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16 Fev 2014, 22:49

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Opinião

Transparência ou obscuridade

Parece que muitos ainda não se aperceberam que vivemos na segunda década do século XXI. Que vivemos tempos de mudança necessária porque, maioritariamente das vezes, os modelos passados já não fazem hoje sentido para quem tem que preparar o que vai ser o presente do futuro dos nossos filhos.

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E o futuro dos nossos filhos não se vai cingir a pagar dívidas de regabofe, a lidar com instituições e procedimentos sem sentido ou com entraves “esquisitos”. Os nativos-digitais, sim, mesmo os portugueses, viverão daqui a dez anos na terceira década século XXI e não, como muitos parecem ainda acreditar e viver, em 1984.

E esses tempos têm génese agora. Convém começarmos a decidir e a agir com esse facto sempre em vista. O que será 2024? ou 2034?

Teremos um país visto de 1984, onde a informação é centralizada, controlada e fechada? Uma sociedade cívil, dita avançada, que não tem acesso aos seus dados? Uma sociedade em que tudo o que pode e faz é controlado pelo famigerado grande irmão do Adamastor?

O que não faz sentido tem os dias contados! E na área pública, a sua actual opacidade tem que começar a ser alterada de imediato. Já não faz sentido, nem sequer para nós trintões e quarentões, sermos cidadãos contribuintes cegos e passivos.

Se um acto é público, os seus dados devem ser públicos. Se uma instituição é pública os seus números devem ser públicos. Se é publico deve ser publicado. Deve ser acessível e aberto, é disto que se trata no futuro, informação.

E, informação disponível a gerações cada vez mais capazes de a tratarem só pode trazer mais beneficios a todos … a não ser que não seja isto que se pretenda!

E, quando se reclama acesso a dados não se pede acesso a nomes ou moradas. Os dados públicos que têm que estar disponíveis, são, em primeira instância, números. Nem a conversa da privacidade cola para manter a obscuridade.

O nosso futuro será, como o presente é, reflexo das nossas escolhas e acções como sociedade. Se escolhermos manter o centralismo, o controlo total num vertice único, muitas vezes sem face, vamos por certo dar ás profecias de 1984. Por outro lado, se apostarmos na transparência, na publicidade e na acessibilidade, valores da futura sociedade que os nossos filhos imaginam, temos que a tornar efectivamente epicêntrica, inter-ligada e disponível.

Essa sociedade já se vê como quer ser, livre, colaborativa e responsável. Não chegamos ao fim da História. Parte dela começa agora. A oportunidade de construir esse futuro informado está já ao dispôr … não a devemos perder, correndo o risco de atrasar ou mesmo limitar a capacidade futura da sociedade dos nossos filhos.

Opinião

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