24 Mar 2012, 14:27

Texto de

Opinião

Derrotados mas honrados

, , , , , ,

Gostava que a Esquerda começasse a pensar no que falhou há 4 e há 8 anos, no Porto, para que as pessoas que defendem o mesmo pudessem candidatar-se em conjunto.

As eleições autárquicas agitam os bastidores dos partidos e começam a fazer parte das conversas das pessoas que não se limitam a aceitar o que os outros decidem por elas. Bem, não de todas estas pessoas, alguns até gostariam de participar na discussão de quem será o candidato à câmara do seu concelho mas não podem porque não fazem parte do círculo fechado dos militantes dos partidos que escolhem.

Quem não fizer parte do pequeno grupo de militantes do PSD e do PS que domina as concelhias não participa daquele processo, de bastidores e das conversas mais ou menos papagueante que já está nos média e vai conduzir à escolha dos candidatos às câmaras da região. Os candidatos que contam, os que vão ganhar.

Em fevereiro, a Concelhia do PS do Porto reconheceu que o tipo de oposição que os comunistas faziam, desde os tempos de Ilda Figueiredo e Fernando Gomes, era indicada para o Porto e Manuel Pizarro decidiu ir fazer umas visitas aos domingos de manhã aos bairros sociais e zonas degradadas da cidade, como faz a CDU e as Testemunhas de Jeová.

Poderia ser este sinal de que finalmente alguém abriu os olhos e pensou que a única forma de ganhar votos no Porto é ouvir o que as pessoas do Porto têm para dizer? Melhor, será que mais responsáveis de Esquerda perceberam que têm de meter ao caminho se querem pedir aos portuenses para, no dia das eleições, que também são ao domingo, se meterem ao caminho da urna de voto?

O que eu gostava era que a CDU e o PS, e já agora o BE, se entendessem um bocadinho mais – e não apenas sobre qual o melhor dia e hora para fazer visitas aos bairros sociais ou qual a melhor forma de ouvir os eleitores entre eleições ou qual a melhor forma de perceber o que as pessoas precisam.

Gostava que por uma vez, e podia ser no Porto ou em Gaia ou em Matosinhos, que a Esquerda pusesse de lado as vitórias morais e as derrotas honradas, estou cansado de honrosas derrotas.

Numa altura em que alguns putativos candidatos da coligação PSD/CDS já esperneiam por aí para tentar angariar apoios, gostava que a Esquerda começasse a pensar no que falhou há 4 e há 8 anos para que as pessoas que, essencialmente, defendem o mesmo pudessem candidatar-se em conjunto.

Qualquer eleitor de Esquerda racional apoiará este desígnio. Ou será que não? Será que os militantes preferem uma solução que não resolve absolutamente nada, ou seja culpar pela situação os partidos adversários, a inconsequência do Bloco, o monolitismo do PCP ou os interesses do PS?

Filinto Melo escreve segundo o novo acordo ortográfico

Opinião

No Porto24, contamos as histórias que fazem o dia-a-dia do Grande Porto. A nossa missão é ser também um espaço de reflexão e debate. A Opinião é uma plataforma animada por um conjunto de intervenientes e observadores atentos da cidade, que escrevem com regularidade.