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11 Nov 2017, 13:31

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Opinião

O segredo do inocente

O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira resolveu falar, o que não significa,  forçosamente, que disse algo.

Imagem de perfil de Manuel Luís Mendes

Manuel Luís Mendes é natural do Porto e licenciado em História. Foi professor no ensino oficial de Português e de História. E ainda docente de Comunicação no ISEF (hoje Faculdade do Desporto) e na Escola Superior de Jornalismo. Foi ainda jornalista no Jornal de Notícias, tendo chefiado a secção de Desporto. Trabalhou na área da Educação e Ensino.

Falar pode não ser dizer algo e, por isso, o povo reza que o silêncio pode ser a arma dos lúcidos, dos justos,  dos sensatos e dos inocentes. Este pode ser de ouro e o palavreado de lata…

Posto isto, pergunta-se: qual a novidade que houve na entrevista encomendada por si a ele próprio,  dono da BTV? Nenhuma. Por isso, mais valera ter ficado calado…

Dizer que o clube não tolera a corrupção é, por exemplo, uma falsa questão própria de um demagogo.

Realmente, só a polícia poderá asseverar esse crime. Ela e mais ninguém. Agora, o que o povo,  aquele independente de clubismos agudos pensa,  é que pode existir, não corrupção, mas, sim,  tráfico de influências. E isso é crime! Em qualquer parte do mundo!

Mas sobre isso nem uma palavra… E sobre a indignidade moral que é haver dirigentes ou funcionários benfiquistas a trocar correspondência, na maior clandestinidade,  com agentes ligados ao submundo da arbitragem, também o silêncio foi sepulcral! A não ser que tudo isso seja normal…

Por tudo isto, dá a sensação que o medo da investigação poder vir a dar frutos  (não fruta…), em termos de procura da verdade desportiva, levou LFV a defender-se, antes de ser julgado   utilizando aquela velha tática futebolística, de que o ataque é a melhor defesa…

Não será esta a verdadeira razão para este falatório do presidente ser publicitado?

Não será por isso que o veterano líder  acuse os outros de desespero, quando o seu clube prima pelo insucesso desportivo?

Ou seja : desvia as atenções da casa própria para as outras, de modo a que os seus adeptos se insurjam contra terceiros esquecendo os males de que padece o seu emblema…

É uma velha estratégia que reza que enquanto se olha para os outros doentes, não nos apercebemos das enfermidades próprias.

Por mais graves que sejam.

Talvez…

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