21 Set 2011, 17:35

Texto de

Opinião

Religiões laicas: o caso do vegetarianismo

O vegetarianismo é um fundamentalismo laico, uma espécie de religião da lentilha, uma eucaristia do tofu e do seitan.

Vegetais

O vegetarianismo é um fundamentalismo laico

Há algumas crónicas escrevi – dum modo um pouco estouvado, admito – que, se fosse eu que mandasse, acabava com as agências de rating e com os restaurantes vegetarianos.

A primeira das ideias não suscitou reações: as agências de rating são como os animais marinhos das profundezas, nunca os vimos mas tememo-los, dum temor que já acometia os nossos marinheiros no tempo dos barcos sem motor. Um monstro marinho é um medo antigo, uma agência de rating é um medo moderno.

Já a segunda ideia suscitou severas reações – pelo menos foi o que me disseram uns amigos que conhecem a gente que lê as minhas crónicas. Por isso devo uma explicação a todos e todas os vegetarianos/anas.

Ainda bem que tenho de me explicar, para já porque sou professor, e depois porque assim posso voltar ao tema que tinha prometido antes de ter sido importunado pelas agências de rating, que me obrigaram a um exercício sobre o nosso conhecimento superficial acerca da sua natureza profunda. E esse tema que assim bruscamente interrompi foi o da religião, que já conseguiu, aqui há umas semanas, irritar um leitor. Espero que volte a ler-me e, desta vez (como da outra) volte a irritar-se. Então aí vai:

A ascese é uma necessidade humana perante o espectáculo do excesso. E é provável que o excesso seja uma necessidade humana perante o aborrecimento da ascese. Todas as religiões a prescrevem, todas nos inclinam perante a nossa inclinação ao empanzinamento.

O jejum tanto é cristão como islâmico, e só Buda parece não ter tido pudor de exibir um ventre dilatado. Agora que a religião governa pouco a nossa moral privada, a necessidade de ascese manifesta-se de múltiplas formas dessacralizadas.

Tomemos o caso da frugalidade dos vegetarianos. Praticam-na com os mesmos preceitos férreos dos cristãos nas sextas-feiras de Quaresma. Estes queriam penar os pecados, desde logo o da gula. E eles, os vegetarianos, o que querem eles?

Vegetarianar é uma via de acesso à natureza, que sentimos estilhaçada pelo sedentarismo urbano que vive da predação dos recursos. O simples facto do regresso é já em si um retorno ao religioso, corporizado que esteve desde tempos imemoriais nos elementos da natureza. O vegetarianismo é um politeísmo da alface e o vegetariano um engolidor do pão sagrado em tudo o que assuma a forma de talo, caule, fungo ou folha – comer raízes é ir à raiz.

Regressar à natureza pode cumprir-se ritualmente, como todo o comportamento que releva do culto: passeá-la pelos seus trilhos agrestes, conviver com os seus recônditos ainda preservados. E, quando aperta o apelo inevitável das necessidades do corpo, naquelas horas em que se vê obrigado a ingerir a própria natureza, o vegetariano segue o preceito de a comer na parte em que ela não geme nem derrama sangue.

O vegetariano, porque tem de sobreviver, acaba por comer. Mas sempre um pouco contrafeito, com a mesma indiferença de quem faz algo porque tem de ser e não porque isso seja, como é de facto o comer, uma das essências do existir.

A verdura promove-lhe um fácil trânsito intestinal, o que o leva a defecar bastas vezes numa só jornada. Podia isto ser uma mera consequência da sua dieta, mas não: erige-a em virtude, chegando mesmo ao comentário, que tenho ouvido a praticamente todos os vegetarianos, de que o bolo fecal é de melhor qualidade do que o dos comuns comedores de animais. Se bem que não dê, por causa da ascese que é o vegetarianismo, grande importância ao comer, atribui grande centralidade ao cagar: invertendo a hierarquia dos orifícios, valoriza mais o labor que dá ao de baixo do que o prazer que dá ao de cima.

O vegetarianismo é um fundamentalismo laico, uma espécie de religião da lentilha, uma eucaristia do tofu e do seitan e o pecado, o sinal infamante da fraqueza do espírito, o resvalar da dignidade para um bife ou um lombo de salmão. Alambazar-se com uma pratada de chispe, bater-se com uma vitela de Lafões ou com uma morcela da Beira é para o vegetariano um lamentável sinal de primitivismo, algo na vizinhança da ferocidade ancestral que acomete a humanidade desde as origens e a puxa para os seus limiares biliosos.

A alarvidade é tanto maior, aos olhos do vegetariano, quanto mais o festim se aproxime do infanticídio, como nos casos do leitão da Bairrada, do cabrito à padeiro ou do anho pascal. O vegetariano é teimoso como a beata e dogmático como qualquer rata de sacristia: a carne aflige-os por definição e é vão querer argumentar racionalmente com qualquer deste género de criaturas.

Poderia continuar a aduzir argumentos do calibre dos que expendi atrás, mas é já um sentimento de alguma compaixão o que agora me invade. Para quê, afinal, dizer tudo isto de criaturas que só pugnam pela harmonia do planeta? A próxima crónica poderá bem ser dedicada a um novo género de indivíduos, situados sociologicamente na vizinhança dos vegetarianos: os que estão dispostos a dar couro e cabelo por produtos de agricultura biológica.

Luís Fernandes escreve de acordo com o novo Acordo Ortográfico

  1. Isabel says:

    Independentemente do tema de que se fala, partir de generalidades é a pior opção: assumir que “os vegetarianos” são todos iguais é errado, assim como o são quase todas as “verdades absolutas”. Devo dizer-lhe que deve ter conhecido os vegetarianos errados, pois para dizer verdade, sou vegetariana e estou-me bem (e completamente) lixando para que o senhor pensa disso, assim como nego veementemente qualquer intenção de converter alguém ao vegetarianismo (é que quero lá saber do que os outros comem!) ou de debater a qualidade do meu bolo fecal. Acrescento ainda que se parte do princípio de que ser vegetariano é ser asceta está, mais uma vez, a individualizar e a generalizar aquilo que manifestamente, não conhece, pois todos sabemos que cada um tira prazer do que quer e bem entende; por exemplo, entendo que muitos achem as suas palavras engraçadas; eu limito-me a achá-las ridículas e inclusive, acho bastante deprimente que liberte tanta raiva só por falar em vegetarianismo. Imaginei-o verde a escrever! Um conselho: preocupe-se menos com os vegetarianos e escreva mais sobre agências de rating; aposto que se sai melhor!

  2. PS says:

    Caro Luís Fernandes, aconselho-o vivamente a rever o conhecimento que tem do vegetarianismo como opção ética e não como opção de moda e, caso não consiga argumentos e contra argumentos suficientemente bons para ter uma opinião informada, torne a escrever este seu artigo, mas desta vez com uma argumentação factual e não com um exercício de prática ao vocabulário. Na versão curta se quer dar a sua opinião, argumente.
    Isto que lhe escrevo, não é de quem ficou zangado com o que disse acerca do vegetarianismo, mas sim de quem achou que depois de ler o artigo, ficou com a sensação que leu um tabuleiro de scrabble. Gostaria de poder discutir o assunto consigo, mas como poderá compreender, é-me impossível.

    Cumprimentos!

  3. Ana says:

    Li o seu artigo umas 2 ou 3 vezes e ainda me estou a interrogar – em bom português, como diria o meu pai – “o que e que o cu tem a ver com as calcas”!
    Falhou-me qualquer coisa…porque ainda estou a tentar entender o que tem o seu relambório a ver com vegetarianismo – deve ter uma explicação freudiana qualquer e como não sou psicóloga nem vegetariana, não entendi!
    Mas, parece-me que o ataque gratuito que o senhor faz sem qualquer argumentação e triste.
    Tenho vários amigos e familiares vegetarianos,uns por opção outros por motivos de saúde – seja qual for o motivo, não tenho nada com isso. Assim como eles não tem nada que ver com o facto de eu comer carne…
    Também não gosto da sua fotografia e do seu cabelo desgrenhado, mas dai a dizer-lhe que parece ridículo e que já tem idade para ter juízo e um corte de cabelo já uma grande diferença…ou se calhar não!

  4. Chego agora mesmo do nakité, um dos restaurantes vegetarianos que regularmente frequento no porto.
    Não sou vegetariano, bem como vários amigos que tb frequentam estes espaços. Nunca ninguém em momento algum veio-nos doutrinar para o vegetarianismo. Somos bem recebidos e respeitam a nossa forma de ser.
    Sugiro ao Sr Luis Fernandes que atreva-se a comprovar isto, antes de escrever de cor e baralhar cotas com perdigotas.
    O seu artigo de opinão é das coisas mais infundadas que tenho lido.
    Mas pouco importa, é só mesmo a sua opinão. Não vale a eventual polémica gratuita que talvez pretenda provocar.
    Felicidades e como o que entender.

    • Luis pedro says:

      voces sao todos uma camada de cabeça de legumes e frutas
      nao sabem ver o lado da brincadeira
      seus bbbbbbbbbbbuuuuuuuuuurrrrrrroooooossss

  5. Helio Rodrigues says:

    Bem… eu não leio e nunca li as suas crónicas mas depois das suas barbaridades incrivelmente ridiculas que leio nos primeiros parágrafos, leva-me a reflectir e sem nenhuma dúvida assegurar-me a mim próprio que nãoirei entrar em algum tipo de discussão possivel consigo. Temos pena! Queria só sugerir-lhe se me permite, a passar largos anos de pesquisa pela sua biblioteca local, internet, o que quer que seja pois acho as suas palavras puramente retrógadas. E não consigo evitar de o alertar ao explicito facto de que o Luis tem graves problemas e não vai longe, infelizmente. Talvez nunca tenha ido, pelo que dá para ver nestas supostas crónicas de meia tijela dum Porto24 que nunca ouvi falar. Continuação!

  6. A. Cerqueira says:

    Que safisfação lhe produz esta análise/comentário tão miudinho acerca dos vegetarianos. Como é possível fazer apreciações tão perjurativas acerca de pessoas que na sua grande maioria não opinam contra quem não é vegetariano. Sendo o senhor, professor, só me apetece dizer que estou-me nas tintas para o que pensa acerca da minha opção alimentar. Tenha uma boa noite.

  7. Jessica says:

    Senhor Fernandes
    Como vegetariana, sinto-me cada vez mais afastada de pessoas como o senhor, os meus valores estão muito longe dos seus, os meus sentidos (olfacto, gosto, audição) nada têm a ver com os seus, e prefiro a minha compaixão à sua arrogância. Não digo que a compaixão seja uma qualidade, mas quando existe não se vai negar que se tem. Acho que é preferível evitar provocar sofrimento nos outros, quer sejam animais ou humanos, até como auto-protecção, porque todas as nossas acções voltam para nós de uma forma ou doutra, em certa altura. E ainda vou ter compaixão de si quando estiver a lutar contra uma dessas doenças lixadas, e estiver a comer religiosamente tofus e seitans na esperança de não ir para o inferno!

  8. Sara says:

    Boa tarde professor!
    O professor muito gosta de causar polémica. É a primeira que eu leio e esta vim ver e não podia deixar de o fazer depois de tudo o que eu ouvi mesmo antes da publicação.
    Ao contrario das pessoas que falaram até aqui que não o conhecem e que é provavelmente o primeiro contacto que têm com a sua, eu sei quem é e sei como é a sua maneira de estar na vida.
    Conheço a sua obra, que eu gosto.
    Por isso eu leio esta crónica com humor e mente bem aberta como a sua.
    Cumprimentos

  9. Ana Rita says:

    A sério, temos gente que pensa assim a dar aulas em universidades? Se os professores não pensam, como é que podem ensinar os alunos a pensar? Caro Luís, oxalá nunca seja vítima de uma generalização como a que acabou de fazer. Eu fazia-lhe já uma bem jeitosa sobre quem forma a sua opinião com base nos estereótipos que viu em duas ou três americanices na TV. Ou sobre os dinossauros instalados nas universidades, que não se actualizam há décadas e estão a tirar o lugar a gente com mérito *mesmo*, daquele ganho com trabalho e não por antiguidade. Porque o seu tempo, claramente, já passou. Ah, e ainda por cima, esta pérola vinda de quem trabalha sobre exclusão social…20 pontos pela sensibilidade!

  10. Pedro Almeida says:

    Há polémica fundamental e há polémica banal. Creio que este exemplo pende para a segunda hipótese. Se de facto era o intuito, os meus parabéns. Ainda por cima na internet, onde todo o ego deseja ser afagado, não podia ter escolhido palco mais ideal. Mas se o intuito é esmiuçar um pretenso fundamentalismo, porquê a necessidade de vestir a pele de um fundamentalista ? É que uma visão tão generalizada, ao ponto do estereótipo, é algo que espero de um Ayatollah e não de um professor universitário.

  11. Junior says:

    E o sitema alimentar do autor o que seria, uma religião baseada na matança de animais? o que seria o onivorismo? Outro sistema religioso?
    Um fundamentalismo da carne? Acho que o autor deste texto que critica os vegetarianos não tem inspiração para escrever algo realmente significativo.

  12. Vânia says:

    Um texto prolixo, mal escrito, de um vazio de conteúdo próprio de um pseudo-intelectual. Já que perdi meu tempo lendo-o, não posso deixar de manifestar meu desagrado.

  13. Tamara says:

    Sou vegetariana e morrí de rir com sua crônica.O humor é a maior vingança contra o autoritarismo. Obrigada!

  14. ESCANDALIZADA says:

    A sério? É realmente professor?

    Para si é bom matar e fazer sofrer os outros? Apenas por prazer?

    Portugal está muito mal formado. Temos muito que evoluir.

    Sou vegetariana, primeiro pelos direitos de TODOS, depois pelo nosso planeta, que também é um direito de todos, e depois a minha saúde física e mental.

    Ao contrario do que diz, não sou vegetariana pela religião, até porque não tenho religião definida.
    Somente sigo os valores em que acredito.

    Disse também que comemos o que não sangra, não sei se o professor sabe, mas as plantas não sofrem. Portanto penso que não estou a “pecar”.
    E sabe que mais, a nossa comida é MUITO mais diversificada e saborosa.

    Antes de fazer este tipo de artigos, devia ir ler e aprender. Não se deve falar e criticar do que não se sabe.

    Cumprimentos e pense melhor no que anda a dizer por aqui.

  15. Bia says:

    Li e reli e … sem comentários!!!…

    Neste momento, fiquei com vergonha de ser professora.

    E mais não digo!!!!!

  16. Sónia Ribeiro says:

    Como professor deveria saber muito bem que para se falar/opinar deve fazer-se um estudo profundo, pesquisa de autores, ferramentas cientificas e/ou viver a experiencia …
    Coisa que o professor não fez porque claramente não sabe do que fala, lamento informar-lo mas isto não é um artigo (não sei se sabe o significado da palavra). É um amontoado de palavras subjetivas de vazio com clichés em desuso e uma desorientação total de significados…

  17. Inês Pereira says:

    Sou Jovem, sou Católica e sou vegetariana. E meu caro, ou devo dizer excelentíssimo professor, a partir da sua frase “O vegetarianismo é um fundamentalismo laico, uma espécie de religião da lentilha, uma eucaristia do tofu e do seitan e o pecado, o sinal infamante da fraqueza do espírito, o resvalar da dignidade para um bife ou um lombo de salmão.” o senhor é que tem o cérebro do tamanho de uma lentilha e a Eucaristia é muito mais do que um contacto com tofu e seitan, é um encontro com o Senhor, é um estado de amor e de fé, um estado de crença no seu espírito vivo. Se o professor gosta da maldade, da crueldade, da sanguinidade, da falta de ética e de moral, da falta de bondade e generosidade para com o outro, fico triste por vós e espero que encontres o encanto do amor e a alegria da harmonia para com a vida, a natureza e o planeta!

    • André Correia says:

      Já não sou muito jovem, sou ateu e como carne (e peixe e vegetais e uma série de outras coisas).
      Os seus argumentos/insultos são de uma tristeza dogmática infelizmente muito corrente.
      Cumprimentos.

  18. André Correia says:

    Pela quantidade e natureza das reacções a um texto claramente humorístico, comprova-se o fervor quase religioso desta malta.
    Os fundamentalismos nunca conviveram muito bem com o humor, que os obriga a olharem-se ao espelho.
    Parabéns pela crónica. Diverti-me imenso a lê-la!

  19. Mário B. Melo says:

    Meu caro que raro dom é esse que faz os vegetarianos terem manifesta vontade de o comer?
    Mas de vegan a canibal nada é para levar a mal.
    Sejam os costumes tão brandos como as carnes ou a aboborinha.
    Aguardo, já a salivar, o próximo prato do anunciado banquete!

  20. Excelente crónica, de uma mordacidade e de um humor superlativos. O facto de ter suscitado tanta alergia comentarista é a prova de que atingiu o cerne daquele tipo de pessoas que “nunca se enganam e raramente têm dúvidas”. É evidente que o Luís foi lido superficialmente. Pensaram que estavam a ler um texto assertivo de algum político ou orador de meia tigela que pretende impor ao mundo o seu pensamento e não o texto de alguem que preza uma liberdade e uma desconstrução do politicamente correto e do standards aparentemente bem intencionados. Continua, Luís, com essa feroz alegria de exitir, refletindo na escrita o burlesco deste mundo. Um abraço. Inês.

  21. Sofia says:

    Sou vegetariana. Adorei o texto e até me revi em algumas das ideias tendo em consideração o caráter caricatural destas palavras. Lamento a falta de sentido de humor das pessoas que o comentaram e sobretudo o facto das outras crónicas publicadas pelo autor – relativas a questões bem mais essenciais – não terem despoletado este envolvimento de quem leu. Mostra bem o mundo social em que vivemos, a vacuidade dos assuntos com que nos entretemos… Mesmo por parte daqueles que muitas vezes se concebem como estando num patamar civilizacional mais avançado por terem optado por não comer animais. Quanto ódio face a uma crónica que não passa duma piada, embora toque num tema interessante e complexo que claramente o autor procurou deixar apenas como pano de fundo. É um texto divertido, inteligente e sagaz que propõe uma reflexão densa, e pertinente sobre os dias que correm. O vegetarianismo foi apenas o analisador escolhido. Podia ter sido a obsessão pelo desporto ou outro tema qualquer. Só poderá atingir tão visceralmente aqueles ou aquelas que se revêem no que é escrito – os tais fundamentalistas , revoltando-se contra aquilo que consideram um ataque ao seu próprio retrato. As reações, portanto, só corroboraram a justeza da descrição. Esclareça-se, claro, que os que reagiram, como se vê pelo meu comentário, estão longe de representar a variedade que assumem as formas de estar de quem opta pelo vegetarianismo. Nisso estamos todos de acordo!

  22. Astúrica Passaguarda says:

    Para quem não gosta da ideia de ingerir vegetais e não se informa sobre o assunto de maneira científica – devido a essa passagem: “E, quando aperta o apelo INEVITÁVEL (????) das necessidades do corpo(…)” – o senhor até que se simpatiza com o vegetarianismo! Este artigo é só abobrinha!
    Respeitosamente,
    Astúrcia

  23. Soraia M. says:

    Esta panóplia de palavras aos molhos (à qual não me apetece chamar texto/crónica/artigo) fez-me desenvolver uma teoria rápida e explicativa de alguns dos pontos que referiu.
    O Sr. Professor leva-me a crer que foi deixado por uma mulher fogosa, de curvas abismais mas que, acaso dos acasos, contrariava os instintos carnívoros alimentícios e tornou-se vegetariana dois dias depois de se conhecerem. Porém, o pepino (ou qualquer outro legume/vegetal fálico — algo óbvio, mas com piada) do Sr. Professor não satisfazia os demais instintos, desta feita, carnais, e as tais necessidades urgentes de facilitar o trânsito intestinal. A vida continua, Sr. Professor, não precisa de perder o seu tempo (e o nosso também) com “panóplias de palavras aos molhos” que só servem para gerar teorias como esta.

  24. Mafalda A. says:

    Realmente, parece que a crise deixa as pessoas tão amargas que não são nem capazes de compreender e apreciar uma caricatura que de “prolixo, mal escrito, de um vazio de conteúdo próprio de um pseudo-intelectual” não tem nada. Mas tendo em conta que este é um espaço de opinião, deixemos que as pessoas opinem à vontade e soltem aqui a sua raiva em vez de a soltarem noutros sítios menos apropriados.

  25. Joana says:

    A todos os que ficaram incomodados com esta crónica quero dizer-lhes que compreendo que possam senti-la extremamente provocatória, sem fundamento ou de mau gosto. Eu própria não concordando com o que está escrito, essencialmente por não entender a generalização feita, relativizei o assunto/conteúdo e procurei imaginá-lo com o seu tom irónico a dizer algumas destas coisas. Não é minha intenção defender esta crónica, mas o meu comentário só vai no sentido de lhes dizer que não duvidem que este senhor é dos maiores observadores, investigadores, escritores e professores universitários que temos em Portugal. Toda a gente é livre de comer o que quer que seja, de escrever ou de criticar o que se escreveu. Mas não se fiquem pela indignação. Explorem o que puderem sobre o Professor Doutor Luís Fernandes e vão ficar espantados com a capacidade deste Senhor! Um grande abraço e a minha admiração.

  26. Victor Moita says:

    Olá Luís! Como sempre, crítico, de inteligência brilhante e arguta, de língua e de “caneta” afiadas! Bela escrita, esta, e bela metáfora àcerca, não de um fundamentalismo, mas de muitos. Excelente provocação que contrasta com a “pachorrice mental e cidadã” que parece querer dominar nos tempos que correm.

  27. Renato Cardoso says:

    Salvo honrosas excepções acima expressas, com esta crónica e subsequentes comentários (de quais beatas e acólitos da igreja universal dos ruminantes de deus) fica cabalmente demonstrado que as vegetarianas/os têm falho o estômago para o humor; descompreendem ironia, sarcasmo e mordacidade; são incapazes de se olhar ao espelho e rir de si próprios; padecem daquele instinto pequeno de autodefesa animal — ou, por outra, animalesca — que a leva a eriçar-se, ao mais ínfimo toque, e a sentir-se ameaçada por dentro da sua minoria de moral e supraclarividência autocráticas.
    Alguns dos comentários aqui gentilmente partilhados fazem jus à fúria cega dos fundamentalistas islâmicos contra as caricaturas de Maomé. Noutros sobressai um pedantismo quase infantil, patente no recurso a termos «caros» (mal enquadrados e com bezerros ortográficos mal-amanhados) e tentativas boçais de demonstrar desprezo e/ou superioridade intelectual (nada a ver com arianismo, não disse isso).
    Com a apregoada compaixão, poder-se-á invocar um «perdoai-lhes senhor porque não sabem o que comem nem o que dizem». Contudo, e porque a Ciência têm esta mania absurda de perseguição que é desmistificar os relâmpagos preciosos e historicamente rentáveis do marketing sacerdotal, proponho uma investigação de pesquisa minuciosa para determinar qual a válvula dos vegetarianos qa precisar de proteína à bruta para se desentupir de merdas. Finalmente, sugiro que se institua um prémio de miss bolo fecal.

Opinião

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