14 Abr 2012, 12:13

Texto de Redação, com Lusa

Praça

A folk negra e onírica que conquistou os noruegueses

Ingvild Langgård é uma das novas vozes da Noruega e faz “folk negra, onírica, com toques de blues e soul'”. O Café au Lait recebe domingo a estreia nacional do seu Phaedra.

Phaedra

O Café au Lait recebe, este domingo, no Porto, a estreia nacional de Phaedra, o projecto de Ingvild Langgård, uma das novas vozes da Noruega e criadora de uma “folk negra, onírica, com toques de blues e soul”.

O concerto, às 19h e com entrada livre, integra a programação gratuita do “Bodyspace au Lait” e traz a Portugal a cantora melódica que escolheu para seu alter-ego o nome de uma figura mitológica que, embora demarcando a artista da pessoa privada, se revela uma entidade maior.

“Phaedra é a soma de mim, da minha música e dos músicos com que trabalho a certa altura, o que representa diferentes constelações e contributos ao longo de caminho”, explica Ingvild.

A artista considera que a referência à figura de Fedra também “cria espaço para brincar e para a criatividade”, até porque essa palavra de origem grega “significa qualquer coisa como ‘fazer incidir a luz sobre algo'” e representa uma personalidade “triste, com um caráter solitário e cujos mitos que lhe estão associados não são demasiado importantes – pelo que representa uma personagem perfeita sobre a qual se pode construir”.

Oriunda do meio das Belas Artes, Ingvild admite que as instalações sonoras que desenvolveu nesse contexto conferiram ao seu registo “uma certa experimentalidade”, mas assegura que determinante foi “a música que mais ouviu” ao longo dos anos e enumera: por um lado, “muita folk de todos os tipos e tradições”, por outro, “Nico (& The Velvet Underground), Vashti Bunyan, Jackson C. Frank e Leonard Cohen, ou artistas mais recentes como Joanna Newsom, Bonnie ‘Prince’ Billy ou Yeasayer”.

“Mas a artista e a compositora mais relevante para mim, sempre, é Kate Bush. O seu trabalho foi a minha educação musical mais importante”, realça a norueguesa.

Uma certa sensação de anos 1960

O resultado, em Phaedra, é o que Ingvild descreve, em primeiro lugar, como “canções melódicas, com uma composição clássica em que há uma certa sensação de anos 1960, folk e psicadélica” e que depois também define como “folk onírica negra, norueguesa, com um toque de blues e soul, de melodias cativantes e atmosferas bruxuleantes”.

São esses ambientes que transparecem no álbum “The Sea” (2008), que a cantora apresenta ao Porto, depois de a crítica britânica, americana e alemã ter elogiado essa sua estreia discográfica pelo seu tom contra-corrente, que alguns consideram próximo dos registos de Sandy Denny, Elizabeth Frazer e até Goldfrapp.

Os temas do álbum são assumidamente “negros”, mas a autora afirma que “a escuridão nem sempre é má” e garante que, mesmo nas faixas sobre a dor, procura sempre “fazer sobressair um sentimento de consolo ou apoio”.

A prova faz-se no espectáculo deste domingo, em que Ingvild apresentará com o teclista e baixista Jørn Thore Egseth “uma versão acústica e tranquila daquilo que acontece ao vivo em salas maiores”.

Para o concerto no Café au Lait estão também prometidas “algumas canções novas que deverão entrar no próximo álbum”, que está anunciado para a Primavera de 2013 e já tem título: chama-se “The Night” e é o segundo da trilogia que, iniciada com “The Sea”, está “a transformar-se numa espécie de narrativa ou história, porque há uma certa temática a ligar todas as canções entre si”.

“The Sea” é uma edição da Rune Grammofon, co-produzida por Ingvild Langgård e Frode Jacobsen (da banda norueguesa “Madrugada”).

Pequena editora indie

“Tratando-se de uma pequena editora indie, tive total liberdade para trabalhar de perto com tudo o que diz respeito à música, à imagem, às fotografias, etc.”.

Ingvild Langgård reparte-se, por isso, entre a escrita para Phaedra e a composição para dança contemporânea, como aconteceu recentemente com “The Orchard Ballards”, da coreógrafa Ingri Fiksdal, que terá o espectáculo em digressão pela Europa no Outono.

O próximo projecto de dança da cantora norueguesa será “Night Tripper”, que envolve não apenas Ingri Fiksdal, mas também o cenógrafo Signe Becker, integrando “o excitante festival ‘Up To Nature’, em que todas as obras são apresentadas em áreas de floresta fora das cidades, sem qualquer electricidade”.