Image de Quem deve, teme

Foto: DR

13 Jun 2017, 14:51

Texto de

Opinião

Quem deve, teme

Há um provérbio português que diz, avisadamente, que “quem não deve, não teme”. Em linguagem prosaica significa que quem não tem nada a esconder, dorme de consciência tranquila. Sem qualquer vestígio de remorsos.

Imagem de perfil de Manuel Luís Mendes

Manuel Luís Mendes é natural do Porto e licenciado em História. Foi professor no ensino oficial de Português e de História. E ainda docente de Comunicação no ISEF (hoje Faculdade do Desporto) e na Escola Superior de Jornalismo. Foi ainda jornalista no Jornal de Notícias, tendo chefiado a secção de Desporto. Trabalhou na área da Educação e Ensino.

Pois, foi com alguma expectativa, que ouvimos as explicações do zeloso funcionário benfiquista , Pedro Guerra, sobre os estranhos (no mínimo…) emails trocados com o árbitro reformado, Adão Mendes.

Pois, as explicações dadas não convenceram ninguém. Nem a ele, nem, por certo,aos próprios benfiquistas.
Quando se pensava que ia encontrar uma argumentação plausível que, pelo menos, lançasse a dúvida nos espíritos mais incautos, resolveu dizer que não se lembrava!…

Esta tentativa de branqueamento de uma situação promíscua e grave é a usada, habitualmente, pelo criminoso quando, para justificar o injustificável bem como os seus crimes, prefere apagar da memória o ilícito cometido.

“Não me lembro doutor juiz”, é a frase de quem teme porque deve…

Obviamente que este apagão não é argumento, antes agrava a suspeita de que é alvo.

Por outro lado, a que se deve a linguagem codificada? Se havia transparência por que razão se criptou a conversa?

Que havia a esconder?

Face a isto, só resta um caminho às autoridades que é o do esclarecimento total do caso.

Ou será que esse afã de justiça só se deu com o afamado Apito Dourado, por se tratar de um clube de fora da capital do ex-império?

Toda a especulação é possível se não se publicitar e explicar o sucedido pelas “entidades competentes”… Agora, chegar-se ao cúmulo de Guerra solicitar e exigir que o presidente do FC Porto peça desculpas ao seu homólogo do Benfica é de bradar aos céus!

Mal comparado, será o mesmo que um juiz pedir perdão ao réu que está a julgar…

Nesta altura, tenho de evocar o livro de Manuel Antônio Pina, “O país das pessoas de pernas para o ar “. Afinal, não se trata do fino humor do nosso Prémio Camões, mas de uma triste e lamentável realidade…
Aguardemos,pois, os próximos episódios até porque estamos com a época, no defeso…

Opinião

No Porto24, contamos as histórias que fazem o dia-a-dia do Grande Porto. A nossa missão é ser também um espaço de reflexão e debate. A Opinião é uma plataforma animada por um conjunto de intervenientes e observadores atentos da cidade, que escrevem com regularidade.