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13 Ago 2017, 16:17

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Opinião

“Atomic Blonde”

Estreou nos cinemas, na quinta feira passada, o filme “Atomic Blonde” (com distribuição da Pris Audiovisuais). Li em alguma crítica da área que esta é uma película ao estilo dos clássicos de James Bond, o agente especial ao serviço da rainha de Inglaterra. Está longe de chegar aos pés da qualidade categórica desse tesouro cinematográfico que é o 007, que é insubstituível! Para se ter um excelente filme, com um argumento que até tem tudo para ser interessante, não chega colocar duas atrizes bonitas a contracenarem e no meio do mistério aguçado do filme carregar na dose furtiva oscilante de tanta violência descarada, a meu ver, desnecessária. Certo é que os serviços secretos britânicos («Secret Intelligence Service» – SIS), mais conhecidos por M16, continuam a atrair realizadores para mais e mais filmes. Ou não fosse o SIS uma instituição com bastante poder e elevada reputação, a caminho dos seus 110 de existência e com um orçamento anual na ordem dos 2,6 bilhões de libras!

Imagem de perfil de André Rubim Rangel

André Rubim Rangel é “tripeiro de gema” (cidade e clube). Licenciou-se em Teologia, tem curso profissional de “Comunicação, Marketing e Assessoria de Imprensa” e é mestre em Ciências da Comunicação (ramo Jornalismo). Além de jornalista é professor profissionalizado contratado. Trabalha no semanário ‘Voz Portucalense’ (repórter e redator). Dirigiu alguns órgãos: o ‘JornalVERIS’ (que fundou e administrou), a revista ‘Espaço Solidário’ (co-fundou, além de diretor de Informação da ODPS); o marketing da revista ‘A Folha dos Valentes’ (e seu redator); e o ‘Jornal da P@z’. Como colunista e repórter voluntário, escreveu regularmente: no jornal ‘O Primeiro de Janeiro’; no semanário ‘Grande Porto’; no jornal ‘Diário do Minho’; e no jornal ‘Gazeta do Planalto e Região’ (S.Paulo, Brasil). É, ainda, presidente da Associação para o Diálogo Multicultural (ADM) e membro dos órgãos sociais da Associação Alma Mater Artis. Foi e é dinamizador e moderador de largas dezenas de debates e conferências de cariz geral, entre outros eventos. Em termos pessoais, é colecionador e amante de presépios, entre outros hobbies.

James Gascoigne obtinha ‘A Lista’, uma “bomba atómica de informação com o nome dos ex-agentes clandestinos no ativo” e com atividade duvidosa. Foi assassinado. A agente do M16, Lorraine Broughton (Charlize Theron), tem de ir a Berlim recuperar ‘A Lista’ e o agente Spyglass (que a sabe de memória), antes de ser roubada por agentes soviéticos do KGB, encabeçados por Bremovych. Uma lista também ambicionada pelos serviços secretos franceses, com uma operacional no terreno.

Mas a tal lista não era o único problema: outro espião no terreno (o chefe da estação local), também procura o mesmo e em vez de “colaborar” com o M16 – como suposto – denuncia a sua agente. O problema maior era um agente duplo infiltrado, ainda encoberto, constituindo uma “espinha bem negra atravessada na coroa britânica” e que preocupa muita gente dos dois lados do muro, numa Alemanha ainda dividida a este e a leste, com 110 km de arame farpado, mais de 300 torres de vigia e 50.000 soldados treinados pelos soviéticos. O cenário do filme foca-se no muro de Berlim, com a ação de ambos os lados, e à medida que a história avança o filme culmina na enorme manifestação popular nas ruas – segundo consta pacífica – que levou à queda do muro, em 1989. Um contraste, entenda-se, com o desenvolvimento desta sequela.

Deu-se ali, porventura, o fim da chamada «Guerra Fria». Será que sim? Mesmo hoje, sem esse gigantesco muro de Berlim que formava dois blocos na Europa, outros muros têm dominado as relações e gerado novas guerras. Foi-se uma “cortina de ferro”, para vir outra e mais outra… Até quando?

Um thriller com grande escalada de violência, tiros e sangue esguichado no ar, num combate desenfreado a ponto de – em determinada altura – parecerem ‘zombies’ a lutar, num jogo de músicas conhecidas a ironizar os momentos. Está classificado como sendo para maiores de 16 / 18 anos de idade, pois justifica-se dadas as muitas cenas de tiros e pancadaria e uma ou outra cena de algum erotismo lésbico entre as duas agentes especiais, que se envolvem sentimentalmente. Portanto, uma mistura sensualidade com brutalidade.

“Para ganhar temos de saber, primeiro, de que lado estamos. (…) O mundo está repleto de segredos”, um mundo cheio de verdades mas, também, de muitas mentiras, corrupção e poder, consumados no pensamento escrito de Maquiavel: “É um prazer duplo enganar o enganador” – citação repetida nas falas dos personagens. 

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