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8 Abr 2018, 15:04

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Opinião

Entrada de leão e saída de cordeiro…

Podia ser uma cena de uma qualquer tragicomédia, mas foi apenas mais um episódio hilariante próprio de quem não tem estatura mental e comportamental para liderar um clube com a grandeza do Sporting! Estamos a falar, evidentemente, do inefável presidente do Sporting… 

Imagem de perfil de Manuel Luís Mendes

Manuel Luís Mendes é natural do Porto e licenciado em História. Foi professor no ensino oficial de Português e de História. E ainda docente de Comunicação no ISEF (hoje Faculdade do Desporto) e na Escola Superior de Jornalismo. Foi ainda jornalista no Jornal de Notícias, tendo chefiado a secção de Desporto. Trabalhou na área da Educação e Ensino.

Toda a gente sabia que aquela sentença implacável e delirante de suspender quase todo o plantel dos sportinguistas era fruto, apenas, de um nervosismo momentâneo e passageiro.

Realmente, ninguém no seu juízo normal admitiria tal ideia. Por isso, e daí os apelos patéticos ao presidente da AG feito por simpatizantes do clube, roçaram o caricato e provocaram o riso generalizado.

Obviamente que a reunião entre o treinador, o presidente e os jogadores terminou com esta guerra de alecrim e manjerona que envolveu o clube. Como se previa, aliás. Neste aspeto, obviamente que a comunicação social tratou o tema com a seriedade do melodrama, levando a sério aquilo em que ninguém acreditava. Por razões de negócio interessava continuar a cimentar uma novela cujo fim era mais que previsível. 

Agora, o técnico dizer que não houve nenhuma suspensão, faz lembrar o antigo ministro do ditador Saddam, do Iraque que, ante as bombas dos EUA a caírem e a destruírem Bagdad, afirmava com um sorriso triunfante : “Estamos a ganhar a guerra!!!”

Jesus ocultou aquilo que toda a gente leu no Facebook, ou seja, a suspensão dos jogadores, pena  sentenciada –  sem processo disciplinar, à laia de  um aprendiz de ditadorzeco- pelo presidente, após criticar alguns jogadores que não tiveram arte nem engenho para ganhar ao segundo classificado de Espanha!

Não é normal? É um disparate? É uma provocação ao espírito de grupo da equipa?

Seria, se Bruno Carvalho (BC} não se comportasse como um adepto de cachecol e bandeira! Mas é, precisamente, essa a sua postura pelo que, depois dos desabafos impulsivos próprios do apoiante de tertúlia, voltou à realidade e verificou que nenhum adepto poderia aceitar que a sua equipa fosse desbaratada pelo seu aficionado número Um. 

Essa traição jamais a tolerariam até porque a equipa ainda está em três frentes – e  a quarta até venceu!

Ora, face a esse lapso monstruoso, BC voltou atrás. Entrou à leão e saiu como um cordeiro…

Ele, como líder, não teve razão nas críticas – e como adepto teve! Ele deveria ter censurado os jogadores que, segundo ele, envergonharam o clube, no balneário ou no autocarro. Ficava tudo em família.

Aliás, é o que fazem os treinadores quando, depois de uma exibição vergonhosa, elogiam os seus pupilos afirmando que mereciam vencer! Pura hipocrisia? Certamente que sim, porque nunca sabemos o que eles dizem na privacidade do balneário fechado a sete chaves!

Enfim, mais um triste episódio que faz esquecer o importante e essencial para relevar o acessório e secundário.

E nisso BC está a dar um mau exemplo! Para o seu clube e para o futebol nacional! 

Opinião

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