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2 Dez 2017, 15:04

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Opinião

Da VARdade ideal À VARgonha real

Perder quatro pontos em dois jogos equivale a duas derrotas seguidas, segundo a teoria do técnico Sérgio Conceição – uma tese que defendemos há anos a esta parte. Ou seja : no FC Porto um empate será sempre uma derrota!

Imagem de perfil de Manuel Luís Mendes

Manuel Luís Mendes é natural do Porto e licenciado em História. Foi professor no ensino oficial de Português e de História. E ainda docente de Comunicação no ISEF (hoje Faculdade do Desporto) e na Escola Superior de Jornalismo. Foi ainda jornalista no Jornal de Notícias, tendo chefiado a secção de Desporto. Trabalhou na área da Educação e Ensino.

Foi com esta filosofia, que, aliás, os dragões se tornaram fortes e grandiosos.

E é com ela que o FC Porto poderá vir a ser campeão de novo. Ninguém tenha dúvidas quanto a isso.

Só que, infelizmente, para conseguir acostar a esse porto, a equipa terá de superar e desafiar ventos e tempestades. Furacões e ciclones. Ontem, já pôde assistir, no seu estádio, a um ensaio sobre essas futuras e esperadas dificuldades.

Quando a época se iniciou, a esperança renascera com a introdução do vídeoárbitro (VAR) no sentido de que a chamada verdade desportiva (pensamento que só surge quando o Benfica não é líder…) viesse ao de cima.

Mas, não! Puro engano! Santa ingenuidade! Afinal, o VAR apenas teve duas vantagens : para os árbitros no ativo que ganham mais dinheiro e para os donos das empresas que instalaram o sistema, cujos lucros disparam! Isso e pouco mais.

Quanto ao seu ideólogo, o presidente da FPF, lava as mãos, como Pilatos, pois já pode clamar que, por ele, a competição será saudável e que o melhor acaba por vencer… E, até, já garantiu que para o ano há mais. E nem uma palavra sobre a falsidade e ilusão de tal novidade!

É que começa a ficar claro que tal ideia é, somente, uma fachada para encobrir incompetências e cumplicidades ancestrais.

Na verdade, como interpretar a VARgonha que houve no clássico do Dragão, quando o árbitro anula um golo “limpinho” ao FC Porto que seria o do triunfo?

Como é possível que um juiz credenciado não tenha visto a lisura do lance, quando havia um futebolista do Benfica, a colocar em jogo o portista – e não por centímetros, mas por cerca de um metro?

E porque não pôde intervir o VAR quando a injustiça era tão flagrante? E porque não pôde o árbitro Jorge Sousa anular a decisão do seu assistente e sancionar a jogada, corrigindo assim o erro grave do seu colega, pois ele é sempre o juiz, como chefe de equipa que é? Para quê tanta gente a intervir no jogo, a nível arbitral, e todas elas deixarem passar em claro uma inacreditável ilegalidade?

São perguntas a mais para nenhuma resposta!

Errar é humano, é claro, mas o que está em causa é um erro grosseiro violador da verdade da competição e do esforço de clubes e jogadores.

Sobre isto, a inefável APAF nem um murmúrio. Deixou de ser uma associação de árbitros para ser uma mera corporação! Não tem, a partir de agora, qualquer crédito nem autoridade moral para fazer exigências ao setor. Este facto – colocar uma rolha nos críticos, o que até é inconstitucional.- só pode provocar o riso. É uma anedota e, como tal, deve ser entendida.

E quanto ao patrão da federação, ainda não viu que o clima de ódio, de revolta e de confronto existente no futebol deriva, em primeira instância, da injustiça praticada nos relvados?

E porque se refugia em banalidades e generalidades e não chama o nome aos bois?

Com milhões de macacos, já chegou a um lugar na FIFA, por que espera para se assumir em definitivo?!

É evidente que este desaire dos portistas tem mais causas e uma delas será o súbito apagão dos goleadores da equipa, com destaque, neste último jogo, para os falhanços escandalosos do portista Marega. Todos erram, mas uns mais que outros. E o cronista não pode deixar passar isso em claro. Se não era cúmplice também. Pelo silêncio…

Opinião

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