25 Abr 2011, 11:13

Texto de Ana Isabel Pereira

Coisas

A natureza nos dedos

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Saiba tudo sobre as jóias Anelos Naturalis, de Joana Ribeiro. São inspiradas na natureza da Quinta da Conceição e foram copiadas por uma multinacional.

Joana Ribeiro

O anel Arboreos Golden Blanc custa 59 euros. Foto: DR

Já se deve ter cruzado com Joana Ribeiro em feiras de artesanato urbano, como a que acontece regularmente na Rua da Galeria de Paris, no Porto, ou no Facebook. E pode até ter visto as suas peças nos escaparates do Espaço Muuda.

A Praça foi saber a história da colecção Anelos Naturalis e nas próximas linhas conta-lhe tudo sobre estas jóias, que são inspiradas na natureza da Quinta da Conceição, em Matosinhos, e que foram alvo de cópia fraudulenta por uma marca de jóias internacional.

A ideia de usar a natureza como temática surgiu ainda durante a licenciatura em Design de Joalharia (na Escola Superior de Artes e Design), quando se encontrava a fazer o programa Erasmus em Antuérpia, na Bélgica.

“Pediram-me para entregar um trabalho final. Queria fazer algo artístico, com design, mas que as pessoas pudessem realmente usar, que não fosse um objecto de arte como os que fazíamos na faculdade, que depois iam para uma gaveta”, recorda Joana.

A criadora de 23 anos optou por fazer “peças em base de prata” e nos acabamentos utilizou tintas metálicas, utilizadas, por exemplo, para pintar os brinquedos de metal antigos, e esmaltes – técnica que aprendeu na Bélgica.

Os moldes das peças (a colecção começou com 8 anéis, mas cresceu, com a incorporação de pregadeiras, brincos e pendentes) reproduzem as formas de “cedros – ou cata-fogo, que é outro nome que lhes dão –, troncos de cerejeiras, pequenos arbustos, bugalhos e pequenas folhas de eucalipto”, descreve.

A inspiração veio do trabalho de campo na Quinta da Conceição e de um olhar atento no percurso entre casa, em Leça da Palmeira, e a faculdade.

Peças únicas

Joana Ribeiro

Joana trabalha numa oficina partilhada na Rua da Vilarinha. Foto: AIP

As peças de Joana Ribeiro – a marca tem o nome da criadora – custam “entre 40 e 100 euros” e são todas diferentes. Só a fundição em prata é “feita fora”. A modelagem da prata e os acabamentos são feitos à mão por Joana na oficina de joalharia partilhada onde tem uma banca arrendada, na Rua da Vilarinha. “Os nervos e a textura das plantas vêem-se bem”, sublinha.

Para além de vender online (o site www.joanaribeirojoalharia.com ia estar operacional por estes dias), Joana tem as suas jóias à consignação em três lojas – no Espaço Muuda, no Porto, na Original, em Lisboa, e na Projecto Contrário, em Esposende.

O anel Arboreos Golden Blanc é a peça que Joana Ribeiro mais vende. Custa 59 euros e tem acabamento em dourado.

“Inicialmente, não queria trabalhar com o dourado, porque achava que era muito comercial para um trabalho artístico, mas, no contacto com o público, percebi que tinha de me adaptar ao que as pessoas queriam”, partilha.

No Verão do ano passado, e apesar de ter ganho o prémio de Jovem Criadora 2009 na categoria de Joalharia, Joana descobriu que tinha sido copiada.

“Fizeram da minha colecção a colecção deles de Inverno e colocaram-na em todos os shoppings. A técnica não é exactamente igual, mas…”, recorda Joana, que na altura estava a acabar o mestrado em Design do Produto, também na ESAD.

O episódio levou a criadora, que prefere não nomear a multinacional em causa, a registar a sua marca: “Vi-me obrigada a registar a minha marca e a tornar-me associada da AORP [Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal], para encontrar apoio jurídico, caso isso voltasse a acontecer”.

Já depois deste golpe, o trabalho da jovem designer de joalharia voltou a ser distinguido. Joana concorreu ao Concurso VIP Jóias com o anel Ruber Folium, porque soube que a revista estava “a pedir trabalhos contemporâneos”, e ficou em terceiro lugar.

Desde então, começou a receber pedidos de peças por parte de lojas de todo o país. Uma das lojas onde a marca Joana Ribeiro poderá estar em breve é a do Museu de Serralves. O convite, que ainda não conseguiu aceitar (o investimento necessário para “ter as peças em vários sítios ao mesmo tempo” é um entrave à expansão), surgiu depois de, em 2010, a jovem criadora ter estando presente na Mostra POPs – Projectos Originais Portugueses.

  1. Geraldina Tanamarseve says:

    Será?? Muitas pessoas querem seguir a Joana Ribeiro, mas ela não aceita qualquer pessoa!