22 Mar 2012, 22:33

Texto de

Opinião

António Leitão – o campeão despreocupado, o amigo incondicional

António Leitão foi e continuará a ser uma referência para aqueles que vêm o desporto como cultura e exaltação a partir da expressão de um corpo.

António Leitão

Foto: SL Benfica

Há tempos, no âmbito das minhas atividades profissionais, lecionei uma aula daquelas que nos ficam a perdurar na memória e nos elevam em emoção. Esse é um dos privilégios de ser professor e, só quem o é, percebe o que estou a dizer. Os meus alunos, nessa aula, quem eram? Somente os fautores do sonho que nos demonstraram que quando damos o melhor de nós mesmos, também nós Portugueses conseguimos.

Carlos Lopes, Fernando Mamede, Ezequiel Canário, Carlos Monteiro, José Regalo, Carlos Cabral, Paulo Guerra, António Pinto, Mário Silva, Juvenal Ribeiro, Luis Novo, Manuela Machado, Rita Borralho, Aurora Cunha, Albertina Machado, Rosa Oliveira, Ana Dias, Albertina Dias e António Leitão, foram os alunos atentos deste professor que aprendeu com eles e a grandeza do seu exemplo a dimensão real e exequível da excelência.

Por isso hoje quero recordar António Leitão.

O que representa conseguir, em 1982, correr os 5000 metros em 13 minutos e 7 segundos? Nada mais nada menos que ser, na altura, o quarto corredor mais rápido do mundo nessa distância e o melhor português de sempre. Saliente-se o facto que 30 anos depois, em Portugal, somente um atleta conseguiu fazer melhor que ele.

Daqui se infere a força referencial da marca obtida por António Leitão que aliadas a outras de igual valia, marcam a excelência desportiva de um atleta de elite que enriqueceu com os seus feitos o areópago dos heróis desportivos deste país. Num ano feliz para o desporto português Leitão conseguiu nos Jogos Olímpicos de Los Angeles a medalha de bronze nos 5000m.

António Leitão foi-se juntar no Olimpo aos outros campeões desta e doutras eras. Partiu cedo? O cedo ou tarde para um campeão não interessa. Aqueles que por obras feitas se vão da lei da morte libertando não têm tempo para morrer. Qualquer momento serve quando atingiram a glória. A sua vida como seres “normais” deixa de ter interesse, o que perdura, inscrito a letras de ouro nos anais da história, é o brilho das suas realizações desportivas.

Não choramos o homem porque exaltamos o campeão. Os seres de exceção não se choram, admiram-se. Os mitos ultrapassam os limites da sua humanidade libertando-se das leis biológicas que nos regem a nós, meros veneradores da excelência alheia. Nós, que não fomos ungidos pelos óleos das deusas, só nos resta elegermos a excelência dos outros como referência cultural e existencial. António Leitão foi e continuará a ser uma referência para aqueles que veem o desporto como cultura e exaltação a partir da expressão de um corpo.

O campeão como mito é imortal. Como homem morre quando cessa a expressão física da sua peculiaridade. Perante o mito o homem apaga-se. Por isso, apesar do seu acabar físico, António Leitão permanece vivo na memória de um país que deve esforçar-se por merecer os campeões que conseguiu gerar.

Como nos diz Rui Garcia, “ buscar os limites humanos através do desporto, enquadrado que está por valores éticos, é tão importante como buscar esses limites através da música, da pintura, da ciência, da escrita, etc. O desporto não é uma atividade menor, nem a exaltação do corpo uma manifestação banal ou decadente. O desporto celebra a vida e a vida conformada aos princípios éticos do desporto vale a pena ser vivida. É uma vida justa que exalta o trabalho. Ninguém é campeão sem trabalhar muito. Mas ao mesmo tempo que exalta o trabalho, o desporto também celebra a alegria e o prazer. Nenhum atleta chega a campeão se não gostar daquilo que faz. E os verdadeiros campeões sabem como o trabalho e o prazer não são coisas opostas, antes condições humanas que se completam”.

O homem é pedra. Nasce pedra e transforma-se em estátua através do trabalho. António Leitão já é estátua no jardim das nossas mais conseguidas realizações.

É nesta perspetiva que devemos fazer a contabilidade existencial de António Leitão. Conseguiu integrar o desporto na vida tornando-se aquele o absoluto desta. E, nesse afã solitário de ser através do desporto, nunca António Leitão apequenou a sua dimensão de ser solidário e amigo que via nos outros o complemento natural da sua existencialidade. E, por isso, muitos, mesmo muitos, hoje choram o amigo de todos os momentos que preenchia a sua e a vida dos outros com o sorriso incontornável de uma alma em festa.

António Leitão viveu depressa, por isso viveu muito. Não o choremos que ele de certeza não o queria. Relembremos o seu riso, o seu sorriso, o espírito aberto e franco com que nos brindou e cantemos em novos epinici os seus feitos desportivos que lhe outorgaram a glória e o fizeram entrar na galeria dos mitos com que Portugal sempre se rejuvenesceu.

José Augusto Rodrigues dos Santos escreve segundo o novo acordo ortográfico.

  1. Em vez de se preocupar em escrever pelo tal do Aborto Horto Gráfico, devia preocupar-se em seguir as regras gramaticais da Língua Portuguesa e em conjugar os verbos de maneira correcta. Além das vírgulas (claro que são gralhas, como não…) mal semeadas e de outros pecadilhos, aparece um
    “uma referência para aqueles que vêm o desporto”
    onde, certamente por gralha (como é óbvio…afinal o senhor escreve em acordês…) confunde a conjugação do verbo ver com a do verbo vir. As prioridades estão mesmo invertidas neste nosso cantinho.

    • Domingos Silva says:

      Caro João

      Não sei qual é a sua qualificação académica, no que à arte de escrever diz respeito, mas devo dizer-lhe que o seu pequeno texto deixou muito a desejar. Afinal, o Professor Doutor José Augusto Santos quis prestar homenagem pública a uma das maiores figuras da história do desporto nacional, no caso concreto ligado ao atletismo. Tenho pena que o João não tenha percebido a mensagem e apenas, e apenas se tenha limitado a observar o (des)acordo ortográfico, ou pequenos lapsos de escrita ou de semântica. Mas, como no Olimpo apenas ficam aqueles que pela alegria dos seus feitos marcaram toda uma nação, e aqui também o Professor Doutor José Augusto tem o seu lugar reservado. Fiquei a conhecer a preocupação do João com a ortografia (ainda que fosse interessante conhecer as suas publicações, se é que as tem!), mas desconheço o contributo do João para a promoção de Portugal e dos portugueses em todo o mundo.
      Domingos Silva

    • José Lopes says:

      Depois de ler o seu texto em resposta ao artigo “António Leitão – o campeão despreocupado, o amigo incondicional”, devo dizer-lhe que fiquei decepcionado (corrija o meu desacordo ortográfico!) consigo. Por isso, corroboro inteiramente a opinião de Domingos Silva. Caro João, nem uma única palavra ao conteúdo do texto, nem uma única palavra para um grande campeão do atletismo português, nem uma única palavra à mensagem tornada pública pelo Doutor José Augusto a António Leitão, nem uma única palavra de reconhecimento do contributo de António Leitão para o desporto português, nem uma única palavra ao sofrimento deste campeão. Foi demais! Ao abrigo do novo desacordo ortográfico (como afirma Domingos Silva) deixe-me que lhe diga: concentre-se no essencial e deixe de parte o acessório.
      José Lopes
      23-03-2012

    • L.S. says:

      Pela total falta de sensibilidade que demosntrou a avaliar a homenagem a António Leitão, e pela falta de delicadeza com o autor texto e desrespeito pela personagem homenageada a título póstumo, deixe-me adivinhar (porque tenho a certeza que vou acertar):
      – tem um IMC em torno dos 36,2 e um perímetro abdominal de aproximadamente 138cm, e é detractor (porra para este acordo ortográfico!!) da prática desportiva.
      Parabéns J. Augusto
      Até sempre António Leitão

  2. Ramiro says:

    Caro João.
    Independentemente de algumas das suas achegas poderem ter algum cabimento, a forma acintosa e jocosa como as profere/escreve e se dirige ao autor do texto, denuncia “alguma” ausência de bom senso, de pedagogia e de respeito.
    De todo, apontou para o local errado.
    Pelo que me é dado ver, o texto escrito pelo José procura homenagear, a título póstumo, uma figura do desporto e do atletismo português que todos estimamos. Lamento que no seu comentário não se tenha referido ao companheiro António Leitão.
    Por esse facto, deve reflectir profundamente sobre a sua deselegância e sobre a sua desfaçatez, pois nunca é tarde para se aprender as regras da boa educação e de respeito.
    Um abraço António Leitão e até sempre.

  3. Maria Loureiro says:

    E triste a importancia que da ao texto do professor José Rodrigues sem conseguir ver a homenagem que e feita a um grande homem,amigo do seu amigo,humilde e alguem que levou o nome de Portugal alem fronteiras. Tenho pena que de mais valor a escrita que aos sentimentos. Tem sorte que a ignorancia ainda nao paga imposto mas dou-lhe um pequeno conselho para à proxima vez que queira dizer alguma coisa pense bem antes de abrir a boca .

  4. Maria Loureiro says:

    Antonio Leitao nao so era meu familiar como tambem era um grande amigo que nunca foi capaz de criticar alguem ele dizia que todos tinham direito a ter a sua opiniao, que ele respeitava mesmo que nao estivesse de acordo por isso a sua critica e duplamente insensivel e sem nenhuma educacao e respeito. Ate sempre Antonio.

  5. …Joões, menores ou pequenos, não reza a história, mas de Antónios Leitões se fazem a história do desporto deste país. Parabéns, Zé Augusto, pela tua homenagem sentida e singela.Não conheci o grande CAMPEÃO, nem era do meu Clube, mas era um HOMEM Português e do Norte. Pelo que sei, pelo Prof. era um anti-vedeta, a importância não lhe subiu à cabeça, HOMEM HULMILDE e de Terra humilde, era um HOMEM AMADO pelos SEUS, um olímpico, até sempre ANTÓNIO…
    Mais uma vez, Parabéns Zé, a tua Alma e o teu Coração é muito MAIOR que qualquer “Joãozinho”…

  6. J.nogueira says:

    Infelizmente que a sua GRANDE IGNORANCIA,näo paga imposto.
    Feche a M…..do blog que tem.
    E,ainda bem que eu nunca a conhecer pessoalmente,é melhor näo,pois o joäozinho ficaria um joäaozäo.
    Tenha vergonha seu….

Opinião

No Porto24, contamos as histórias que fazem o dia-a-dia do Grande Porto. A nossa missão é ser também um espaço de reflexão e debate. A Opinião é uma plataforma animada por um conjunto de intervenientes e observadores atentos da cidade, que escrevem com regularidade.