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28 Jun 2017, 12:49

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Opinião

O rei vai nu…

As surpreendentes e , até, escandalosas revelações dos emails que envolvem o Benfica e as suas relações “perigosas” com o mundo da arbitragem, ameaçam fazer ruir o prestígio desportivo do grande clube lisboeta.

Imagem de perfil de Manuel Luís Mendes

Manuel Luís Mendes é natural do Porto e licenciado em História. Foi professor no ensino oficial de Português e de História. E ainda docente de Comunicação no ISEF (hoje Faculdade do Desporto) e na Escola Superior de Jornalismo. Foi ainda jornalista no Jornal de Notícias, tendo chefiado a secção de Desporto. Trabalhou na área da Educação e Ensino.

Sinceramente, seria uma atrocidade se qualquer comentador não tivesse o bom senso de distinguir uma instituição , como a do clube da águia, já implantado há décadas no tecido desportivo português, com alguns dos seus dirigentes (temos de acreditar que, entre eles, haja alguns dedicados e honestos…) e staff envolvente que o servem, ou melhor, dizem servir.

Uma coisa, é o Benfica, emblema respeitável, outra, por exemplo, o seu presidente, Luís Filipe Vieira. Este acha – ou achava, não sei… – que a dignidade de um clube estaria ou se resumiria aos títulos conquistados e não, e também,  ao seu caráter ético e ao modelo moral que o deveria suportar, como exemplo e farol para a juventude.  Não. O incensado LFV é dos que considera que,  para se vencer vale tudo! Seja espezinhar o bom nome do clube, seja emporcalhar o seu emblema, com atitudes subterrâneas, ao arrepio de qualquer norma moral, transparente e legal.

Pois agora, ante as acusações que se vão multiplicando pelo FCPorto, começa a surgir, entre alguns dos seus apaniguados e assanhados servidores a estranha e unilateral teoria – embora compreensível, dado tratar-se, em geral, de assalariados e dependentes…- de que há que aguardar, primeiro, pelo que a magistratura judicial vai decidir, e só depois, fazer o respetivo comentário!

Na previsão óbvia, por certo, de que o tempo acabará por lançar a vergonha dos atos para o caixote do lixo da História, ou seja, do esquecimento.

É a chamada fuga para a frente. Nem uma consideração antecipada a verberar tão vergonhosos comportamentos. Não. Estes só depois da justiça (que, em Portugal, com recursos e mais recursos, sabemos que costuma ser célere …) dizer de sua justiça…

Nesta linha, se encontra, por exemplo, LFV, na expectativa de que tudo se resolva a contento contando que “sem provas, não haja crime”..E assim ficará para a história do clube, como um presidente de sucesso desportivo, responsável pelo tetracampeonato, etc, etc.

Porém, começa a saber-se agora que toda essa glória desportiva teve um preço elevadíssimo – precisamente o da venda da dignidade do clube que atingiu o cúmulo com a contratação de um bruxo!

Sinceramente, LFV atingiu o grau zero da seriedade! Não. Não se trata de um mero ato de superstição que abundam em todos os clubes e em quase todos os jogadores. Neste caso, como o excesso de religiosidade, é um problema até psicológico, pois o atleta sente que tem mais força se for “protegido”. É uma questão individual e pessoal com a qual ninguém tem nada a ver.

No caso do Benfica , trata-se de um contrato ! E em que rubrica do  Relatório e Contas  se  inserem os milhares de euros pagos por tal bruxaria? Será na área das despesas diversas, onde cabe tudo? Ora, como não há oposição, não há perguntas. As contas são aprovadas por aclamação, acompanhadas de louvor…

Independentemente de tudo isto, uma coisa a opinião pública se vai apercebendo, a de que o rei vai nu…

Opinião

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