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Foto: Ana Isabel Pereira

7 Mai 2018, 15:15

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Opinião

Co-living, ou o novo paradigma da habitação

As mudanças profundas por que tem vindo a passar o mercado imobiliário reflectem-se também no aparecimento de novos conceitos, cada vez mais adaptados a uma geração que já vê como obsoletos alguns comportamentos e formas de estar.

Imagem de perfil de Miguel Aguiar

Miguel Aguiar nasceu em 1971 e é licenciado em Engenharia e Gestão Industrial pela Universidade Lusíada. Durante 12 anos desenvolveu a sua actividade profissional na indústria automóvel, como director comercial na Fehst Componentes, em Braga. Em 2006 criou o Grupo Business, uma parceria com a Remax que se estendeu até 2015, ano em que se dá uma mudança de parceiro, entrando a Keller Williams, dando origem à KW Business.

Os “millenials”, em especial, estão muito mais voltados para soluções temporárias, que não impliquem grandes comprometimentos, permitindo uma maleabilidade fundamental para quem actua num mercado laboral em constante mutação e que, de um momento para o outro, se vêem na contingência de mudar de emprego, cidade, até de país.

Daí que Portugal comece a despertar para algumas realidades que vão fazendo o seu caminho no estrangeiro. O co-living é uma delas. Basicamente, trata-se de partilhar o mesmo espaço com outras pessoas, mesmo estranhos, com preços controlados e em que tudo está incluído, desde o wi-fi, à electridade, passando pelo condomínio. A grande vantagem é que se consegue rendas bastante mais acessíveis, situação ideal para toda uma geração de jovens que estão no arranque da sua vida profissional. Esta ideia não difere muito do conceito do coworking, onde os espaços de trabalho são partilhados. A novidade aqui é que estamos a falar de um local para viver, em que a partilha é o mote para um novo modo de vida.

Que ninguém duvide de que esta é uma tendência de futuro nas grandes cidades. O mercado de arrendamento, onde a procura supera desmesuradamente a oferta, não é capaz de dar resposta a todas as solicitações, pelo que se torna fundamental encontrar caminhos que permitam conjugar o direito à habitação com rendas suportáveis pelos locatários. Portugal, em especial nos grandes centros urbanos de Lisboa e do Porto, não deixará de aderir a este modelo, permitindo assim alargar o espectro do mercado com um produto atractivo para quem investe e para quem procura habitação.

Por mais legislação que se publique, o mercado de arrendamento entrou numa fase irreversível. Não será possível, nas grandes cidades, voltar aos tempos das rendas congeladas e completamente desfasadas da realidade. Todos sabemos a que levou isso, ou seja, o definhar das urbes, a ruína do edificado e a impossibilidade quase absoluta de trazer gente jovem para esses espaços.

A normalização do mercado passa também por arranjar novas e inovadoras soluções, que permitam acomodar de forma digna, e ao alcance das diferentes bolsas, todos aqueles que legitimamente desejam aceder à habitação em condições justas. O co-living será uma dessas soluções e as novas gerações estão totalmente abertas a estas ideias.

Mas o sucesso destes projectos também passa pela sensibilidade de quem investe e que terá que ter a noção de que a volatilidade dos mercados pode, de um momento para o outro, matar aquilo que crêem ser agora a galinha dos ovos de ouro. Como em tudo na vida, inovar é sempre o caminho mais curto para o sucesso.

Opinião

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