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6 Fev 2018, 15:28

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Opinião

Será Rui Rangel a nova Kardashian?

É verdade: Portugal está a tornar-se grande, outra vez. Embora este pareça uma adaptação foleira do ainda mais foleiro mote proferido por Donald Trump durante a campanha às presidenciais norte-americanas, o que é certo é que o nosso pais está a sair-se bem a diversos níveis.

Imagem de perfil de Luís Sousa

O meu nome é Luís Sousa, nasci em ’91, faço parte dos millennials. Sou da última geração que brincou na rua e da primeira a pegar em consolas. Vim a tempo de assistir ao Rei Leão e vibrei com os Kamehameha do Dragon Ball! Sou do tempo do mirc, do Messenger e comecei a tirar selfies ainda com o Hi5. Aprendi a dizer a palavra globalização, ao mesmo tempo que marcava viagens low cost para qualquer parte do mundo. Já nos chamaram geração à rasca, mas nunca nos deram asas para voar. Posso afirmar que sou da geração que passou um século, virou um milénio e ainda nem sequer cheguei aos 30 anos. Impressionante não?

Talvez, de todas as maravilhas que Portugal tem para oferecer, o turismo seja aquela que aglomera as mais variadas vertentes. É não, era. Talvez seja este o tempo verbal a adoptar. Nos últimos dias, alguns acontecimentos deitaram por terra os anseios turísticos portugueses e revelaram toda um nova faceta que nenhum cidadão luso estava habituado. Mas isso tem de mudar. O português tem de deixar de lado o bacalhau, o orgulho no futebol e o poster do Cristiano Ronaldo. São dias de mudança e, se outrora a bola fazia mover multidões, hoje é a Politica que não deixa ninguém indiferente. Sempre fomos um povo pacato, sem grandes motes de reviravolta, no entanto, quando a politica entra em campo e agarra a justiça, nada mais há a fazer.

Hoje em dia vivemos na globalidade total e não nos podemos dar ao luxo de fechar horizontes. Talvez tenho sido isso que pensou o juiz Rui Rangel quando decidiu investir numa carteira de contactos que deixa qualquer um de bochechas coradas. Já reparou que pode estar a ler este texto sem ter a certeza absoluta que quem o escreveu, não faz parte da máfia do desembargador? Pois é, no fundo, podemos avaliar Rangel como um influencer – algo muito em voga nos dias de hoje.

É certo que youtubers e bloggers têm uma constante influência na sociedade virtual (e não só) portuguesa. Existem prémios, distinções e autênticas brigas para decidir quem termina o dia com mais likes ou partilhas. Rui Rangel não necessita de nada disto. Falamos de um juiz que é arguido por alegadamente receber diversos benefícios em troca de decisões alegadamente viciadas proferidas, alegadamente, em pleno Tribunal da Relação de Lisboa. Alegadamente, os restantes cidadãos serão, então, desprovidos de qualquer inteligência. Mas o que nos vale é que é só alegadamente.

Podemos considerar o juiz Rui Rangel como a Kim Kardashian portuguesa. Obviamente não discutimos questões estéticas, apenas encaramos a veia de influenciador que está demasiado proeminente em Rangel. Embora não troque as suas decisões por produtos de beleza, nem para oferecer à sua esposa, visto Fátima Galante estar também – alegadamente – envolvida nestas andanças, o juiz-desembargador limitava-se a travar conhecimentos com quem realmente interessava para que fosse obrigado a gastar o menos possível e a ganhar o máximo desejado.

Não fossem as coisas correrem para o torto, Rui Rangel tinha acordos com advogados para gerirem os seus “negócios”, chegando o dinheiro sempre em tranches de 10 mil euros, não sendo assim accionados os mecanismos de alerta bancários.

O processo Lex – designação oficial do caso – conta já com 13 arguidos que mantinham toda uma máquina de “trocas e baldrocas” capaz de roubar o nome à letra escrita por Carlos Paião.

À falta de melhor, continuamos sintonizados neste reality show que garante mais novidades. Esperemos que não sejam introduzidos novos arguidos, ou então, sugerimos que se altere a designação do caso de Lex para Keeping Up With The Rangel’s. Acreditem, iria dar ainda mais que falar.

Opinião

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