5 Mar 2012, 17:22

Texto de

Opinião

Nem tudo é negro na cidade

Numa altura em que a crise é a palavra do dia, que o semblante dos portugueses é triste e desmotivador, é importante perceber que afinal vale a pena fazer, fazer mais e fazer bem.

Porto

Foto: Flickr

O espaço urbano da Área Metropolitana do Porto (AMP) tem sido palco de alterações territoriais bastante significativas, que ocorrem, por vezes, de forma controlada e planeada. Noutras situações, este crescimento ocorre aleatoriamente e sem organização.

A cidade do Porto é disso um exemplo, o crescimento da sua área periférica surgiu de forma desorganizada, deixando o centro ao abandono e à sua própria sorte. Esta sorte, sem dúvida, não favoreceu, durante décadas o Porto, mas também não vale de muito estar a dizer sempre que o centro histórico está degradado.

Uma análise à área de reabilitação urbana do centro histórico da cidade revela que 41% (70 mil m2) do espaço público necessita de intervenções médias e profundas (segundo o “Jornal de Notícias”, existem 25 ruas em mau estado e 16 num estado médio de conservação) e que o parque habitacional está cada vez mais degradado…

Estes são alguns dos factos visíveis sempre que passamos pelas ruas da cidade, e isso é inegável, mas não serão de realçar igualmente outros factos que nos permitem sentir orgulhosos pela mudança que se começa a sentir na nossa cidade? Não deveremos também nos lembrar que existem razões para gostarmos de ser tripeiros e de não nos esquecermos que vivemos numa cidade reconhecida mundialmente e por boas razões?

Então vejamos.

A cidade do Porto foi nomeada para receber o prémio Best City no Design Awards 2012 da prestigiada revista Wallpaper. Recentemente, o Porto Spot Hostel foi eleito como um dos melhores pequenos hostels do mundo, com base nas críticas e pontuação atribuídas pelos utilizadores do Hostelworld.com, juntamente com 2 outros espaços da cidade, o Dixo’s Oporto Hostel e o Rivoli Cinema Hostel.

Eduardo Souto de Moura foi vencedor do Prémio Pritzker de Arquitetura 2011, levando o nome da escola de arquitetura do Porto e a cidade mais longe. Continuando ainda pela arquitetura, 3 edifícios do Porto foram distinguidos como edifícios do ano de 2010 pelo sítio da internet Arch Daily. E, falando em edifícios, o Porto é a cidade europeia, segundo o estudo Green City Index, a cidade com melhor performance energética de edifícios – esta qualificação é atribuída pelo Economist Intelligence Unit.

E, continuando ao nível das infraestruturas, recentemente, o Aeroporto Francisco Sá Carneiro foi galardoado como o melhor do mundo na categoria de aeroportos até 5 milhões de passageiros. No ensino, a Universidade do Porto fundada em 1911 e é a maior universidade de Portugal, a todos os níveis. Tem mais estudantes, mais faculdades e mais cursos. É ainda reconhecida internacionalmente pela sua investigação. E muito muito mais se poderia aqui enumerar.

Numa altura em que a crise é a palavra do dia, que o semblante dos portugueses é triste e desmotivador, é importante perceber que afinal vale a pena fazer, fazer mais e fazer bem.

A cidade do Porto, e todos aqueles que diariamente se esforçam por instalar a mudança, são disso um exemplo a seguir!

Ana Natálio escreve segundo o novo acordo ortográfico.

  1. Américo Sousa says:

    parabe´ns a todos nós que ainda nao perdemos a esperança e vamos apercaindo e melhorando a nossa cidade

  2. José Nogueira says:

    200% de acordo. “Ilustres” portuenses a dizer mal da cidade já os temos de sobra. É mais que tempo de olharmos para a nossa querida cidade com outros olhos: os estrangeiros fazem-no, até cada vez mais Lisboetas(!)… porque não nós? Chega de dar tiros nos pés.

  3. Marta Nestor says:

    Cara Ana,
    Gosto de ler o seu entusiasmo porque acabo por não me sentir tão demente em continuar a ver o lado “meio cheio” da vida (que vai sendo cada vez mais difícil).
    Contra todos os argumentos dissuadores tenciono manter-me na cidade onde nasci e que me arranca sorrisos todos os dias em pequenas coisas. Espero no futuro ser reconhecida pelo meu trabalho NA cidade e PARA a cidade e não como “portuguesa lá fora”.
    Só quem é do Porto desde o berço e que ama o Porto como eu (e como outros como a Ana) percebem que há qualquer coisa que nos prende aqui. Uma vontade de não cruzar os braços e proteger a cidade do abandono e das explorações absurdas, que por vezes, assistimos.

    Obrigada pelo seu artigo e espero continuar a ler textos assim mais vezes (porque a “crise” já é uma chiclete sem sabor – está colada à boca de todos mas já é insuportável de ouvir)

  4. Concordo plenamente, Ana Natálio.
    Há que continuar a ter noção do grande desafio que há pela frente, sem perder a capacidade de ver ‘the bright side of Porto’, esta cidade que tem tudo o que é preciso para ser feliz :)

Opinião

No Porto24, contamos as histórias que fazem o dia-a-dia do Grande Porto. A nossa missão é ser também um espaço de reflexão e debate. A Opinião é uma plataforma animada por um conjunto de intervenientes e observadores atentos da cidade, que escrevem com regularidade.