17 Mar 2013, 13:11

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Opinião

Descubra as diferenças

Lendo um artigo de Rodrigues de Freitas n' O Comércio do Porto de 1 de Fevereiro de 1891, percebe-se que os homens e as mulheres andam pouco para a frente.

Excerto dum artigo no jornal O Comércio do Porto de 1 de Fevereiro de 1891, de Rodrigues de Freitas, intitulado Economia e Moralidade:

“A situação financeira de Portugal chegou a tais condições que, para serem eficazmente combatidos, os males de que elas nos ameaçam em nossa reputação e em nossos interesses, é indispensável inteligente patriotismo, perseverante de dedicação pelo bem público.

O terrível acumular de dívidas correspondentes a sucessivos deficits provêm não tanto da necessidade de efetuar despesas próprias de um povo progressivo, como do muito egoísmo que pôs toda a sua atenção, todo o seu cuidado, em viver e medrar à custa do tesouro. Quantos gastos inúteis têm sido efetuados! Quantas obras aparentemente destinadas a promover o bem nacional, e que na realidade somente serviram de alimento e satisfação a interesses particulares! (…)

Se no meio dos grandes desvarios alguém erguia a voz para exprimir o seu temor de que fossem perniciosíssimas as consequências deles; se alguns espíritos não concordavam que a imoralidade pudesse produzir a verdadeira grandeza da pátria; se eles não se deixavam deslumbrar nem com a subida dos fundos, nem com a facilidade de obter empréstimos no mercado monetário, e diziam que todas essas prosperidades eram ocasionais, efémeras, – as opiniões deles passavam por demasiadamente pessimistas; e o carro triunfal dos levianos e dos especuladores continuava em sua rápida carreira, perdidas essas vozes estranhas no vasto meio das aclamações ruidosas”.

A história não se repete, o tempo não volta para trás – os homens e as mulheres é que andam pouco para a frente.

Luís Fernandes escreve segundo o novo acordo ortográfico

  1. Ana Cristina MArtins says:

    É realmente impressionante, passaram 122 anos. Obrigada, Luís, por nos refrescares a memória. Talvez ajude a perceber a diferença entre o acessório do folclore de cada época,que nos finta, e o essencial do que devemos combater, o que se repete.

  2. Manuel Costa says:

    A crise financeira do final do século XIX deixou-nos “farpas” deliciosas e, infelizmente, sempre actuais. Mas, ao fim e ao cabo, quem tem sustentado esta corja? Não tem sido o bom povo? O mesmo que repete, na sua sapiência de mercearia, que “o mundo é dos espertos”?

  3. José Nogueira says:

    Por isso é que o dito “povo” tem uma admiração profunda, ainda que não declarada, por homenzinhos como Miguel Relvas, que são o supra-sumo da maior qualidade dos portugueses: o chico-espertismo. Gostariam também eles um dia gozar das benesses, privilégios, subserviência de quem rodeia tais personagens menores da nossa História. Os homens e mulheres verdadeiramentes grandes deste país à beira-mar plantado sºão completamente desprezados e/ou ignorados pela arraia miúda.

Opinião

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