda os Maus Hábitos e o edifício Almeida Garrett.

Provocadores

O programa, que pode ser consultado no site do futureplaces, tem como destaque a presença da banda norte-americana Negativland, que dará uma conferência e um concerto no último dia do festival, e do designer Philip Marshall, especializado no universo digital.

Os polémicos Negativland, formados em 1979 são uma importante banda experimental, conhecidos pelas suas colagens sonoras, que começou a ganhar notoriedade após o lançamento do seu álbum “Escape Fom Noise”, em 1987.

A banda tem algum prazer na provocação dos média tradicionais, como quando decidiu emitir um comunicado de imprensa em que os músicos afirmavam estarem proibidos de partir em digressão porque a sua música “Christianity Is Stupid” tinha inspirado um rapaz a matar os pais e irmãos com um machado. O crime era real, mas não havia qualquer ligação aos Negativland, e os média reproduziram a história sem se preocuparem com verificar os factos.

Outro momento de polémica foi a edição, em 1991, de um single intitulado “U2”, que continha várias paródias, construídas a partir da música da banda irlandesa “I Still Haven’t Found What I’m Looking For”. A ousadia valeu-lhes processos da editora dos U2 e da sua própria editora.

Os Negativland, interessados nas questões de direitos de autor, argumentavam que aquela era uma utilização correcta do material de outros artistas e acabariam por editar um livro intitulado “Uso Justo: A História da Letra U e do Numeral 2” e envolver-se na criação dos Creative Commons.

Philip Marshall integra o colectivo Rebels in Control, é membro da Touch Publishing e trabalha com nomes como David Sylvian, Zang Tumb Tuum (Frankie Goes to Hollywood, Propaganda, Art of Noise) e Comme des Garçons, entre outros.

O futureplaces, que se realiza no Porto, desde 2008, fruto de uma parceria entre a Universidade Texas — Austin e a Universidade do Porto, mantém os seus “laboratórios de cidadania” que, com uma programação variada, são uma oportunidade para qualquer um pensar como podem os meios de comunicação digitais contribuir para o desenvolvimento da cultura local.