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Foto: DR/FC Porto

6 Mai 2018, 17:13

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Opinião

Do renascer do dragão ao fenecer da águia

Terminou a saga do título de futebol. Terminou a angústia para milhões. Ganhou o FC Porto retomando uma auréola de prestígio que tinha desaparecido nos últimos anos em que o clube passara ao lado de todas as conquistas. Por isso – e acima de tudo! – o mérito se deve ao seu treinador e não a uma estrutura que há quatro anos andava desaparecida.

Imagem de perfil de Manuel Luís Mendes

Manuel Luís Mendes é natural do Porto e licenciado em História. Foi professor no ensino oficial de Português e de História. E ainda docente de Comunicação no ISEF (hoje Faculdade do Desporto) e na Escola Superior de Jornalismo. Foi ainda jornalista no Jornal de Notícias, tendo chefiado a secção de Desporto. Trabalhou na área da Educação e Ensino.

O que mudou? O que fez renascer um dragão que deitava apenas fumo – e não fogo! A questão não é simples. Será difícil encontrar um punhado de causas explicativas do sucesso dos portistas, mas o cronista alinha algumas sempre norteado pelo distanciamento. A missão do jornalista é, fundamentalmente, diferente da do adepto de bandeira e cachecol, sempre apaixonado na sua visão. Legitimamente, aliás, se não deixava de o ser, por certo.

Em primeiríssimo lugar, está o técnico Sérgio Conceição. Não só pelo retomar de uma mística, até então, extinta, mas pelo renascer da máxima que acalenta os campeões sintetizada no brado da multidão : ” Nós só queremos ver o Porto campeão!”.

Nos últimos anos, porém, essa ideia não passava de meras palavras ocas e sem sentido prático. Ora, para se transportar tal “filosofia” para o relvado era preciso convencer disso, jogadores e adeptos. Difícil, com certeza, mas não impossível. Como? Com que ferramenta?

Com duas vertentes, simplesmente. Mudar o modelo de jogo e incutir confiança nos profissionais que comandava.

Foi o que Sérgio fez. O FCPorto já não jogava mais para trás e para o lado. Visava sempre a baliza adversária. Por isso, o tipo de futebol praticado encantava. Já não dava sono. E surgiram as vitórias e os golos!

Depois, fez o “milagre” de recuperar jogadores emprestados, como Abubakar ou Marega e de renascer para a competição, outros, como Herrera ou Marcano. Deixaram de ser suplentes de luxo para serem efetivos em abnegação e dádiva a um objetivo.

Houve falhas, claro. A mais sonante seria a troca do grande Casillas pelo debutante José Sá. Mas, para além disso, que se poderia pedir ou exigir mais a um treinador a quem se lhe pedia para fazer muito com pouco, ou seja, com um orçamento limitado? Nada, naturalmente.

Por isso, os adeptos, ante este “novo mundo” apoiaram em massa o Sérgio. Porque acreditaram que era possível e que tinha sido encontrado o homem ideal para renascer o clube das cinzas em que tinha mergulhado. Estes, saudosos de um S. João antecipado, tinham a fé dos simples e a esperança dos humildes, transformando o sonho num verdadeiro “mar azul”!

Com o Benfica sucedeu o contrário. Teve em 2018 o seu “annus horribilis”. Desportivamente, quando sonhava com o penta, teve uma época para esquecer. A nível nacional e internacional! Não ganhou nada e bateu todos os recordes negativos.

A sua obsessão era aliviar as dívidas, pois o seu presidente julgava que as cores das camisolas e o passado vencedor – e de outras estórias – iam ganhar tudo ou quase.

Só que tudo principiou a esvair – se quando, a par do insucesso da bola, o clube mantinha uma correspondência secreta com o mundo sujo da arbitragem. Era um pontapé forte, mas não mas na ética desportiva!

A célebre divulgação dos e-mails confidenciais por um novo e corajoso diretor de comunicação do FC Porto fez ver a miséria moral em que a equipa de Luís Filipe Vieira tinha mergulhado o clube.

A suspeição aumentou quando as próprias polícias entraram em ação, no caso do tristemente célebre processo das “toupeiras”. Era tudo mau demais para ser verdade… O clube tinha perdido a noção mínima da decência e da dignidade! E, no desespero, até montaram, previsivelmente, um esquema de denúncias anónimas, ao mais puro estilo de agentes pidescos. Ou, então, criaram um pomposo “gabinete de crise” que serviu, acima de tudo, para dar dinheiro aos advogados amigalhaços…

Agora mesmo, em vez de dar os parabéns aos novos campeões, o técnico Rui Vitória fala em “campeonato sujo”. Que moral tem este homem para dizer isto? Nenhuma, mas, neste capítulo, a procissão ainda vai no adro…

Aguardemos, porque esse campeonato ainda está longe de acabar!

Opinião

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