22 Fev 2011, 19:25

Texto de Pedro Rios

Coisas

A Passadopresente vende coisas antigas, mas não é um antiquário

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Fomos espreitar a Passadopresente. Descobrimos uma mala enviada para Salazar e uma versão da estátua da Menina Nua da Avenida dos Aliados que ficou na gaveta.

Passadopresente

Esteve um quarto de século ligado à publicidade, até que, no ano passado, a vida de António Torres deu uma volta: abriu uma loja que andava na sua cabeça há muitos anos. Chamou-lhe Passadopresente.

A loja, na Rua Sacadura Cabral, no Porto, vende dezenas de objectos de outras eras, mas não digam a António que é um antiquário. “Não é um antiquário”, garante. E explica:  a maior parte das coisas à venda não são assim tão antigas (as décadas de 40, 50 e 60 predominam) e o ambiente é diferente. “Os antiquários até me assustam um bocadinho”, diz.

Nesta “loja de velharias” (ou de “objectos de estimação” – as expressões são de António) há algumas relíquias como uma máquina de costura Willcox & Gibbs, de 1871 (uma “peça de museu” que custa 350 euros), uma máquina de limpar e afiar facas do século XIX (300 euros), mas também objectos mais baratos, como cartazes publicitários impecavelmente desenhados (a promover coisas tão diferentes como actividades balneares em Espinho ou os Hermínios, importantes armazéns do Porto, ambos do início do século XX), brinquedos e móveis.

“Num antiquário não é possível comprar uma peça por 10 euros. Aqui há peças de 10 a 1000 euros”, reforça. Entre as peças que lhe custará vender, está uma pequena escultura que é o projecto alternativo da estátua da Menina Nua da Avenida dos Aliados, no Porto. Acabou por ser escolhido outro modelo, também da autoria de Henrique Araújo Moreira.

A mala para Salazar

Em Abril de 2010, quando abriu, a Passadopresente era praticamente a versão loja da colecção de velharias de António. Vendida a maioria dessas peças, o coleccionador tem passado boa parte do seu tempo em feiras de antiguidades ou a ver sótãos e recheios de casas e lojas.

Numa dessas pesquisas, comprou uma mala, que foi oferecida a Salazar por uma família de Guimarães (o nome “António de Oliveira Salazar” está inscrito no objecto). Lá dentro, acredita, viriam garrafas de vinho. Não é garantido que o ditador alguma vez lhes tenha posto as mãos em cima. “Devem ter ficado com a governanta”.