13 Set 2012, 20:50

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Opinião

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Depois de Rio, o Porto precisa de ilusão, e isso joga a favor de Menezes.

Luís Filipe Menezes

Foto: Miguel Oliveira

Quando foi defenestrado da presidência do PSD, Luís Filipe Menezes, com os seus apoiantes, decidiu encontrar um príncipe que destronasse a baronesa Ferreira Leite, e os barões que tinham minado a sua liderança.

Pelo meio da complacência com o Governo de José Sócrates e as críticas aos sulistas liberais que o sucederam, Menezes encontrou no liberal Passos Coelho alguém que podia fazer esse papel de pretendente ao trono que de outro modo — no entorno mais próximo ao atual presidente da Câmara de Gaia — não se vislumbrava.

Eleito Passos Coelho no PSD e colocados os barões afetos a Menezes na direção do partido, nomeadamente Marco António Costa e o filho Luís Menezes, o edil mudou o discurso face ao governo do PS, pôs a sua entourage a trabalhar nas Legislativas e regressou ele a outra das suas batalhas: a Câmara do Porto.

O anúncio da candidatura à Câmara do Porto (que já estava certa desde a eleição de Passos Coelho como líder do PSD) foi feito precisamente numa altura em que o Governo do PSD passa pelo seu pior período desde a eleição há pouco mais de um ano.

O faro político de Menezes — há que o reconhecer — é apurado e, percebendo a fragilidade do Governo, o edil de Gaia decidiu desviar as atenções para si. Marca mais uns pontos no partido e posiciona-se, mesmo que alguém grite que o rei vai nu, para uma vitória aparentemente fácil na capital regional.

O certo é que a gravidade das medidas anunciadas na última semana — a somar às anteriores já decididas —, que têm sido quase unanimemente criticadas, terão um impacto grande na vida dos portuenses e a médio prazo no resultado eleitoral dos partidos da coligação. O seu apego e o dos seus correligionários a este Governo será por certo cobrado nas urnas, como de certa forma foi cobrado a Fernando Gomes, o autarca a que mais proximamente o poderão comparar, e que ditou a sua derrota.

Gomes, tal como Menezes em Gaia, entrou pela porta grande da autarquia, depois de gestões demasiado apagadas e em contenção, de custos e de imaginação.

O Porto mudou muito com Gomes, como Gaia mudou muito com Menezes, mas terá sido uma mudança estruturada e realista?

Os buracos herdados por Rio e pelo sucessor de Menezes em Gaia têm demonstrado que a mudança (necessária, essencial) careceu de sustentabilidade. Mas, depois de Rio, o Porto precisa de ilusão, e isso joga a favor de Menezes, como Gaia precisa de reorientação — ou orientação, pois a autarquia parece meio perdida nos últimos tempos.

Menezes pode não conseguir ganhar o Porto, depende muito do desprezo que ainda lhe guardam algumas bases do PSD local e de que tipo de plataforma Manuel Pizarro e a Esquerda consigam fazer, mas é certo que o antecessor de Passos Coelho conseguiu que, por momentos, deixássemos de pensar nos impostos com que suserano nos brindou.

Filinto Melo escreve segundo o novo acordo ortográfico

  1. Margarida Tavares via Facebook says:

    Quer dizer,a reorientação de Gaia,é devida à fantasia de Menezes.E nós é de fantasia que precisamos,ou de alguém credível,que conheça a cidade,que saiba lidar com os cidadãos,que tenha um projecto real,exequível,não um que não sabe viver,que não seja nas alcatifas palacianas da pequena política.Disso não precisamos e estamos cheios.

  2. José Nogueira says:

    Ilusão? Não quererá dizer esperança, sonho, expectativa? A palavra ilusión em Castelhano é traiçoeira…A mania dos estrangeirismos! É como expectável ( a palavra que mais odeio no “novo” português)

  3. JT says:

    “Reorientação” de Gaia?
    Que excelente anedota! Visitem as freguesias rurais do concelho e vejam a reorientação! Sandim, Avintes, Pedroso… o pouco que nelas foi feito durante o consulado do “residente no Porto há 40 anos” é obra das esforçadas juntas de freguesia locais!
    Quanto à tão falada e endeusada recuperação da orla marítima, visitem Lavadores ou a Madalena e vejam o que ali foi feito pelos construtores civis, com o beneplácito da idilidade…

  4. JT says:

    Errata: deve ler-se “edilidade” e não “idilidade”. DE facto, não pode haver idílio nenhum com a demagogia do natural de Ovar…

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