8 Jul 2011, 10:27

Texto de

Opinião

Dois em um

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Uma cidade sem habitantes não tem clientes para usufruir dos seus negócios.

Porto

Foto: António M.L. Cabral

Nestes últimos dias, li 2 notícias que me deixaram preocupado.

A primeira: “Há 150 mil metros quadrados destinados a escritórios no Grande Porto sem ocupantes. Uma área que equivale, em dimensão, a 15 campos de futebol. A oferta excede largamente a procura e existem cada vez menos interessados em arrendar esses espaços”.

A segunda: “Censos 2011: população portuguesa cresceu 1,9% desde 2001”. Contudo, a cidade do Porto continua a perder habitantes, com uma queda de 9,7%.

Se adicionarmos a estes dados o excessivo número de habitações devolutas ou abandonadas na cidade, o desaparecimento progressivo do comércio e pequenas indústrias locais, então, o cenário fica mais negro.

Estamos perante um problema que já não passa apenas pela habitação. Passa também pelo claro desinteresse de empresas em fixarem-se na cidade. Parece-me que não existem estratégias para atrair novos negócios. Será devido aos elevados preços praticados comparativamente a cidades como Gaia, Maia ou Matosinhos? Falta de infra-estruturas modernas e mais bem equipadas?

Poderão o trânsito condicionado e a falta de estacionamento ser factores de desagrado? Em última instância, a falta de clientes para eventuais serviços, empresas e indústrias é o derradeiro factor para o afastamento dos mesmos do centro da cidade.

Uma cidade sem habitantes não tem clientes para usufruir dos negócios.

O que pode ser feito para inverter este cenário? Talvez criar incentivos para a fixação de empresas, através da disponibilização de infra-estruturas cuidadas a preços acessíveis por parte da autarquia. Tentar fixar os estudantes em fim de curso e jovens à procura do primeiro emprego na cidade, facilitando o processo de arrendamento e criando bolsas de habitação com custos reduzidos, poderia ajudar a repovoar a cidade.

Mais radical, seria regressar ao Porto de outros tempos, em que os lojistas e comerciantes trabalhavam e habitavam no mesmo imóvel. Com tanta oferta de espaços para trabalho, porque não desenvolver um sistema de legalização municipal que permitisse adaptar alguns desses edifícios em espaços mistos de trabalho e habitação? Era uma maneira de tentar resolver 2 problemas de uma vez só.

  1. Um dos graves problemas da economia tem a ver com o hábito de nos últimos 25 anos se ganhar muito dinheiro sem trabalhar… os negócios da china…agora tão todos à espera de propostas para hotéis

  2. Acho que o principal problema é burocracia. Qualquer projecto que se desenvolva na baixa da cidade do Porto ou é feito por muito, muito gosto ou os problemas colocados são tantos que se desiste.

Opinião

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