Image de Os cientistas contra o país

Foto: Hugo Magalhães

16 Jan 2018, 19:02

Texto de

Opinião

Os cientistas contra o país

Há coisas que eu não compreendo. Agora que Portugal está a sair da penumbra miserabilista para onde foi lançado pela conjugação astral mais deletéria que atacou o país desde a perda da independência em 1581, emergem das catacumbas da ciência as mais sediciosas forças refratárias à recuperação do país e que colocam em causa o ingente esforço e consumada sabedoria da dupla de atacantes-defensivos António Costa e Mário Centeno.

Imagem de perfil de José Augusto Rodrigues dos Santos

Nasceu no Porto, em 1948. Professor associado com agregação da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Tem dirigido trabalhos de investigação em várias áreas científicas (Nutrição, Bioquímica, Imunologia e Fisiologia) relacionadas com o desporto. Foi treinador de remo, canoagem e futebol e atleta internacional de canoagem e basquetebol.

Portugal viveu um período das trevas, muito por culpa, das muitas “benfeitorias organizadas” por notáveis figuras da cena política e financeira, entre as quais se destacam Ricardo Espírito Santo, Sócrates, Henrique Granadeiro, Zeinal Brava, Oliveira e Costa, Jardim Gonçalves, Armando Vara, Filipe Pinhal, António Melo Rodrigues, Cristopher de Beck, a que se juntam alguns “bons rapazes” como António Varela, hoje administrador do Banco de Portugal e que foi nomeado por Maria Luísa Albuquerque (outra boa rapariga que tem tanta expertise em finanças como eu em chinês) para defender os interesses do Estado no processo de resolução do BANIF e cuja ação terapêutica conduziu a que os contribuintes portugueses tivessem de arcar com as despesas dos desmandos dos gestores do banco ilhéu.

Entre os bons rapazes com as mãos algo sujas no processo de controlo das contas pátrias estão todos os ministros das finanças depois do 25 de Abril, talvez com a exceção excecional de Hernâni Lopes, o responsável por receber o caderno de encargos da primeira intervenção do FMI em Portugal.

Esse período de trevas, em que pesadamente arrastávamos as grilhetas da sujeição aos ditames da finança internacional, foi gloriosamente iluminado pela corajosa ação do nosso Dom Costa Quixote da política e do seu fiel escudeiro das finanças Sancho Centeno, Pança de nome da família. Algumas ajudas tiveram estes dois “heróis-das-oportunidades-apanhadas” na sua senda de remissão e progresso. Umas estruturais, outras circunstanciais, mas ambas importantes para o equilíbrio das contas públicas.

Há dias, os jornais noticiavam que, nas duas semanas transatas tinham morrido mais de 600 cidadãos por gripe e outras maleitas do tempo. Estudo que realizei em parceria com a Universidade Aberta para a 3ª e 4ª Idades, mais de 95% dos reduzidos aos protões, bosões, eletrões, muões e fermiões genésicos já tinham entrado na provecta idade de gimbrolice. Segundo, a OMS (Organização Mundial de Saúde) é gimbrolas quem conta mais de 65 anos de idade.

Segundo dados da National Geographic, cerca de 2% dos que fundiram a lâmpada da existencialidade tiveram como causa causal a tractorose, e a mata-velhose, duas maleitas motorizadas que muito têm contribuído para a redução de dos encargos com pensões no escalão etário dos gimbrolas.

Como o pagamento de pensões e reformas estava a diminuir de forma drástica verificou-se um superavit financeiro que pode ser canalizado para introduzir alguma justiça nos recebimentos da função pública. Por isso, foi sem admiração que recebi o telefonema de Centeno que me disse: – Zecas, se a coisa continua assim, talvez eu tenha grana para descongelar os escalões promocionais das várias carreiras e principalmente das vossas no ensino universitário. Reafirma ele, com a clarividência que o catapultou para a chefia do Eurogrupo: – Quantos mais gimbrolas baterem a bota mais dinheiro sobra para recompensar os heróis do serviço público.

Como tenho as minhas meninges a fervilhar em constantes surtos de imaginação criativa propus ao ministro: – Marocas, tenho uma ideia. Podemos criar um programa desportivo para idosos à base de canoagem de águas bravas, BTT, ultra-trial, escalada livre, asa-delta, parapente, Dowm-Hill, Paint-Ball com balas a sério, Surf nos super-tubos de Peniche e slide gigante a terminar em parede lisa. O Centeno, em princípio renitente aos gastos inerentes a um programa desportivo tão abrangente, puxa de uma folha Excel, faz as contas à sua maneira e lança-me: – Avança Zecas, os lucros justificam o investimento.

Mas, eis que surge o drama, o desastre, o horror. Eu e o mago das finanças a remar a favor da corrente e os cientistas a remar contra a corrente da salvação nacional. Não contentes por andarem a brincar com ratos, ratinhos e ratazanas, os cientistas Bruno de Jesus e Maria do Carmo Fonseca descobriram a possibilidade de reverter o processo de envelhecimento celular através de manipulações genéticas. Ou seja, abre-se a porta à regeneração dos tecidos dos idosos e às suas possibilidades de prolongar a vida aos que estão mais desgastados. Este crime de lesa-finanças-públicas deve ser desmascarado, pois tudo aquilo que contribui para o aumento da taxa de sobrevivência dos gimbrolas é um atentado contra os interesses nacionais.

A nossa sorte é que o Partido Comunista, através da festa do Avante, continua com a sua missão de reequilíbrio demográfico do país. Substituíram a saudável prática da injeção atrás da orelha aos gimbrolas-empecilhos-que-já-não-contribuem-para-o-desenvolvimento–do-país, por uma prática mais terrível, mas muito mais eficaz – empanturrá-los de bifanas, couratos e tinto carrascão do Alentejo o que os leva a estourar com tromboses e trombadas. É lógico que o balanço não é muito produtivo pois os comunistas, além de limparem o sebo aos gimbrolas continuam a comer criancinhas ao pequeno-almoço, o que dificulta a renovação geracional.

Por falar em criancinhas. O Santana Lopes perdeu as eleições internas para a governança do PPD/PSD. Espero que o Rui Rio, rapaz inteligente, lúcido e sério que até praticou atletismo no CDUP e que, segundo os seus correligionários atléticos, jogou umas basqueteboladas contra mim embora eu não me lembre, mantenha a sua flexibilidade intacta para fazer a prova de barreiras e obstáculos que tem pela frente. Não vai ser fácil bater o ministro de estado e da administração interna do ex-primeiro-ministro José Sócrates, mas como disse o outro “só as lutas que se não encetam é que estão perdidas à partida”.

Opinião

No Porto24, contamos as histórias que fazem o dia-a-dia do Grande Porto. A nossa missão é ser também um espaço de reflexão e debate. A Opinião é uma plataforma animada por um conjunto de intervenientes e observadores atentos da cidade, que escrevem com regularidade.