20 Abr 2012, 9:56

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Opinião

Nada está escrito

Veja-se o que se passou na Fontinha, onde brigadas de choque descarregaram sobre manifestantes sentados no chão, polícias posaram descaradamente para câmaras de televisão sem as placas identificativas (seriam mesmo polícias?) e um projeto foi destruído pura e simplesmente porque o feitor assim o quis e assim mandou à polícia.

O governo espanhol está a preparar nova legislação para controlar as manifestações de rua. As medidas, segundo o que foi surgindo nos jornais, apontam para, por exemplo, criminalizar a organização de concentrações via redes sociais e considerar mesmo como um “atentado” a resistência pacífica à ordem pública — condenando assim toda a classe de flash mobs que se invente e amordaçando a memória histórica dos sit-ins de Martin Luther King nos anos 60.

Eu não devia brincar com estas coisas porque a lei está ali ao virar da esquina, e pode até ser a primeira de uma série de absurdas leis de segurança interna que visam criar um estado marcial democrático. Que a seguir virá para Portugal. E aqui as coisas ganham sempre uma nova dimensão. Veja-se por exemplo o caso das agressões no Chiado: o erro da polícia não foi ter batido indiscriminadamente em manifestantes e jornalistas, foi “ter subavaliado” um relatório alucinante que considera quase como terroristas os bikers e como violentos uns RPA69

Veja-se o que se passou na Fontinha, onde brigadas de choque descarregaram sobre manifestantes sentados no chão, polícias posaram descaradamente para câmaras de televisão sem as placas identificativas (seriam mesmo polícias?) e um projeto foi destruído pura e simplesmente porque o feitor assim o quis e assim mandou à polícia.

Esta semana – em que morreu um “combatente pela liberdade”, Ben Bella, que foi fundador da terrorista FLN e que a ex-terrorista Dilma foi aos Estados Unidos como presidenta sem ser detida — estamos a meio caminho de chamar a um atentado tanto um sit-in como um blow-up. Se calhar, no meio da confusão, a polícia possa dar mais paulada sem ser identificada e os feitores possam ter a mania que mandam, mas será sempre sereno o povo? É que no meio desta semântica aparentemente contraditória, convém lembrar como o fez ontem Manuel Alegre na SIC Notícias: Portugal foi dos países europeus com mais revoluções, guerras e levantamentos nos últimos 200 anos (minuto 8’20). Está nos livros.

Filinto Melo escreve segundo o novo acordo ortográfico

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