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Foto: Hugo Magalhães

22 Dez 2017, 14:39

Texto de

Opinião

Serviço público ou privado?

Quando houve, no país, o debate sobre os malefícios e benefícios da televisão pública, ficou claro que a sua existência se devia ao facto da informação neutra e equidistante ficar mais salvaguardada numa estação televisiva pública do que sob a alçada de uma entidade privada sempre mais sujeita aos interesses particulares, do que ao bem público.

Imagem de perfil de Manuel Luís Mendes

Manuel Luís Mendes é natural do Porto e licenciado em História. Foi professor no ensino oficial de Português e de História. E ainda docente de Comunicação no ISEF (hoje Faculdade do Desporto) e na Escola Superior de Jornalismo. Foi ainda jornalista no Jornal de Notícias, tendo chefiado a secção de Desporto. Trabalhou na área da Educação e Ensino.

Por isso, a RTP seria a única a defender o pluralismo e neutralidade da informação, algo que os privados não garantiriam.

Só que na transmissão do jogo entre o FCPorto e o Rio Ave a parcialidade foi demasiado notória.

Durante todo o encontro não houve uma palavra para a espetacular exibição dos portistas!

Não. Para os comentadores houve sim muitas dificuldades por parte dos vila-condenses que não conseguiam suster os ataques dos dragões.

O mérito não foi, pois, dos líderes do campeonato mas do demérito do adversário.

Chegou – se ao cúmulo de terem ficado escandalizados com uma entrada mais dura de Soares a merecer amarelo, mas nunca vermelho, como pediam os comentadores. Depois, qualquer situação mais incómoda e simples para os da casa, era um perigo constante e um alarme incrível…

Serviço público? Talvez, mas a Benfica TV não faria melhor…

O que importa é que o FCP fez uma exibição de gala e se não houvesse tanto desperdício a goleada seria histórica.

Essa a realidade, embora os telecomentadores de serviço a tenham iludido. 

Como estamos no Natal, haja tolerância, esperando que, no novo ano, algo mude para que tudo não fique na mesma…

Admitindo que no melhor pano cai a nódoa, seria avisado que a RTP ganhasse a consciência de que tem um estatuto que defende o interesse do país e não de um qualquer facciosismo de circunstância. Deveria ser – a tem de ser! – como a seleção nacional de futebol :a equipa de todos nós. Tem de saber que é mais um serviço cívico do que uma empresa particular. O seu lucro é a informação rigorosa e não os dividendos dos acionistas. 

E se algum profissional da casa, não aceitar esta postura, então só lhe resta um caminho :sair pela porta por onde entrou para a Benfica TV, Sporting TV ou Porto Canal…

Aliás, isso aconteceu com vários jornalistas e daí não veio nenhum mal ao mundo. Pelo contrário, houve bom senso e seriedade. Não enganaram quem lhes pagava e foram servir outros patrões.  Tudo certo, pois. 

Inadmissível é parecerem o que não são : independentes. Como diz o povo, quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele…

Quanto ao Governo, que tutela o setor, não pode assobiar para o lado e fazer de avestruz. Tem de ser mais interventivo. 

É que sujeita – se a perder, no desporto, os créditos que tem granjeado noutras áreas, com consequências eleitorais imprevisíveis. 

Boas Festas  a todos os leitores do Porto24, independentemente de clubes, são os nossos votos sinceros. 

Opinião

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