28 Jun 2013, 15:00

Texto de

Opinião

Porto e Lisboa merecem melhor

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Menezes e Seara fazem parte da força mediática da política. Não interessa onde estar, querem é estar. Custa-lhes regressar ao anonimato e sair das luzes da ribalta.

Luís Filipe Menezes

Foto: Arq/Miguel Oliveira

Nos escritos soltos que vou lavrando nestas eletrónicas páginas tenho evitado entrar na escalpelização pura e dura, e direta, das acontecências  da política politiqueira, isto é da política que tem como principais atores as personagens mais ou menos mediáticas que levam urbi et orbi a mensagem partidária atrás da qual muitas vezes escondem a cupidez dos seus mais íntimos e inconfessáveis interesses.

Embora, após esporádico raide à verdade vermelhíssima do “grande educador da classe operária” nos idos de 1974-75, eu me tenha enclausurado no mais livre e gratificante solipsismo político, sempre tive a imodéstia de pretender saber quem é quem e quem vale na política portuguesa.

Muitas vezes me enganei nos meus critérios de validade política. Em instinto primário quase reflexo rejeitei homens como Ramalho Eanes e Lucas Pires, vindo mais tarde a elevá-los como políticos de eleição para quem honra e verdade eram compagináveis com a política quotidiana. Com Sá Carneiro, só após a sua morte, é que consegui decifrar a sua elevada estatura de homem livre e político com desígnio.

Em relação a Mário Soares e Alberto João Jardim nunca me enganei. Coloquei-os, desde cedo, no índex das minhas mais profundas rejeições. Por alguma razão especial? Poderia elencar miríades de atos políticos personificados por estes dois personagens que afetaram a minha forma de conceber a política, mas não é por aí que eu vou. Todos, uns mais outros menos, quando chegam ao poder, em algum momento falham ou hão de falhar na assunção das suas responsabilidades políticas. Não é pelos seus erros políticos que me abespinho contra os que nos têm governado, embora alguns, como o iluminado da Madeira, raramente acerte nas decisões políticas.  O aspeto que mais me toca tem a ver com o foro psicológico. É para mim inaceitável que alguns se julguem dotados de um especial dom de governação que os torna excecionais. Sem eles a Pátria em geral e a coisa pública em particular fenecem num caos desordenado. Esses políticos, possuidores de um ego maior que a dívida pública portuguesa, têm a ousadia de se julgarem insubstituíveis ou especialmente dotados para reger o poder. Para estes pseudoiluminados o poder político é a roupa que vestem à semana e com que vão à missa ao domingo. Depois de mim o dilúvio dizem eles para quem os quer ouvir esquecendo-se que o cemitério está cheio de quem se julgava insubstituível.

Mas estes dois diáconos na nossa confraria política têm hodiernamente os seus seguidores – Luís Filipe Menezes e Fernando Seara. Também estes dois consideram que a res publica portuguesa não pode prescindir da sua presciência política, do seu fervoroso empenhamento, da iluminação da sua inteligência.

Menezes e Seara, os illuminatti da atualidade lusitana, julgam-se suseranos à espera que a plebe os eleja como condutores na luta pela modernidade política. Estão enganados e não sabem que a luta pela modernidade política se faz pela elevação cultural de um povo e não através da ação de condutores iluminados.

Políticos que se eternizam nas redes do poder julgam-se salvadores da Pátria; não são mais que simples salvadores dos seus interesses imediatos. Administrar a política como causa própria descamba, não raras vezes, para o nepotismo e a autocracia encapotada. São raros os homens que encaram a política como missão patriótica, a vivem plenamente em acertos e desacertos e que regressam à sua vida anterior como o guerreiro regressa a casa depois de muitas guerras.

Menezes e Seara fazem parte da força mediática da política.  Não interessa onde estar, querem é estar. Custa-lhes regressar ao anonimato pois, quais viciados em mediatismo, não conseguem ser felizes sem as luzes da ribalta a iluminar-lhes os passos.

Não querem abandonar os papéis principais do filme político; não lhes chega ser figurantes, querem estar na ribalta até ao momento em que a luz dos holofotes deslacem as maquilhagens com que escondem as suas rugas políticas.

Não lhes chega a sensação de serviço público que bem ou mal feito levaram a cabo noutras paragens. Querem perpetuar-se nos palcos da festa mesmo contra o espírito da lei que tentou prevenir tais desmandos.

Menezes e Seara são dois políticos inteletualmente cabotinos que necessitam de uma galeria, de um público para manifestarem a grandiosidade da sua auréola de seres especiais. Pois, só quem se julga especial, não aprende a inteligir o momento da retirada. Querem morrer em combate como os velhos guerreiros da antiguidade. Só que o que era sentido de vida para os antigos Gregos é mera ilusão falaciosa para estes dois atores menores da política portuguesa.

Menezes e Seara não sabem, nem ninguém lhes disse, que não existem políticos providenciais tal como não existem homens insubstituíveis. Querem torpedear a lei porque se julgam únicos servidores válidos da coisa pública.

Colocaram um problema ao tribunal constitucional. Só espero que a dimensão de dignidade política e elevado serviço público que tem pautado a ação daquele tribunal se mantenha e impeça estes dois políticos “profissionais” de ferir uma lei que foi feita exatamente para evitar os vícios inerentes à eternização no poder daqueles que se julgam fadados para no poder ad eternum se entronizarem.

José Augusto Rodrigues dos Santos escreve segundo o novo acordo ortográfico.

  1. José Nogueira says:

    Concordo (em grande parte) com as suas opiniões. No entanto, somos só 2 cidadãos. Iguais aos outros todos em direitos e deveres. Assim, deixemos a democracia funcionar. Deixemos os eleitores lisboetas e portuenses pornunciarem-se nas urnas. Mesmo que votem em candidadtos que não são os nossos. Se não o fizermos e/ou aceitarmos colocamo-nos na mesma posição dos “iluminados”. Eu, pela parte que me toca, sou um ser cheio de defeitos e algumas virtdes. Iluminado é que não sou de certeza…

  2. Domingos Silva says:

    Extraordinário artigo de opinião. Professor José Augusto, “com uma cajadada, matou dois (amigos do Passos) coelhos”. E “tiro” mais certeiro não podia haver. Mas, ainda há muitos “tiros” para dar! Há muito “dinossauro” profissional à solta, que nunca fez nada na vida, senão mandar os outros trabalhar!
    Domingos Silva

    • José Serdoura says:

      Excelente artigo.
      Gosto de ver os bois chamados pelo nome, para que não haja dúvidas.
      Continuas em grande forma.
      José Serdoura

  3. Pedro Nery says:

    Meu caro José Augusto, estás tão brando!… Será que a idade está a pesar? Não seria de “exigir” que todos os que nos (des)governaram desde o 25 de Abril de 74 fossem responsabilizados perante a Justiça (?) pelos danos que causaram a este Povo? Um grande abraço e continua a “molhar”.

  4. Nuno Carvalho says:

    Concordo em pleno. Posso ironizar?
    Última hora:
    O “Iluminado”(Menezes)concretizou as suas últimas ideias:
    – Piscicultura de Taínhas no Estuário do Douro para o mercado Nórdico;
    – Saltos (com saias) da Ponte da Arrábida e lançamento de penas da Ponte D. Luís;
    – Caça livre de gaivotas e pombas na Ribeira (quem será o patrocinador?)
    Amanhã não percam mais 3 ideias…

  5. Antonio Brilhante says:

    Zé,
    Inteiramente de acordo. Ninguém está acima da lei.
    Estes dois são apenas uma pequena parte da “cambada” que nos desgovernou durante o pós 25 de Abril.
    Um grande abraço.

  6. Nuno Carvalho says:

    Até o Rio quer saber quem são os patrocinadores…kkk!
    Antecipei 24H esse cenário!!!

  7. Nani says:

    O meu comentário, é mais para poder exprimir publicamente, a minha grande estima e admiração, pelo autor deste artigo de opinião, com o qual estou de acordo. Aliás, já o estava mesmo sem o ler, pois quem, como eu, conhece o Zé Augusto, sabe da sua natural riqueza humana e sempre presente preocupação social.
    Grande Zé, como colecionador de “cromos” que sou, digo-te que estes dois ainda não estão na “caderneta”. A minha preocupação é o Passos Coelho, que é difícil arranjar e o Cavaco Silva. Mas este, é o número da bola e só sai quando a “lata” acabar. Grande abraço e sempre a admirar-te.

  8. Em relação a Mário Soares e Alberto João Jardim nunca me enganei. Coloquei-os, desde cedo, no índex das minhas mais profundas rejeições. Por alguma razão especial? Poderia elencar miríades de atos políticos personificados por estes dois personagens que afetaram a minha forma de conceber a política, mas não é por aí que eu vou. Todos, uns mais outros menos, quando chegam ao poder, em algum momento falham ou hão de falhar na assunção das suas responsabilidades políticas. Não é pelos seus erros políticos que me abespinho contra os que nos têm governado, embora alguns, como o iluminado da Madeira, raramente acerte nas decisões políticas. O aspeto que mais me toca tem a ver com o foro psicológico. É para mim inaceitável que alguns se julguem dotados de um especial dom de governação que os torna excecionais. Sem eles a Pátria em geral e a coisa pública em particular fenecem num caos desordenado. Esses políticos, possuidores de um ego maior que a dívida pública portuguesa, têm a ousadia de se julgarem insubstituíveis ou especialmente dotados para reger o poder. Para estes pseudoiluminados o poder político é a roupa que vestem à semana e com que vão à missa ao domingo. Depois de mim o dilúvio dizem eles para quem os quer ouvir esquecendo-se que o cemitério está cheio de quem se julgava insubstituível.

  9. Na última sexta-feira (5), os representantes paraguaios estiveram no MDS, em Brasília, para conhecer as formas de contratação, e as etapas de implementação e outros detalhes do programa brasileiro, que existe desde 2003. Eles aprenderam sobre a identificação e seleção das famílias, a mobilização e capacitação dos beneficiários e sobre as técnicas de construção dos equipamentos. O coordenador geral substituto do Programa Cisternas, Carlos Cleber Soares, destaca a importância da cooperação brasileira. “A ideia é que o Paraguai se aproprie da tecnologia social, implante nas comunidades e dê continuidade a este projeto por conta própria”. O coordenador ressalta que a troca de experiências sobre cisternas reforça a importância da estratégia de acesso à água do Plano Brasil Sem Miséria.O chefe da comitiva e assessor do Serviço Nacional de Saneamento Ambiental do Paraguai, Roberto Acosta, aponta que o Chaco Paraguaio tem os mesmos problemas e características da estiagem que ocorre no semiárido brasileiro. Para ele, as cisternas vão garantir qualidade de vida e segurança alimentar para as comunidades. “Com essa modalidade de captação da água da chuva e com o sistema de armazenamento vamos dar um melhor nível de vida para melhorar a qualidade da saúde e conforto das pessoas que vão receber esta tecnologia”.Até sexta (12), será realizada uma capacitação em Pernambuco, com o apoio do Programa Estadual de Apoio ao Pequeno Produtor Rural (Prorural). Técnicos do MDS acompanham a formação na capital e no interior do estado. Dois pedreiros paraguaios farão parte da comitiva e participarão da construção de uma cisterna de placa de 16 mil litros e de uma bomba d’água.A previsão é de que as cisternas comecem a ser instaladas no Paraguai nas semanas seguintes à capacitação. As comunidades rurais beneficiadas estão nos municípios de Virgem del Rosario e Vista Alegre. O Brasil ainda tem projetos de cooperação na área de cisternas em andamento com a Bolívia e com o Haiti.

  10. Quanto a mim penso que a palavra “Marketeiro” além de ser um anglicanismo de mau gosto e péssima qualidade, contém conotações pejorativas e costuma irritar os profissionais do ramo, tento em Portugal como no Brasil, porque geralmente aplica-se a um indivíduo habilidoso em alguma “arte” conexa ao marketing (design gráfico, webdesign, fotografo, cinegrafista, redator, ator, comentarista, etc…), mas sem a preparação académica necessária para planejar, dirigir, administrar uma Campanha de Marketing Político ou Eleitoral, ou fazer a Assessoria de Comunicação, de Imagem, entre outras atividades necessárias para a eleição e manutenção de um candidato ou eleito em plena ação política. No Brasil há uma grande escola de Marketing Político e Marketing Eleitoral, mas as campanhas eleitorais e a assessoria dos eleitos em exercício ainda são realizadas na sua grande maioria por “marketeiros” sem formação académica, nem cultura adequada ou experiência séria significativa e essa falta de preparação dá origem a um amadorismo que se reflete na imagem dos políticos para quem trabalham. Um político por mais preparado que esteja se estiver mal assessorado tem o seu trabalho de reeleição comprometido. Um candidato por mais favorito que seja se tiver um “marketeiro” a planejar, a implementar e a controlar a sua campanha, só muito dificilmente sairá vencedor… e se vencer as eleições, correrá o risco de ser tão mal assessorado por esse “marketeiro”, que perderá a sua credibilidade pública logo nos primeiros meses de governação ! Um dos principais problemas da imagem que a política, os políticos e do próprio marketing político tem na opinião pública deve-se principalmente a este mau trabalho realizado um pouco por toda a parte e multiplicado anos sem conta: eleição após eleição… Contribuir para a dignificação do Marketing Político e dos seus profissionais é contribuir para o melhorar desta imagem e da prática politica em geral.

  11. A expressão política, que surge no vocabulário ocidental a partir do século XIII quando começa a circular a versão latina do tratado homónimo de Aristóteles, tem a ver com uma invenção dos gregos e dos romanos que o primeiro grande renascimento medieval trouxe ao Ocidente. Acontece que politika, o plural de politikós, as coisas políticas, não é o mesmo que politeia, ou regime político, que deu origem à expressão medieval politia, nem se identifica como politikè, ou arte política, a soma de polis mais teknè. Este aparente jogo vocabular, que recobre a expressão portuguesa política, foi desde sempre resolvido na língua inglesa, onde politics é o mero espaço de competição política, polity é o modo de organização das sociedades humanas, e policy, o programa, a estratégia da competição política. As coisas políticas, as coisas da polis, são as coisas que vão além do doméstico, além da casa, as coisas que começam na praça pública, ágora, forum ou largo do pelourinho, esse lugar de encontro do conselho, onde se exerce o diálogo entre homens livres. Fazem parte do espaço público e não do espaço privado. Logo há o político, tudo o que diz respeito à polis, o regime político, os princípios referentes à organização interna da polis, a arte política, a arte de governar os povos, os modelos políticos, o estilo de dirigir um governo, e o poder político, aquilo que fazem os políticos. O du politique distingue-se assim de la politique, tal como polity, o modo de organização do Estado, não se confunde com policy, o programa e tipo de acção, nem com politics, o domínio onde entram em rivalidade os políticos.

  12. A expressão política, que surge no vocabulário ocidental a partir do século XIII quando começa a circular a versão latina do tratado homónimo de Aristóteles, tem a ver com uma invenção dos gregos e dos romanos que o primeiro grande renascimento medieval trouxe ao Ocidente. Acontece que politika, o plural de politikós, as coisas políticas, não é o mesmo que politeia, ou regime político, que deu origem à expressão medieval politia, nem se identifica como politikè, ou arte política, a soma de polis mais teknè. Este aparente jogo vocabular, que recobre a expressão portuguesa política, foi desde sempre resolvido na língua inglesa, onde politics é o mero espaço de competição política, polity é o modo de organização das sociedades humanas, e policy, o programa, a estratégia da competição política. As coisas políticas, as coisas da polis, são as coisas que vão além do doméstico, além da casa, as coisas que começam na praça pública, ágora, forum ou largo do pelourinho, esse lugar de encontro do conselho, onde se exerce o diálogo entre homens livres. Fazem parte do espaço público e não do espaço privado. Logo há o político, tudo o que diz respeito à polis, o regime político, os princípios referentes à organização interna da polis, a arte política, a arte de governar os povos, os modelos políticos, o estilo de dirigir um governo, e o poder político, aquilo que fazem os políticos. O du politique distingue-se assim de la politique, tal como polity, o modo de organização do Estado, não se confunde com policy, o programa e tipo de acção, nem com politics, o domínio onde entram em rivalidade os políticos.

  13. A corrupção política é o uso das competências legisladas por funcionários do governo para fins privados ilegítimos. Desvio de poder do governo para outros fins, como a repressão de opositores políticos e violência policial em geral, não é considerado corrupção política. Nem são atos ilegais por pessoas ou empresas não envolvidas diretamente com o governo. Um ato ilegal por um funcionário público constitui corrupção política somente se o ato está diretamente relacionado às suas funções oficiais.

Opinião

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