26 Jun 2011, 14:38

Texto de

Opinião

O puzzle do Porto

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Por detrás da cidade, há uma outra cidade a descobrir, também ela bela e complexa, rica em património que importa salvaguardar.

Um edifício entaipado no Largo da Pena Ventosa, no centro histórico do Porto

Um edifício entaipado no centro histórico do Porto. Foto: Arquivo

As cidades são como puzzles: cada peça, quando colocada correctamente, encaixa no seu lugar. Cada praça, rua ou viela, monumento ou edifício, mais as suas “gentes”, são as peças de um qualquer puzzle urbano e contam uma história, a história de territórios que se foram transformando.

O Porto, como todos os lugares e como todas as cidades, tem a sua história, uma história intensa, repleta de factos e vivências com séculos de existência e reflectidas em cada uma das peças do seu puzzle.

Numa leitura generalizada da paisagem, é possível perceber que existem diferentes formas de construir cidade e o Porto, tal como muitos outros lugares, nasceu por uma apropriação muito natural do território e muito condicionado pela sua morfologia.

Actualmente, o Porto apresenta fortes fragilidades na sua estrutura, a diminuição da população residente, os desequilíbrios de crescimento social e territorial entre a parte oriental e ocidental da cidade, sendo até possível encontrar 2 cidades numa mesma cidade.

A fragmentação e destruição do património construído, a degradação contínua da qualidade ambiental e problemas de congestionamento de tráfego, associados a uma parte crescente de carros particulares em detrimento dos transportes públicos, são reflexos de algumas peças que foram sendo desenhadas na tentativa, por vezes falhada, de se encaixar no puzzle inicial, ou seja, o seu núcleo urbano central e histórico, com características próprias de um casco urbano medieval.

O Porto foi-se estendendo para além do seu centro histórico, a cidade ganhou uma nova vida para além da “muralha” e do espaço físico que a fez ser cidade, mas é este território, que, pelas vivências da sua existência e da sua génese, se destaca da cidade difusa e difícil de delimitar que se foi construindo nas últimas décadas.

Património Mundial da Humanidade desde 1996, alberga territórios muito distintos, cheios de complexidade e que vale a pena descobrir, calcorreando os recantos que se escondem para além da cidade dos turistas.

É a cidade dos que realmente fazem a cidade, dos que nela habitam, trabalham, dormem, ou simplesmente esperam o tempo passar, tal como estes lugares, que esperam um dia vir a ser lembrados pela cidade e por ela serem integrados.

Por detrás da cidade, há uma outra cidade a descobrir, também ela bela e complexa, rica em património que importa salvaguardar, pelo menos, na memória dos que por ela passam e sentem a sua singularidade, a sua permanência no tempo, preservando a sua autenticidade sem grandes alterações, ou então com aquelas que o tempo ou a passagem dele impõe.

  1. Artigo fraco… para além de não ter muito de opinião, as constatações são vagas, pouco aprofundadas e demasiado evidentes, logo desinteressantes.
    Como é sugerido no primeiro parágrafo, fala-se das caracterísitcas de uma qualquer cidade. E à excepção do que é afirmado em alguns momentos dum ou outro parágrafo, o que é dito é tão generalista que demasiado facilmente se aplicaria a outras quaisquer cidades.
    Por isso o texto se revela fraco para quem o vem ler atraído por um título que sugere uma descoberta, no mínimo uma explanação que o desenvolva dignamente e que, no espaço de Opinião, deveria no mínimo ter um cunho de visão pessoal. Nunca constatações ou informações tão desinteressantemente simples e mundanas.

Opinião

No Porto24, contamos as histórias que fazem o dia-a-dia do Grande Porto. A nossa missão é ser também um espaço de reflexão e debate. A Opinião é uma plataforma animada por um conjunto de intervenientes e observadores atentos da cidade, que escrevem com regularidade.