8 Nov 2011, 21:45

Texto de

Opinião

A solução para os problemas causados pela “movida”

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A criação de um organismo informal financiado voluntariamente pelos beneficiários da "movida" deve custear os suplementos de vigilância e limpeza adicionais, de forma a regular os comportamentos excessivos e os níveis de ruído.

O sucesso da movida da Baixa do Porto trouxe as primeiras sequelas: o sossego dos residentes e a porcaria que os mais exagerados dos seus frequentadores nocturnos deixam nas ruas e praças desta zona.

Como profissional que investe na Baixa e, ao mesmo tempo, residente na zona, sinto de forma directa este problema: também acho que é muito bom para a economia dos que aqui apostaram, mas preciso de dormir a horas decentes como toda a gente.

Não é preciso ser um profissional destas coisas para desconfiar que noutros países já se resolveram, com sucesso, este tipo de problemas. Por isso mesmo venho partilhar com todos como é que isso foi feito, na esperança que se possa fazer o mesmo por cá.

Antes de mais, não é preciso mais dinheiro dos contribuintes, o que nestes tempos de aflição orçamental é condição essencial para se continuar uma qualquer proposta de solução.

A ideia é muito simples, como se percebe a seguir: há pessoas, as que estão a favor da movida, que acham que não se deve fazer nada que estrague o muito negócio que esta movida proporciona. Algumas dessas pessoas são, legitimamente, os principais beneficiários dessa movida porque investiram nos negócios que atraem todos estes milhares de visitantes. São também, por isso, quem mais tem a perder se for feito qualquer corte drástico ou proibição liminar à frequência desta zona durante a noite. Estes são, assim, os principais interessados directos na movida.

A criação de um organismo informal de Melhorias na Baixa do Porto que agrupe esses beneficiários directos, a câmara municipal e as juntas de freguesia envolvidas, bem com as Policias de Segurança Pública e Municipal, que seja financiado por uma contribuição nocturna determinada e paga voluntariamente pelos mesmos beneficiários que sirva para custear os suplementos de vigilância e limpeza adicionais de forma a regular quer os comportamentos excessivos, quer os níveis de ruído é a solução testada noutras terras com sucesso.

Podem ser encontradas diferentes formas, não hostis, de explicar aos frequentadores nocturnos da Baixa que é preciso respeitar alguns limites de horas e de barulho, que há espaços para ir à casa de banho (se não houver criam-se), e que há quem esteja vigilante a ver se os limites não são violados. Se a circulação de vigilantes for regular e sistemática os comportamentos ajustam-se.

Quem quiser informar-se mais pode procurar na internet pelos BID – Business Improvement Districts que existem nos EUA e ver a variedade de soluções e modelos, todos eles simples e voluntários, que se criaram para resolver problemas comuns. Basta ter a iniciativa de o fazer e perceber que não são os outros quem melhor resolve os nossos problemas.

Eu, como morador, tenho um nível de tolerância elevado ao barulho, mas quando algum dos meus vizinhos abusa eu dou-me ao trabalho de ir até lá chamar à atenção e, normalmente, isso é suficiente para que termine imediatamente. Já me aconteceu isso não ser suficiente e nesse caso mais extremo ter de chamar a Policia que, de forma eficaz, acabou com a coisa.

  1. Ana Natálio says:

    Caro Francisco,

    Parece tão simples não é??? Só acho que aos portugueses falta o essencial, civismo e respeito pelo espaço e pelo bem estar do próximo para que a ideia se concretize, mas acho mesmo um bom começo… bora lá a por mãos à obra por esta cidade que tanto nos fascina!

  2. José Nogueira says:

    Bora lá? Será da família da Marina Mota? Lisboês? Não, obrigado! à séria, perdom, a sério!

Opinião

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