25 Mai 2011, 14:33

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Opinião

Uma questão de decência

Se os "okupas" se distraem, ainda lhes acontece como à Câmara do Porto e demoram, pelo menos, 5 anos para ter um projeto "decente" para a escola do Alto da Fontinha.

“Costumo votar no PP. Por causa das acampadas votei num partido mais pequeno”, dizia uma jovem à RTVE, domingo, dia de eleições em comunidades autónomas espanholas e municípios. Em Madrid, o PP voltou a conseguir maioria absoluta, mas pela primeira vez o UPyD teve representação. Nascido em 2007, o partido fundado por Fernando Savater e Rosa Díez, situando-se à direita do PSOE, é muito mais aberto à sociedade do que os partidos tradicionais, que a ouve e não se limita a falar. Terá sido nele que a jovem filmada na acampada da Porta do Sol em Madrid votou.

Os acampamentos começaram no dia 15, em sequência da manifestação “Democracia Real já”. O impacto foi impressionante e os acampados foram-se organizando e ficando pela Porta do Sol. Foram ficando em Madrid, como em Barcelona e em Bilbau, e depois nas capitais regionais espanholas, e nas principais cidades espanholas, e em cidades da Grécia, Portugal e Itália, e depois em França, e depois pelo mundo inteiro onde há espanhóis.

O primeiro objetivo do acampamento foi resistir na Porta do Sol e nas várias acampadas até às eleições de domingo passado, atravessando o dia de reflexão e o dia do voto. Apesar da proibição do Supremo Tribunal Eleitoral (com um voto contra), resistiram. Incentivados pelos vizinhos.

Na primeira hora de domingo, quando começava oficialmente o dia de votação, fez-se silêncio na Porta do Sol. Domingo à noite, quando na Rua de Génova o PP celebrava com grande alarido a maior vitória de sempre em eleições locais e regionais, na Porta do Sol, mais calmos, festejavam outra vitória, que segunda-feira foi também celebrada nos meios de comunicação social tradicionais: a forma pacífica em que decorreu a acampada em fim-de-semana eleitoral. Uma situação que se deve não só aos acampados como também aos polícias e aos responsáveis políticos do Ministério da Administração Interna.

No Porto, o movimento Es.Col.A do Alto da Fontinha decidiu aproveitar o espaço deixado vazio e ao abandono pela autarquia durante 5 anos. Em Abril, o grupo ocupou o espaço e começou a recuperação do edifício e da área circundante. Organizaram assembleias em que incluíam os vizinhos, alheios à ocupação mas satisfeitos com a valorização do espaço e a sua recuperação.

A câmara não gostou e chamou a polícia, numa entrada de leão que mereceu a crítica dos moradores. “Parecia que vinham prender o Bin Laden”, li no Porto24.

Os moradores protestaram no local e, depois, na Assembleia Municipal defenderam o projeto do movimento Es.Col.A. De tal forma que o presidente da câmara reconsiderou e disse esperar um projeto dos “okupas” para a escola do Alto da Fontinha. Como imagino que alguns dos “okupas” estejam solidários com o acampamento da Porta do Sol, espero que não haja distrações na acampada Porto que está a decorrer na praça da Batalha.

Se os “okupas” se distraem, ainda lhes acontece como à Câmara do Porto e demoram, pelo menos, 5 anos para ter um projeto “decente” para a escola do Alto da Fontinha.

Filinto Melo escreve de acordo com o novo Acordo Ortográfico

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