14 Nov 2012, 11:33

Texto de

Opinião

Autoritarismo 1 – 5 Democracia

Mesmo sem pressupor o valor da liberdade, economicamente, a democracia bate o autoritarismo aos pontos.

Tomemos como hipótese as tão citadas afirmações de Manuela Ferreira Leite sobre a dificuldade de, em democracia, se enfrentar corporações que impeçam a resolução de problemas complexos.

Ficaremos assim obrigados a optar pela alternativa autoritária? Só o ficaríamos se, perante algum soneto desastrado, de imediato pudéssemos concluir que qualquer emenda seria automaticamente preferível…

Desde logo, porém, a hipótese da ex-ministra das Finanças é discutível. Pois é pouco plausível que corporações que vingam apesar do escrutínio democrático percam vigor por se verem livres deste último. Ao contrário, a história política dá-nos bem uma ideia sobre as habituais nomenklaturas e protegidos dos regimes autoritários.

Mas, acima disso, as atuais comparações internacionais indicam que aquela hipótese está errada. É verdade que alguns autores não encontram sinais de que os países democráticos se distingam dos autoritários em relação ao arranque do crescimento económico, e à sustentação deste a longo prazo. Todavia, os primeiros países têm divergido menos da média internacional desse crescimento do que os segundos; têm sido menos voláteis no curto prazo; têm conseguido melhores desempenhos na sequência das crises; e normalmente distribuem melhor os rendimentos… o que outros autores relacionam aos maiores crescimentos económicos a longo prazo! Ou seja, mesmo sem pressupor o valor da liberdade, economicamente, a democracia bate o autoritarismo aos pontos.

Considerando o que o autoritarismo, apesar de tudo, também consegue no arranque do crescimento e sua sustentação a longo prazo, podemos entretanto tomar a hipótese de MFL estritamente em Portugal, e considerar a alternativa autoritária, numa condição: a de que o povo português não tenha as virtualidades dos das ilhas Maurícias, da Coreia do Sul, da Tailândia… para já nem falar de ingleses ou franceses, e portanto nos reste apenas aquele outro desígnio mais rasteiro.

Pela minha parte, não encontro sustento para esta condição. Mas fico à espera da próxima lição, desde que argumentada (!), que essa ex-ministra também da Educação nos possa apresentar sobre esta matéria.

Miguel Soares de Albergaria escreve segundo o novo acordo ortográfico. O texto foi enviado para a Opinião Porto24. Pode enviar também os seus artigos.

Opinião

No Porto24, contamos as histórias que fazem o dia-a-dia do Grande Porto. A nossa missão é ser também um espaço de reflexão e debate. A Opinião é uma plataforma animada por um conjunto de intervenientes e observadores atentos da cidade, que escrevem com regularidade.