19 Abr 2012, 12:02

Texto de

Opinião

Fontinha: Escola da memória

A forma como se atacou o espaço derrota a esperança de todos aqueles que acreditaram na possibilidade da criação de uma outra escola, a escola da Vida.

Escola da Fontinha

Foto: Arquivo

A Escola da Fontinha é o máximo sinal de cidadania e de criação possível, dentro de uma cidade. Cidade essa que parece que se abre para o mundo. Mas a forma como hoje se atacou aquele espaço é lamentável e derrota a esperança de todos aqueles que acreditaram na possibilidade da criação de uma outra escola, a escola da Vida.

A falta de sensibilidade e de abertura para a criação de um diálogo construtivo com a população da Fontinha foi desperdiçado, o que lá se passava não se compra, não se encomenda, e o que produz no futuro é incomensurável.

Desperdiçam-se energias e vocações de uma forma tão redutora que a única coisa que posso dizer é que estou triste.

E tristes estarão todos aqueles que fizeram daquele espaço um espaço de fruição criativa, criação, ocupação de tempos livre e formação contínua.

Tristes teremos de estar todos porque vivemos numa cidade maravilhosa que não tem uma visão para um Futuro, que, sabemos, cada vez será mais duro e difícil. Sabemos muitos que todas as formas informais de educação deveriam ser muito bem-vindas. Mas quem está no Poder não sabe disso.

A qualidade de uma cidade é revelada pelos seus interstícios e não pelas suas fachadas; é pela quantidade de espaços alternativos e pelo tecido cultural heterogéneo que estes juntam que se faz de uma cidade um espaço de memória.

Arriscamo-nos a perder a nossa!

  1. Ana says:

    Gostei do artigo. No entanto, diria que se queremos que iniciativas como estas continuem a surgir não nos podemos resignar e começar a usar já o pretérito perfeito em relação a es.col.a. Já tinham sido despejados uma vez o ano passado e para lá voltaram. Mais importante ainda é que nos indignemos, em vez de reagirmos com resignação. Não há qualquer justificacao para esta atitude violenta, “autista” e repressiva por parte de uma autoridade. A autoridade que eles tem advem de todos nós. Se nos calarmos quando estas coisas acontecem, consentimos. Temos que protestar com indignação e determinação.

  2. Elsa Oliveira says:

    Proponho nova manifestação em frente à Câmara Municipal do Porto. Uma manifestação pacífica, mas determinada. Não é concebível deixar cair um projecto desta dimensão social, activo e benéfico para a população.
    Se não existem vontades nem verbas para que a Câmara do Porto assuma um papel preponderante na melhoria da qualidade de vida da população, é vergonhoso que essa mesma entidade impeça gente capacitada e disponível para o fazer.

  3. Fui apanhado desprevenido pela referida manifestação. já ouvira falar na mesma dias anteriores, contudo quase deixara passar em branco. de salutar a paixão da população leiga em lutar pelo correcto, pelo justo e pela credibilização do ser social. A mão humana é mais forte quando num cordão de força se faz sentir a viva voz. E mais uma vez, só uma vez mais, os políticos que governam este país, esta cidade e aquela aldeia nos confins do nosso país, mostram o lado insensível e falta de humanismo pelo que realmente é importante. Há por aí muitas intervenções sociais, sim, certo que há, mas se os há é porque se projectou importância no trabalho a desenvolver, e o resultado da Fontinha está vista de todos. lamentável que o diabo politico seja cego surdo e mudo

  4. José Nogueira says:

    Somos governados por políticos ignorantes, insensíveis, imbecis, mas… foram (re)eleitos pelo “povo”, não foram?É o preço da Democracia. No entanto, os muitos jovens que hoje em dia estão a fazer coisas extraordinárias na nossa cidade (muitas vezes ignoradas pelos media mainstream) não devem (não podem desistir). São eles que verdadeiramente estão a reabilitar a Invicta. E cada vez mais estrangeiros o reconhecem. E quando os portuenses se aperceberem disso, nunca mais colocarão no poleiro políticos como Rui Rio.

  5. Roi Riu says:

    Não deixem a população fazer voluntariado, tomar responsabilidades sociais e promover a interajuda.
    Proibam. Reprimam. Controlem. Pode ser que assim se metam antes na droga dura e levem os mais novos com eles, como tantos outros o fazem perante a ruina social com que se deparam.

Opinião

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