5 Dez 2011, 21:42

Texto de

Opinião

A propósito do aniversário da classificação

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Dá gosto pensar o Porto porque as oportunidades que ele nos desperta são infindáveis.

Dá gosto pensar o Porto porque as oportunidades que ele nos desperta são infindáveis. Há potencial para se fazer de tudo e espaço para todos fazerem diferente (e é mesmo importante que assim seja). Entre as mil e uma coisas que podemos pensar, há, contudo, 2 ideias que considero indispensáveis independentemente de outras estratégias. Ambas partem da premissa de que o património só tem valor na medida em que consegue servir de base identitária à sociedade e instrumento à construção do seu futuro.

1. Preservar as comunidades autóctones que ainda subsistem no território. Antes de tudo e todos, o Porto é delas, pertence-lhes. Esta ambição é central, pois são os poucos que ainda não arredaram pé que carregam em si o espírito do lugar. São a insígnia da autencidade do local e serão eles que passarão o testemunho da identidade (que não é construída e não pode ser reabilitada) às próximas gerações. Sem eles o Porto seria um parque temático que podia ser replicado em qualquer subúrbio norte-americano.

2. Enxertar o território de jovens e famílias jovens capazes de se enraizar e incorporar nas suas vidas a identidade do lugar (os modos de ser e estar únicos que moldaram as pedras durante o tempo). Estes serão os verdadeiros arquitectos do território ao reproduzir no futuro e à sua maneira as guias não escritas de uma outra geração. Depende deles um Porto capaz de aguentar invicto ao peso da vitrina de museu.

A partir destas linhas mestras o desafio é reapropriar um território quase perdido e recentralizar a cidade em torno do seu centro natural. Este tem de voltar a ser o motor que puxa pela cidade e aquelas as gentes que lhe dão sentido. Aliados ou desalinhados, todos os projectos serão poucos para que daqui a outros 15 anos possamos celebrar: um Porto mais Porto.

  1. Paulo Cunha says:

    Reabilitar prédios degradados a custo zero. Como?

    Recorrendo a estudantes universitários. Recorrendo também a arquitectos e engenheiros que projectariam e fiscalizariam as obras. E as obras? Estas, seriam realizadas com o recursos a materiais doados por fornecedores a troco de benefícios fiscais.

    A ideia enquanto ideia, parece-me interessante e até com um bom fundo. Fico porém com algumas dúvidas.

    1. Materiais adquiridos a troco de benefícios fiscais. Como é que as empresas que fornecem esses materiais pagam os seus custos? Tem de ser forçosamente empresas com uma almofada substancial (diga-se Fundo de Maneio), e isso é coisa que nos dias que correm é raro, sendo que quando existe, destina-se a fazer face a outras necessidades mais de carácter estratégico e menos de carácter social.

    2. Depois da obra feita, quem beneficia da reabilitação realizada, presumo, serão os proprietários. Pelo que, poderão, inclusive, rever o valor das rendas (se se tratar de imóveis arrendados) vindo assim a usufruir de um benefício económico, sem no entanto terem tido o correspondente investimento. E sendo assim quais são os critérios para garantir não beneficiar quem não merece ser beneficiado?

    3. A reabilitação urbana é importante para trazer alguma dinâmica ao sector da construção. É certo. Em todo o caso, este como qualquer outro sector, para além de trabalho, de obras, precisa também de dinheiro. E dinheiro é coisa que neste projecto não existe. Porém existem salários para pagar,contribuições para pagar, seguros para pagar… e que me conste o benefício fiscal, só por si, nunca alimentou ninguém, muito menos nos tempos que correm me parece venha a alimentar.

Opinião

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