20 Dez 2012, 10:25

Texto de Ana Isabel Pereira e Maria Martinho, com fotos de Miguel Oliveira

Praça

A nossa selecção para a mesa de Natal

Do bacalhau ao vinho do Porto, passando pelo queijo, pelos frutos secos e pelas sobremesas (sim, que pode comprar feitas), fique com a nossa lista de compras para a consoada.

Do bacalhau ao vinho do Porto, passando pelo queijo, pelos frutos secos e pelas sobremesas (sim, que pode comprar feitas), fique com a nossa lista de compras para a consoada.

Hortaliça

A Casa Oriental tem escrito na sua fachada “Chá, café e chocolate”, mas a verdade é que vende muito mais que isso. Em vésperas de consoada, pudemos ver à porta da mercearia aberta desde 1910 muitas hortaliças. Os legumes mais procurados são repostos todos os dias de manhã. Quem entrar só tem que pedir um saco e escolher. Há pencas com um tamanho generoso a 99 cêntimos, molhos de grelos a 1,49 euros, nabiças ainda com gotas de água, a provar a sua frescura, a 79 cêntimos, couve-flor a 1,99 euros, brócolos a 2,29 euros e couve coração a 1,29.

Se tiver dúvidas e calhar de pedir ajuda a um dos empregados, é provável que lhe respondam com uma rima divertida. É por estas e por outras que a fila para pesar ou pagar é por vezes longa, mas vale a pena. Para poupar tempo, pode encomendar os produtos que quiser através do 222 002 530.

Bacalhau

Na Pérola do Bolhão, a clientela começa a perguntar pelo bacalhau em meados de Novembro. Pois é, não é só pela sua fachada arte nova, com azulejos que ilustram a rota das especiarias, que esta mercearia da Rua Formosa (a poucos metros da porta Sul do Mercado do Bolhão) é conhecida. Quando a Praça esteve lá, há uma semana, não cabia nem mais uma agulha na loja!

O rei da mesa de Natal vem da Islândia e António Reis, o proprietário, de 80 anos, que nasceu e cresceu ali – o pai fundou a casa em 1917 e António e as 2 irmãs ajudavam a entregar mercadoria mal chegavam da escola –, diz que o que sai mais é o Jumbo (16 euros o quilo) e que as pessoas levam, regra geral, peixes com “4/5 quilos”. “É um bacalhau que dá para 8 pessoas, a aproveitar os lombos”, diz à Praça.

Depois, há bacalhau para 12, 14 e 20 euros. O mais caro é “de cura amarela”, um bacalhau “mais leve, com menos sal”. Da Pérola do Bolhão, também pode levar à confiança frutos secos. “São o nosso forte”, diz António Reis.

Polvo

Em Trás-os-Montes, dita a tradição que o polvo tem presença marcada na consoada. Na garrafeira e mercearia Dias Menezes, uma loja típica e tradicional que foi inaugurada em 1934 em plena Rua das Flores, vende-se polvo seco especialmente nesta altura do ano. O quilo custa 60 euros e o ideal é assá-lo e regá-lo com um bom azeite.

Azeite

Seja para regar o bacalhau, para fazer a sopa de tronchudas, a roupa velha ou para o estrugido do arroz de polvo, não pode faltar na mesa de Natal o azeite.

Joana Osswald e Joana Oliveira, da Mercearia das Flores – um projecto que a Praça deu a conhecer em Fevereiro – , sugerem um Azeite de Trás-os-Montes (DOP). O Sardeiro (6,8 euros uma garrafa de meio litro) é virgem extra e biológico, apresenta “um fabuloso sabor e aroma a fruto fresco” e oferece “uma sensação notável de doce, verde, amargo e picante”.

“Para nós o melhor do mundo, é o que utilizamos no nosso menu, todos os dias”, explicam à Praça. Pouco conhecido “mas de excelente qualidade”, enaltecem, trata-se de uma “pequena produção” do Vale da Vilariça. É “o primeiro azeite a ser extraído da campanha”, feito com 4 variedades de azeitonas – Negrinha do Freixo, Cobançosa, Verdial e Madural – e que já mereceu várias distinções.

Na mercearia gourmet Maria Sardinha, na Rua das Taipas, os azeites também prenderam a nossa atenção. Neste projecto acabadinho de abrir, encontrará uma panóplia generosa de azeites aromáticos e alentejanos que, segundo Sara Almeida, uma das donas, são ideias para temperar os ingredientes de uma ceia de Natal. Da marca “José Gourmet”, pode escolher azeite com piri-piri, alecrim ou limão. A garrafa de 250 ml custa 6,5 euros e a de 700 ml 9 euros – ainda há uma caixa de oferta especial que inclui 3 garrafas diferentes.

Queijo

Os queijos, seja para servir como entrada, seja para conjugar com um bom doce de compota e rematar a refeição, também são obrigatórios na consoada. Também na Mercearia das Flores, encontrará 2 queijos de ovelha amanteigado, da região de Seia – não são DOP porque os custos elevados da certificação impedem para já estes produtores de avançar nesse sentido –, “untuosos” e com um “bouquet perfeito”. Custam 17,5 euros o quilo.

“A nossa escolha deveu-se ao facto de serem queijos artesanais, muito bons e de pequenos produtores, o senhor Manuel Abreu e o senhor Sebastião”. Vão bem “com pão, bolachas de água e sal, figos confitados, compota de abóbora” e outros tantos sabores. Enfim, um teste à sua criatividade na cozinha!

Frutos secos

Raros são aqueles que prescindem dos frutos secos na noite de Natal. Para além de ficaram bem na mesa, numa paleta de cores e formas diferentes, têm um valor altamente energético. Servem tanto de aperitivo como de sobremesa, assim como, para simplesmente, petiscar durante a refeição.

Dias Menezes tem a montra repleta de sacos de serapilheira cheios de frutos secos e pequenas pás para se poder servir à vontade. Há figo flor (6,4 euros), figo Douro (5,2 euros), cereja cristalizada (16 euros), amêndoa (8,8 euros), ameixa (4,8 euros), pinhão (46 euros), avelã (4,8 euros), noz (5,6 euros), damasco (10 euros), uva-passa (12 euros) e amendoim torrado (6,5 euros). Cada preço afixado equivale a um quilo e a maioria dos frutos seleccionados e expostos são nacionais, correspondentes a colheitas de 2012.

Néctares

Vinhos tranquilos

Para beber à refeição, Pedro Leitão d’A Vindimeira – uma garrafeira que abriu em Junho no centro histórico e quer divulgar novos valores – sugere o Casa Azeredo Tinto 2011, um vinho feito em Sabrosa (Cima Corgo) – “pouco mais de 3 mil garrafas” –, “jovem, macio e de bom corpo, delicado no aroma”.

É um Douro DOC, feito com Tinta Franca (40%), Tinta Roriz (40%) e Vinhas Velhas (20%), o que faz dele “uma escolha interessante e certamente apropriada para a ceia de Natal”, diz Pedro Leitão.

“Um tinto?”, perguntámos. Sim, “peixes de paladar particularmente marcante, aos quais se junta a gordura do azeite (bacalhau com todos) ou da fritura (filetes de polvo), pedem vinhos com corpo firme e acidez equilibrada”, explica Pedro. Os vinhos brancos, “naturalmente ácidos e leves, podem ser ofuscados” pelos sabores da mesa de Natal.

“Um vinho branco reserva, do Dão, Douro ou Bairrada” iria bem com o peixe, mas este Casa Azeredo é uma “alternativa que pode surpreender”, garante Pedro. Custa 5,5 euros n’A Vindimeira.

Vinho do Porto

Em 2001 a cidade conheceu a Cleriporto. Esta garrafeira próxima da Torre dos Clérigos dedica-se à venda de bebidas características do Porto e é local de passagem, quase obrigatória, para os muitos turistas que nos visitam.

No número 38 da Rua da Assunção podemos encontrar valiosas raridades dentro do vinho do Porto mas o gerente, José Rocha, e o seu filho, José Manuel Rocha, dão-lhe uma ajuda. “Para aperitivo ou para acompanhar uma sobremesa aconselhamos os vintages, principalmente do ano 2000″, diz à Praça José Rocha.

José Manuel Rocha aponta o Adresen Vintage 2000 (47,5 euros), o Borges Vintage 2005 (47,3 euros) e o Krohn (34,95 euros) como os ideais para brindar na consoada e acompanhar queijos, frutos secos ou doces.

Doces

Rabanadas

As rabanadas são uma das especialidades do Antunes, na Rua do Bonjardim. O segredo da iguaria, que pode encomendar no restaurante para levar para casa (1,75 euros cada), está na calda, “a gosto”, como conta Maria Luísa Teles Pinheiro, a dona desta casa com 45 anos. A cozinheira desta sobremesa “cara” diz que as suas rabanadas levam “leite, açúcar, bastantes ovos, laranja e vinho do Porto” e são “pulverizadas com açúcar e canela”.

Segundo Maria Luísa, esta rabanada “é muito delicada” e requer mão prendada para fritar – na máquina, “tem de ser na máquina”. “Tenho 2 filhas e só uma é que a sabe fazer. A minha madrinha de casamento chegou a pedir ao meu marido a receita e ele disse-lhe ‘eu dou-lhe a receita mas você não consegue fritar’. E é verdade”. A receita é mais antiga que a casa. António Antunes aprendeu-a na casa Leonardo, na Póvoa de Varzim, onde ajudava aos fins-de-semana quando estava na tropa no quartel local. Encomende ligando para o 222 006 577.

Bolo-rei

O bolo-rei da Leitaria da Quinta do Paço, confeccionado segundo uma receita com décadas de existência, é artesanal e vendido durante todo o ano, embora, na época natalícia, as vendas aumentem significativamente. É feito de forma tradicional com um tempo certo de cozedura e regado com um molho especial, de base alcoólica e que leva vinho do Porto. O ingrediente primordial da receita são os frutos secos e cristalizados, “sempre da melhor qualidade”, garante à Praça Joana Ramalho, gerente da confeitaria. Pode encomendar esta delícia por telefone (222 084 696) ou presencialmente, com pelo menos com 24h de antecedência. O bolo-rei é vendido em formatos que vão dos 250 gramas até aos 2 quilos e custa 15 euros por quilo. Se preferir pode comprar à fatia por apenas 1,5 euros.

Pão-de-ló

No espaço da Casa de Ló, na Travessa de Cedofeita, funcionou em tempos a antiga fábrica da Margaridense, hoje sediada em Felgueiras. É lá que se faz o famoso pão-de-ló de Margaride, candidato às 7 Maravilhas da Gastronomia e dono de uma receita com mais de 300 anos, o que impõe algum respeito. Na casa de chá da baixa, que também é café e bar, ainda é possível ver o cofre onde estava guardada a receita desta especialidade portuguesa.

Nesta mercearia do século XIX renovada por Sara Pinto, uma das donas, e inaugurada em Fevereiro de 2009, ainda se vende o pão-de-ló de Margaride, que vem directamente da fábrica, em Felgueiras. No Natal e na Páscoa, há formatos deste as 500 gramas aos 5 quilos (a 16 euros ao quilo). Durante o resto do ano, a iguaria é vendida à fatia (1,3 euros). Para encomendar pode telefonar 220 119 738.

Aletria

O restaurante Inês do Aleixo abriu em Janeiro deste ano – em Março fomos conhecer a cozinha de conforto de Inês Diniz – mas a sua aletria dourada, como a intitulam na carta, já colecciona elogios. A marca é Milaneza e ao ingrediente principal junta-se leite, açúcar, ovos e limão. Serve-se fria e já polvilhada com canela. O resultado é uma substância cremosa e bem amarela. Não sabemos se é da quantidade ou da qualidade dos ovos mas agradecemos às galinhas e à cozinheira.

Na quadra natalícia a aletria deste restaurante em Campanhã pode ser vendida para fora, por isso aproveite a oportunidade de a levar para casa e rapar o prato sem ninguém reparar. As embalagens take away equivalem a 8 doses e custam 20 euros. Encomende esta sobremesa com 2 a 3 dias de antecedência porque a procura é muita. Ligue para o 225 106 988.