7 Fev 2013, 10:59

Texto de

Opinião

Umas eleições que não podemos perder

,

O Porto vai a votos, virando a página a uma dúzia de anos de Rui Rio à frente da autarquia. O filme político local de 2013 tem tudo para ser uma temporada irresistível.

Vêm aí as autárquicas. Em breve, o Porto vai a votos, virando a página a uma dúzia de anos de
Rui Rio à frente da autarquia. E se nos deixarmos guiar pelos primeiros episódios, há razões
para acreditar que o filme político local de 2013 tem tudo para ser uma temporada irresistível.

Quantos dos 308 municípios onde vão decorrer eleições terão, no boletim de voto, a
possibilidade de escolher entre um ex-líder do PSD, um ex-secretário de Estado da Saúde do PS
e o dirigente de uma das mais prestigiadas instituições da cidade? E quando terão a hipótese
de, num momento raro no nosso espetro político, ter uma candidatura independente – que
não de um desavindo de um partido – a disputar o escrutínio? Uma candidatura reunindo
apoios significativos e parece capaz de ir buscar eleitores ao espaço tradicional dos dois
maiores partidos.

A estes protagonistas há ainda que acrescentar todas as linhas de argumento paralelas que
dão espessura ao enredo principal. Há a inimizade entre o presidente que sai do Porto e o que
sai de Gaia. E um Rui Rio empenhado em dificultar a campanha do companheiro de partido
Luís Filipe Menezes, com muitos dos seus apoiantes a surgirem no apoio a Rui Moreira. Há
Manuel Pizarro, que, num PS longe de encontrar a paz interna, não apoiou o atual secretário-
geral do partido nas eleições internas. E sabe-se como o PS é pródigo na arte de alvejar os
próprios pés. E há ainda um CDS-PP que, sem obedecer ao espírito da coligação governamental, parece encaminhar-se para um apoio à candidatura de Rui Moreira.

Mas para adensar a trama acrescente-se ainda a ameaça que há meses paira de que, afinal, o
boletim de voto possa não ter estes três nomes. Nos tribunais pode vir a julgar-se a capacidade
de serem contrárias à lei as candidatura de autarcas que tenham acabado de cumprir três
mandatos à frente um município. Este é o ingrediente capital de suspense que ensombra Luís
Filipe Menezes, que partiu para estas eleições como o favorito.

Não falta nada na frente política para que estas sejam umas eleições que não podemos perder.
Mas é preciso acreditar também que a trama partidária não vai esgotar a discussão política,
que isto é só a poeira da partida de uma campanha que tem de chegar a um eleito, mas que,
até lá, deve servir para avaliar a cidade e para definir as rotas do que se quer para o Porto. As
ameaças são muitas e os desafios tremendos. Há que estar à altura do desafio. Só assim é que
serão umas eleições que não perderemos.

David Pontes escreve segundo o novo acordo ortográfico.

Opinião

No Porto24, contamos as histórias que fazem o dia-a-dia do Grande Porto. A nossa missão é ser também um espaço de reflexão e debate. A Opinião é uma plataforma animada por um conjunto de intervenientes e observadores atentos da cidade, que escrevem com regularidade.