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Foto: Miguel Oliveira

8 Fev 2018, 15:50

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Opinião

Os desafios do arrendamento no Porto

O mercado no Porto é e está excitante, precisando apenas de algumas correcções que lhe dêem elasticidade. E não nos podemos esquecer que é esta dinâmica do sector imobiliário que está a contribuir de forma decisiva para a reabilitação do edificado da cidade.

Imagem de perfil de Miguel Aguiar

Miguel Aguiar nasceu em 1971 e é licenciado em Engenharia e Gestão Industrial pela Universidade Lusíada. Durante 12 anos desenvolveu a sua actividade profissional na indústria automóvel, como director comercial na Fehst Componentes, em Braga. Em 2006 criou o Grupo Business, uma parceria com a Remax que se estendeu até 2015, ano em que se dá uma mudança de parceiro, entrando a Keller Williams, dando origem à KW Business.

O crescimento exponencial que a Invicta tem vindo a registar a diversos níveis tem reflexos evidentes no sector imobiliário, que atravessa uma fase de um dinamismo ímpar e sobre o qual se exigem algumas reflexões importantes, tendo em vista a sustentabilidade de um mercado em clara rota ascendente.

A sempre algo tensa relação entre oferta e procura tem vindo a ser dirimida na praça pública com alguma pertinência. A verdade é que a cidade do Porto passa por aquilo a que poderemos chamar as “dores de crescimento”, numa trajectória que, obviamente, será alvo de um movimento de correcção, próprio das grandes metrópoles.

O preço do arrendamento na cidade registou um aumento, entre 2016 e 2018 de 32 por cento em média, notando-se uma procura muito mais acentuada de apartamentos com tipologias T1 e T2. Não obstante esta subida, a oferta é extremamente diminuta, havendo uma procura crescente de pequenos investidores no sentido de colocarem os apartamentos no mercado de arrendamento. Veja-se o caso da Baixa, onde a procura é sobretudo dirigida para o “short renting” (arrendamentos de curta duração), para tipologias T0, T1 e T2.

O que tem levado a este aumento significativo? O Porto é uma cidade que está na moda, fervilha com o Turismo, tem um mercado universitário dinâmico e, acima de tudo, o mercado proporciona taxas de juro muito atractivas, o que aguça o apetite dos investidores em imóveis que possam entrar no circuito do arrendamento. No entanto, como já referi, o facto de a procura exceder largamente a oferta leva a que os preços continuem a subir.

Como se pode então suavizar a tendência actual? Creio que poderiam existir incentivos à compra de imóveis para colocar no mercado de arrendamento, aumentando a oferta disponível. Esta seria a forma de combater uma certa especulação nos preços das rendas praticadas em algumas zonas, dificultando sobremaneira a vida a quem não pretende adquirir um imóvel.

Esta questão entronca ainda no perfil do potencial cliente, que na sua maioria não encara a habitação como algo definitivo e fechado, fruto das mudanças que se têm vindo a verificar no mercado de trabalho, principalmente, e que obriga a uma certa maleabilidade e disponibilidade de deslocação geográfica. Acredito, por isso, que surgirá em breve em Portugal o conceito de “cooliving”, que ganha adeptos em especial junto da geração milenar. São pessoas que vêm para uma cidade, mas que não pretendem ficar muitos anos, preferindo, em muitos casos, a partilha de habitação.

Opinião

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