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Foto: Miguel Oliveira

13 Mai 2018, 16:03

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Opinião

Assim se vê a força do Fê-Cê-Pê

O dia de sábado, 12 de Maio, ficará na história por ter ocorrido um triplo evento em que, de forma única, ligou, quase em simultâneo, três acontecimentos de índole religiosa, musical e desportiva.

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Manuel Luís Mendes é natural do Porto e licenciado em História. Foi professor no ensino oficial de Português e de História. E ainda docente de Comunicação no ISEF (hoje Faculdade do Desporto) e na Escola Superior de Jornalismo. Foi ainda jornalista no Jornal de Notícias, tendo chefiado a secção de Desporto. Trabalhou na área da Educação e Ensino.

Mais concretamente, falamos na procissão das velas, em Fátima (em mais uma celebração anual das Aparições de Nossa Senhora aos pastorinhos) , do festival da Eurovisão, em Lisboa e, finalmente, na festa dos campeões de futebol (os últimos foram os primeiros, mas a ordem pode ser arbitrária, conforme os interesses de quem lê…), no coração do Porto, junto à Câmara Municipal.

Por desígnio superior, o tempo esteve lindo, depois de ter chovido na véspera.

Na Invicta, tudo foi azul, do céu ao mar de gente que esteve nos Aliados a agradecer aos seus campeões.

Sinceramente, não estávamos à espera de tanto fervor clubístico! A Praça encheu de um povo ansioso por se juntar aos seus ídolos para, com eles e por eles, poder comungar de mais um momento único que não ocorria há 19 anos!

Primeiro, por birra de um presidente que já passou à história e que, hoje, reside em Lisboa onde deveria ter ficado sempre…

A sua antipática atitude nunca foi justificada pois o clube nada tem a ver com partidos como não tem com crenças e raças.

O FC Porto é um símbolo perene de uma cidade, de uma região e de um país. Quem não entender isto, só lhe resta abdicar do trono. Aliás, os cidadãos do Porto até acabaram por eleger um independente, agora. É bom que todos saibam que os portuenses não gostam de ter amarras nem algemas. De qualquer espécie!

Voltando ao S. João antecipado, temos de referir que jamais imaginaríamos tanta gente unida por uma bandeira, tanta gente ansiosa por demonstrar o amor – ou paixão? – a um emblema, a uma cidade, a um desígnio!

Vimos lágrimas a correr pelas faces de muita gente, vimos pessoas de todo o mundo presente, desde a Europa até à África e à América! O visionário e demente benfiquista que um dia disse que o FC Porto era um clube regional, haveria de estar nos Aliados para se poder aperceber da grandeza de um clube e de uma cidade!

Por isso, aquele que ousou, por razões comerciais, por certo, afirmar que o Benfica tem seis milhões de seguidores das quatro, uma : ou é um grande mentiroso, ou estava doente e em estado de delírio, é analfabeto e não sabe contar ou, então, adora narrar anedotas, por ser um grande humorista!

O Porto deu, pois, sábado à noite, uma sonora bofetada com luvas azuis e brancas a esses sonhadores que constroem a realidade em função dos seus desejos!

Foram muitos os cânticos naquela noite inesquecível de regresso à Câmara, mas um sobressaiu que resume tudo : “Xau, xau, Pentaxau, Pentaxau!…”

Não era uma canção. Era um grito! De raiva contida, de ironia e de esperança no tal futuro que devolva ao clube e aos seus adeptos a capacidade de sonhar. Talvez, a partir de agora, se abra um novo ciclo de fé no porvir assente na autêntica verdade desportiva, passe o pleonasmo.

Por outro lado e, neste contexto, os milhares que estiveram nos Aliados deixaram uma mensagem clara à estrutura e aos dirigentes do FC Porto e que julgo ser a seguinte : um emblema da grandeza do Porto não pode nunca estar quatro anos sem ganhar nada!

Admitia – se isso nos tempos negros da ditadura e do centralismo férreo, em que os presidentes da Federação de futebol eram escolhidos entre os principais clubes de Lisboa! Agora, em democracia, tanta grandeza e nobreza não pode ser desperdiçada, esquecida ou apagada! Há que manter um prestígio que demorou a erguer e que custou a muitos sangue, suor e lágrimas!

Os responsáveis do clube têm de estar à altura dos anseios de uma multidão que no sábado encheu a Avenida dos Aliados.

Se não estiverem, se colocarem os seus interesses pessoais acima dos do clube que dizem amar, então que dêem o lugar a outros!

Assim o exige o passado de glória, o presente de festa e o futuro feito de esperança e de vitórias e conquistas.

O céu é azul! Sempre!

Opinião

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