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Fotos: LNR

2 Out 2017, 16:32

Texto de

Opinião

Fotografias que falam e que fazem pensar. Vale a pena conhecer!

– “Fotografar é colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração” (Henri Cartier-Bresson).
– “Habitualmente, olha-se para uma fotografia – raramente se olha para dentro da fotografia” (Ansel Adams).
– “A fotografia é uma força muito importante para explicar o homem ao homem” (Edward Steichen).
– “Fotografamos os objectos para lhes captar o espírito” (Franz Kafka).

Imagem de perfil de André Rubim Rangel

André Rubim Rangel é “tripeiro de gema” (cidade e clube). Licenciou-se em Teologia, tem curso profissional de “Comunicação, Marketing e Assessoria de Imprensa” e é mestre em Ciências da Comunicação (ramo Jornalismo). Além de jornalista é professor profissionalizado contratado. Trabalha no semanário ‘Voz Portucalense’ (repórter e redator). Dirigiu alguns órgãos: o ‘JornalVERIS’ (que fundou e administrou), a revista ‘Espaço Solidário’ (co-fundou, além de diretor de Informação da ODPS); o marketing da revista ‘A Folha dos Valentes’ (e seu redator); e o ‘Jornal da P@z’. Como colunista e repórter voluntário, escreveu regularmente: no jornal ‘O Primeiro de Janeiro’; no semanário ‘Grande Porto’; no jornal ‘Diário do Minho’; e no jornal ‘Gazeta do Planalto e Região’ (S.Paulo, Brasil). É, ainda, presidente da Associação para o Diálogo Multicultural (ADM) e membro dos órgãos sociais da Associação Alma Mater Artis. Foi e é dinamizador e moderador de largas dezenas de debates e conferências de cariz geral, entre outros eventos. Em termos pessoais, é colecionador e amante de presépios, entre outros hobbies.

Para contrariar os temas dominantes que ainda hoje estarão em praticamente toda a comunicação social e redes sociais – no rescaldo de ontem (jogos SCP/FCP e SLB, resultados autárquicos e referendo na Catalunha) –, apresento um projeto humanista, único e excelente, proveniente de uma jovem algarvia, agora artista sem o ser (de formação nem de profissão). Já irei apresentá-la, bem como ao projeto, sendo que ela explicá-lo-á melhor e os seus contornos, em entrevista concedida ao PORTO24. Importa assegurar, desde já, o feito inédito – de modo singelo, desapegado e apaixonante – de conseguir dar vida e sentido, sempre pela positiva, aos escritos desses grandes pensadores (sobre fotografia), com que abri esta minha crónica-reportagem. Este projeto corrobora com eles: atesta que nas fotografias envolvidas temos um todo feito de interessantes pormenores (todos contam!); comprova que mais do que olhar simplesmente para a fotografia, vê-se dentro dela e deixa-se que ela nos toque e nos inquiete na serenidade, sem perturbar; traduz essa força motriz das naturezas humana e natural, que se cruzam, entrecruzam e se explicam reciprocamente; e, entre mais-valias e valores deste projeto fotográfico-comentado, salienta-se a alma e o espírito inerente a toda a ação, nos sujeitos – desde o emissor (a fotógrafa) ao recetor (todos e cada um/a dos cidadãos) – e nas pessoas e objetos fotografados que fazem desaparecer a perceção estática da imagem, tornando-a real connosco, para nós e entre nós.

Não posso deixar de proferir, ainda – e antes de avançar na causa aqui proposta: sim, esclareça-se claramente desde já que se trata de uma nobre causa! –, duas declarações de interesses pessoais. Uma, que é um prazer enorme, um privilégio, conhecer e ser amigo da autora (enfoque e protagonista principal desta crónica) há uns 25 anos! E há cerca de 20 anos que tínhamos perdido contacto. Entretanto, e graças ao facebook (verdade seja dita), aí nos “reencontramos” o ano passado e temos mantido contacto regular. E até já estivemos este verão no Algarve – tendo-me recebido com o melhor dos acolhimentos e generosidades –, e pude rever o seu marido, que eu já conhecia – apenas de vista – também há 25 anos, nas mesmas ocasiões, dado que ambos pertenciam ao mesmo grupo de jovens. Curiosidades – para uns insignificantes, mas para outros (como nós) importantes – que fazem jus ao ditado “como o mundo é pequeno!”. E conseguimos que o seja, quando nos tornamos mais próximos, enriquecendo-nos com a proximidade humana, mesmo quando fisicamente distantes (como é o caso). Todavia, apenas fisicamente.
Mais acrescento: mesmo que não fosse bom amigo da autora teria a mesma interpretação do que aqui refiro sobre o projeto e o mesmo interesse em conhecê-lo e dá-lo a conhecer. Sem dúvida!043 - Porto24, 2017 - 'Fotografias que falam e que fazem pensar. Vale a pena conhecer', 1'10 (NO CORPO DO TXT 04)

A segunda declaração, é afirmar que assim vale a pena e dá um gosto tremendo ser jornalista! Ou seja, informar e noticiar bons factos, acontecimentos pela positiva, causas que cultivam a cultura, através da arte e das artes (no caso, fotografia, escrita e pensamento). Não faltam ótimos projetos para serem divulgados. Tem de se optar por dar a conhecê-los. E há que não denegrir mais a classe jornalística, como tenho lido e sentido de forma crescente nos últimos tempos! Não, não somos todos iguais, nós jornalistas (entenda-se e subentenda-se, os que têm formação superior/académica na área e a praticam); não, não somos todos sensacionalistas e fazedores de falsas-notícias e de más-notícias; não, não somos todos incumpridores do código deontológico, e dos valores que o primam, mormente assentes na verdade e na objetividade; etc..

A AUTORA E O PROJETO
Posto isto, passemos à autora/fundadora do projeto e ao projeto em si.

Lília Nunes Reis (LNR) nasceu em Portimão, há 38 anos, e vive em Loulé. É casada e tem duas lindas filhas. Exerce enfermagem, trabalhando na ARS Algarve, e formou-se em Gestão e Administração em Saúde. Tem, ainda, um curso básico de Fotografia pelo IPF. Pois qualidade categórica não lhe falta: as fotos falam por si. E que bem falam!043 - Porto24, 2017 - 'Fotografias que falam e que fazem pensar. Vale a pena conhecer', 1'10 (AUTORA, JUNTO DO SUBCAPÍTULO SOBRE ELA)

Lília viveu este ano um período de grande angústia e turbulência em termos de saúde física. Esteve doente com um diagnóstico incerto, o que poderia levar a um prognóstico difícil de assimilar, mas tudo se resolveu e agora está bem. Não passou de um susto!

Foi, portanto, neste âmbito que surgiu este projeto. Encontrou nesta iniciativa uma forma de abstração e de superação. É admirável e é louvável a sua coragem e determinação: conseguiu transformar um momento de vulnerabilidade em tamanha criatividade! E ultrapassou-o sempre em modo ‘F’: com fé, força de vontade e em família, nunca isoladamente, com fecundo alicerce no marido, Paulo Patrocínio Reis.

Uma das suas citações favoritas – e mantendo aqui da forma como a menciona, em inglês – é: “You cannot get through a single day without having an impact on the world around you. What you do makes a difference, and you have to decide what kind of difference you want to make”.

Lília é uma guerreira do bom combate da vida e trabalha em prol da saúde e do bem-estar de tantos e tantos. É difícil, muito difícil, não criar empatia e simpatia com ela! Assim sendo, por tudo o mais e também por isto, merece todo o apoio e o carinho dos demais cidadãos, que não somente o dos que participaram com a sua veia escrita. De que forma? Seguindo, gostando e partilhando as suas publicações, carimbadas com um logótipo de design personalizado – LNR – em: facebook.com/portugueselily e, também, em www.photoblog.com/portugueselily.

O projeto foi inaugurado no passado 8 de setembro, por nele se celebrar o dia internacional da Literacia. “Numa sociedade moderna, tecnológica e avançada, estima-se que cerca de 800 milhões de pessoas adultas ainda não sabem ler nem escrever”. A autora deseja que “esta escolha relembre que é de grande valor refletir, parar, interpretar, criar, comunicar e usar as novas tecnologias, de acordo com os diversos contextos”.
E, a partir dessa data, tem continuado e continuará – por longo tempo – esta “viagem” composta por fotografias acompanhadas de textos descritivos, ao estilo e jeito de cada co-autor.

ENTREVISTA COM LÍLIA NUNES REIS

1. Temos neste projeto dois conceitos, dois termos na língua universal. Queres explicar um pouco o que é cada um deles e como se diferenciam?
LNR – Chamo-me Lília e desde muito nova que me confronto com erros sucessivos relativamente ao mesmo, a maioria das pessoas engana-se e pronunciam-no mal. A minha família e amigos mais próximos tratam-me por Lili, como a flor de um Lírio. Diz, quem me conhece bem que a Paixão que nutro por Portugal, suas tradições, feitos, locais e pessoas é visível, assim nessa medida, o pseudónimo ou marca “Portugueselily” foi o criar de um nome que condissesse com a pessoa, assim o dizem o meu marido e a minha filha mais velha, os autores do mesmo.
«Fifty-Fifty» é o nome do projeto. A escolha foi clara, teria que ser simples, honesta e transparente! Imagens e palavras, ambas com igual importância, ambas criação individual, mas que em conjunto se tornam muito melhores e gratificantes para quem observa, interioriza e lê!

2. E o lema do projecto, traduzido em português, é: “Minhas imagens, tuas palavras”. Qual o motivo?
LNR – O projeto foi desenhado com o objetivo de estimular a criatividade, o sonhar, o ter tempo de parar para observar e escrever, melhorar a saúde, recordar a dimensão mais espiritual e criativa do cidadão.
Habitualmente há uma tendência para não nos conseguirmos colocar no lugar do outro, pelo menos durante muito tempo, com este lema ou ‘slogan’ quis que o público convidado sentisse essa dificuldade, na medida que na tentativa de se concentrar naquilo que quis focar, deparou-se com o desconhecido e o olhar oculto daquilo que eu vi e senti no momento em que captei a imagem.
Mas sendo que os textos eram de liberdade absoluta, de acordo com a perspetiva, vivência, experiência, atividade profissional, crença religiosa ou outras características próprias de cada um, todos deram “voz” em tonalidades diferentes, e é aí que está a riqueza, nessa singela individualidade.

3. Passaste uma situação débil de saúde e encontraste uma consolação nesta arte recíproca de artes. Queres contar-nos como foi?
LNR – No geral sempre gostei muito de arte. Desde pequenina que sempre fui considerada uma pessoa “muito sensível”, sim, isso é um facto!… O surpreendente é que a música, algumas composições, algumas obras de literatura, o cinema e a fotografia fizeram-me sentir que afinal isso não é verdade, não sou diferente, todos temos sensibilidade, espiritualidade e arte: estas podem estar “mais à flor da pele” ou não… Há sequelas graves para quem retém ou desvaloriza essas componentes da vida humana, há que viver em equilíbrio com as mesmas para o bem da saúde e da felicidade no geral.
Recentemente vivi um período de grande angústia e turbulência em termos de saúde física, estive doente com um diagnóstico incerto o que poderia levar a um prognóstico difícil de assimilar, as fotografias deste projeto foram (na totalidade) captadas nessa faixa de tempo, nesse período acho que quis ver tudo, quase que à lupa, quis ver o que era no íntimo, quis deixar numa imagem aquilo que via e sentia. Hoje estou perfeitamente bem!043 - Porto24, 2017 - 'Fotografias que falam e que fazem pensar. Vale a pena conhecer', 1'10 (NO CORPO DO TXT 03)
Somos pessoas, seres complexos num mundo volátil, ruidoso e cheio de contradições. Temos várias experiências e perspectivas da vida. Habitualmente incorporamos a nossa atividade e vivemos dela como se apenas fossemos isso, mas isso não é verdade, somos muitíssimo mais. Somos muito mais do que meros enfermeiros, professores, engenheiros, trabalhadores da hotelaria, psicólogos, escritores, músicos ou outros profissionais. Somos muito mais do que membros familiares, esposas, mães, maridos, filhos ou enteados. Somos muito mais do que qualquer estrutura física existente no nosso corpo, como os olhos, boca e/ ou coração. Somos muito mais do que temos… Somos o que somos! Todas estas particularidades, aspetos ou dimensões da vida, como lhes queiram chamar, poderão funcionar melhor ou pior consoante vários fatores. Grande parte dos cidadãos tenta cuidar-se da melhor forma que sabe ou foi ensinada. No entanto existe um sector/recanto da pessoa humana que repetidamente não é tido nem achado, volto a referir-me à nossa dimensão mais espiritual e artística, do nosso tempo para refletir e interiorizar, do nosso tempo de dormir e de sonhar, do nosso tempo de crescer lentamente e ir contra a sociedade que indiretamente nos impele para não o fazer! Quase sempre e apenas quando as dimensões física, psicológica ou social são lesionadas ou estão debilitadas é que caímos na dura realidade…

4. E tens algum curso de fotografia?
LNR – Sim, tenho um curso básico, obtido pelo Instituto Português de Fotografia, ganhei-o quando comprei uma máquina fotográfica, foi uma sensibilização ao mundo, mas dentro de uma câmara fotográfica. fiquei bastante feliz, mas não me considero fotografa profissional, gosto simplesmente de captar momentos e de os colocar apenas a duas cores. Sou Enfermeira com pós graduações em Gestão e Administração em Saúde e Gerontologia Social. Sou Enfermeira por vocação!

5. Donde te vem essa paixão: como e quando surgiu?
LNR – A minha relação com a fotografia é antiga, desde cedo que adorava folhear vezes sem conta os álbuns das fotografias que a minha mãe tirava e colava. E depois, aí de uma forma fincada, fascinante e absolutamente apaixonada, após visita à exposição fotográfica de Sebastião Salgado em Helsínquia na Finlândia, nunca mais fiquei indiferente a esta arte. Sou fã do seu trabalho!
Também de referir que enquanto profissional e como Enfermeira que também presta cuidados de proximidade ao domicílio,  as minhas emoções são reacendidas quando doentes, que agora estão debilitados ou são idosos, têm em suas casas expostas molduras com fotografias de momentos de sorrisos e tempos de robustez absoluta. Faz-me sentir mais próxima das pessoas que cuido, daquilo que são no presente porque foram aquilo que foram e estão lá quase como que em suspensão.043 - Porto24, 2017 - 'Fotografias que falam e que fazem pensar. Vale a pena conhecer', 1'10 (NO CORPO DO TXT 02)
Penso que no final do dia, quando o mesmo sai “impresso” da alma olhamo-lo de outro modo e por isso mais “distanciadamente” filtramos os acontecimentos relevantes.
Nem sempre estamos preparados para reler o dia e com a devida sensatez fazer um reset e passar ao seguinte, porque somos humanos não computadores. As memórias fotográficas são capazes de nos desencadear um ‘refresh’ espiritual e um perdão constante naquilo que falhamos pelos demasiados vírus existentes na sociedade atual…… e é isso, e dessa forma que me considero uma apaixonada, em constante atualização, pela arte de fotografar!

6. De que forma tens estimulado e mantido essa paixão e a melhoria técnica no fotografar?
LNR – Essencialmente, pela leitura diversificada sobre a temática  e do acompanhamento de alguns fóruns e grupos de fotografia online.  A melhoria da técnica no fotografar talvez surja a posteriori, agora, quero sentir os momentos, ainda não me preocupo em demasia com equipamentos ou técnicas especiais.

7. E pergunto o porquê de serem exclusivamente fotos a preto e branco?
LNR – Os  pretos e brancos não me distraem. Permitem-me atenuar diferenças. E ainda que se possa dizer que são apenas duas cores e por vezes simbolicamente mais deprimentes ou pobres, há imensas tonalidades de pretos, brancos e cinzas. Eu gosto, gosto muito!

8. Qual o critério que usas, tanto quando fotografas (o que pretendes ver/fazer com a objetiva?), como quando seleccionaste as fotos para os teus convidados escreverem sobre elas?
LNR – Neste projeto o critério foi apenas captar momentos marcantes para recordar, momentos que me fizessem  sentir humana, turista deste mundo por vezes excessivamente ruidoso, cheio de imagens e com pensamentos voláteis. Não permite que consigamos assimilar todos os silêncios próprios de cada imagem nem pensar mais devagar.
Para cada cidadão selecionei individualmente uma fotografia, no fundo acho que vi em cada imagem um bocadinho da personalidade da pessoa e que no âmbito da sua experiência de vida mais me poderia surpreender com a sua voz anexada à imagem que pobremente ficaria se não o tivesse feito.

9. E como descreves tu mesma as próprias fotos que fazes? O que te vai na alma quando captas / queres captar determinado momento, pessoa ou elemento natural?
LNR – Descrevo-as como simples e honestas. Na alma surgem-me pensamentos também simples e desprovidos de qualquer técnica especial. Jamais quero perder o momento ou sentir que tristemente sou apenas mais uma pessoa que faz cliques e mais cliques à procura do sensacionalismo, do soberbo ou da extravagância. Nas minhas fotografias gosto de captar pessoas nas suas vivências  naturais e sem produção para o efeito, gosto que se sintam à vontade sem ficção. O bom para a pessoa que fotografa é que o captado torna-se também parte própria, e isso é um privilégio. Aprende-se muita coisa com o que se fotografa.

10. Que tipo de fotografias privilegias?
LNR – Fotografias de rua.

11. Quanto tempo demorou a criares e levantares o projeto, até ser inaugurado no dia 8 de setembro?
LNR – A ideia do «fifty fifty» nasceu a 5 de julho de 2017, apesar das fotografias utilizadas terem sido maioritariamente captadas antes dessa data. Levou cerca de 2 meses para ser inaugurado. A maioria dos convidados aceitou de imediato. Sendo que 95% das pessoas desconhecia a minha situação de saúde e isso foi bom, não se sentiram como que obrigadas ou com pena, aderiram simplesmente porque sim, porque acharam a ideia interessante.

12. Quantas fotos e comentários tens até ao momento?
LNR – A ideia inicial era ter apenas 50 fotografias e 50 textos. (Fifty-Fifty), hoje o «fifty fifty» tem 77 fotografias, 76 textos e uma pintura. Se fosse possível teria ainda mais, procurei pessoas de extratos sociais e ideologias diferentes, com capacidades motoras de topo e algumas deficiências físicas, pessoas com demência, sãs, de várias idades, com capacidades literárias reconhecidas nacional e internacionalmente, mas também pessoas que dão erros ortográficos ou linguísticos frequentes.  Tenho um contributo coletivo e escolhi-o pelo facto de uma forma fantástica terem mudado algumas erradas mentalidades e bastantes preconceitos acerca das pessoas com mais idade, pessoas idosas! Sou fã deste grupo!… A um cidadão em especial foi-lhe pedido que em vez da doação de voz, doasse uma pintura. Pretendi que neste meu projeto,  uma das fotografias fosse muda, sem voz e isto em representação daqueles cidadãos que expressam a sua dimensão artística e  espiritual sem voz, sem qualquer som, num silêncio absoluto, mas que o fazem, de outras formas, também tão dignas!

13. E em termos de profissões dos “escritores” de cada foto, o que temos?
LNR – Temos Professores, Enfermeiros, Psicólogos, Escritores, Compositores, Músicos, Engenheiros, Economistas, Estudantes, Domésticos, Jornalistas, Balconistas, Arquitectos, Médicos, Políticos, Barmans, Personal trainers, Bombeiros, Museólogos, Técnicos de manutenção, Maratonistas, Microbiologistas, Empregados de restaurante, Recepcionistas, Responsáveis de Mercado, Auxiliares, Cantores, Operadores turísticos, Ambientalistas, Assessores de comunicação, Informáticos, Padres, Advogados, Educadores de infância,  Técnicos administrativos, Gerontólogos, Cakedesigners, Pintores, Aposentados, Voluntários e Desempregados… espero não me ter esquecido de nenhuma.

14. A maioria dos participantes são cidadãos comuns, mas sei que também há algumas figuras públicas aderentes. Quem são elas?
LNR – Sim, tenho várias figuras públicas, mas todas as participações que recebi são de pessoas muito nobres e especiais. Com excepção da primeira publicação que foi a de um convidado que faleceu, todas as contribuições e respetivas publicações estão a ser feitas por ordem alfabética inversa. Não quero diferenciar ou dar destaque a nenhum cidadão em particular… O público vai ter que aguardar se quiser saber quem são os convidados.

15. Que reações tens recebido, sobretudo, desde que o projeto começou a ser apresentado e revelado ao público?
LNR – Tenho recebido várias mensagens com elogios às fotografias, aos textos e mensagens dos próprios participantes que se sentiram enriquecidos e pessoas diferentes por o terem feito. Recebi o desafio de publicar um livro e alguns contactos para entrevistas.043 - Porto24, 2017 - 'Fotografias que falam e que fazem pensar. Vale a pena conhecer', 1'10 (NO CORPO DO TXT 01)

16. O teu objetivo principal é que as pessoas parem um pouco para contemplar imagens da vida, do dia a dia, e possam com elas reflectir, certo? Mas tens mais algum objetivo, como por exemplo a criação de algum movimento futuro, alguma plataforma, algum grupo especializado, etc.?
LNR – Sim, isso mesmo parar e refletir esse é um objetivo. Gostaria muitíssimo que as pessoas se deixassem de superficialidades, que as suas vidas fossem consistentes e nobres, que todas elas contribuíssem para um mundo mais equilibrado e justo, que fossem capazes de se colocar no lugar de outros e que acima de tudo que dessem mais importância à sua dimensão espiritual. Que as pessoas vivessem  numa tentativa de melhoria e reflexão constantes… Que não tivessem atitudes e comportamentos racistas, xenófobos, ou sentimentos de superioridade em relação a outros. Todos nascemos… todos morremos!

17. Posteriormente, que resultados esperas alcançar com o projeto?
LNR – Espero que as pessoas gostem e se sintam felizes, e que as pessoas que não participaram vejam nas minhas fotografias algo especial, que também elas sejam capazes de lhes dar o seu sentido e as suas vozes.

18. Quais são as formas de divulgação e redes que utilizas para publicar e dar a conhecer o projeto?
LNR – Atualmente utilizo apenas as redes sociais, tem sido mais fácil. As pessoas podem encontrá-lo na página do Facebook Portugueselily e no Blog específico de Fotografia com o mesmo nome https://www.photoblog.com/portugueselily/.

19. Contas empreender mais alguma iniciativa / ação relacionada com o projeto, até para potenciá-lo e divulgá-lo mais ainda?
LNR – Sim, pretendo expor o meu trabalho… Nem todos os cidadãos são utilizadores das redes sociais, e se for, que seja uma exposição  com música agradável e escolhida ecleticamente, onde o público observa as minhas fotografias, lê todos os textos associados que também estarão em braille e… sente! Gostaria também de escrever um livro. Seria o máximo fundar um grupo multidisciplinar de criatividade, em que cada indivíduo daria de si e da sua dimensão mais espiritual na tentativa de se melhorar e mudar o grupo.

20. Por fim, alguma mensagem final?
LNR – A ti, André Rubim Rangel – que me entrevistas –, agradeço humildemente as tuas sempre palavras de apoio e a voz que doaste a uma das fotografias deste projeto e de uma forma tão brilhante.
Termino com uma citação de José Saramago, da qual estou perfeitamente de acordo: “Todo o mundo me diz que tenho que fazer exercício. Que é bom para a minha saúde. Mas nunca ouvi ninguém dizer a um desportista: tens que ler.”…
Ao Saramago eu acrescento, pois a mim também não, nem que escrever, compor e ou pintar seja uma guideline para uma saúde Feliz!

jornalvp.arr@sapo.pt

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