27 Dez 2011, 17:05

Texto de

Opinião

Aleixo à bomba

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Faltavam 15 dias para a passagem de ano e, no bairro do Aleixo, rebentou o fogo. Do artifício com que o estilo de liderança de Rio à frente do Porto resolve os problemas sociais: à bomba.

Implosão da Torre 5 do Bairro do Aleixo

Foto: Filipa Rodrigues

Faltavam 15 dias para a passagem de ano e, no bairro do Aleixo, rebentou o fogo. Do artifício com que o estilo de liderança de Rio à frente do Porto resolve os problemas sociais: à bomba. Ora aí está um método eficaz, posto que não deixa rasto do que ali havia, depois de devidamente removidos os destroços. E tudo filmado, tudo nas televisões e com depoimentos em direto, como manda a sociedade do espetáculo.

A linguagem de Rio é bélica desde o início: primeiro ia erradicar os arrumadores. Erradicar, note-se. Depois, demolir o bairro S. João de Deus, que era, na expressão do seu principal acólito durante o primeiro mandato, “o cancro da cidade”. E foi realmente demolidor: as cargas do camartelo sobre as paredes indefesas, as da polícia quando os mais renitentes tardavam a abandonar as casas.

A saga bélica tinha tido, aliás, um primeiro ato memorável, que obrigou inclusivamente Rio a fugir para parte incerta para despistar os Super Dragões. Foi quando enfrentou, intrépido e corajoso, esse obscuro mundo do futebol, cujo símbolo maior é Pinto da Costa. Lembramo-nos todos do que se passou durante a construção do estádio do Dragão e zona envolvente, passemos adiante.

Este estilo de liderança, a avaliar pelos votos, resulta. E resulta nos 2 lados do continuum social: por um lado, vai ao encontro da alma mais popular, da que resolve os problemas ao empurrão, que maneja o vernáculo com destreza e cospe para o chão e oferece porrada no trânsito. É a parte nada insignificante dos portuenses que se revê no estilo trauliteiro, no ar decidido, na intrepidez de quem promete que endireita o mundo a golpes de varapau. E os do outro extremo, os favorecidos, os das elites, também gostam: porque Rio promete trazer o gentio com rédea curta, limpar a cidade dos inoportunos e dos mal-vestidos.

Mas voltemos à implosão da primeira das 5 torres do Aleixo. Simbólico, este facto: a queda do gigante de 13 andares é bem a metáfora daquilo que tomba ao caírem as torres dum dos mais conhecidos bairros do Porto: a incapacidade coletiva perante uma realidade complexa que podemos resumir nas palavras pobreza urbana, relegação e estigma territorial. E, para o exterior, ecoado durante anos pelas manchetes da comunicação social, a droga. Este último elemento evidenciou-se, tornou-se refrão nas notícias sobre “o tráfico de drogas”, e apropriou-se do bairro, resumindo ao nível da imagem pública aquilo que ali se passava. Como se ali não houvesse vida normal, famílias normais, dessas com pai e mãe e filhos, que tomam o pequeno-almoço juntos e saem para o trabalho e para a escola.

Em 1990, conheci, como investigador das ciências sociais e humanas, o Aleixo. Terei sido, na comunidade científica, o primeiro a abordá-lo. E dos poucos, ainda hoje, que o ouviu por dentro, aí desenvolvendo trabalho etnográfico sobre o fenómeno droga numa comunidade urbana pobre e socialmente relegada. Não digo que não havia, não digo que não vi: vi muita droga no Aleixo – ela que se tornou o álibi maior para a sua demolição, numa espécie de repetição dos argumentos que atiraram abaixo o S. João de Deus. Mas não vi onde a plantavam, onde a transformavam em produto transacionável, não vi os enriquecimentos que alguns patamares do negócio geram e que tornam difícil a distinção entre economia lícita e ilícita. Vi, isso sim, um bairro cada vez mais entregue a si próprio, cuja má sina ia crescendo à medida que crescia o dedo que lhe apontavam em riste.

Vi também gente sem esperança, gente que já nem sabia de que terra era, se do Aleixo, se doutro lado qualquer – mas sobre isso nunca ouvi uma palavra a Rui Rio. A questão de fundo que o Aleixo projeta muito para além de si é a de saber por que se abate o moralismo do combate à droga sobre gente sem poder para lutar contra o destino.

Não escondo que já na altura me pareceu um bairro difícil de gerir, desde logo pela inospitalidade que era inerente àqueles gigantes de betão, impróprios ao estilo de vida das classes populares, ainda mais se tivermos em conta que uma grande parte dela vinha transferida da Ribeira-Barredo, que tinha uma matriz espacial completamente diversa. Ao rompermos abruptamente esta matriz comprometemos as vizinhanças, as solidariedades, a relação com a rua e com a comunidade envolvente, o profundo sentimento de identidade de lugar que aí existia.

O que me custa é que este desfecho para o erro do Aleixo mais uma vez se decidisse sem ouvir quem aí vivia. E, se o resultado fosse avançar para o realojamento das cerca de 1500 pessoas que aí vivem (descontadas agora as da torre 5), que se encetasse um verdadeiro trabalho em ordem a minorar o impacto de nova transferência de lugar. Isto é um trabalho que leva tempo, que se faz com as pessoas e não apesar delas, que exige escutar necessidades e anseios – um trabalho que não se compadece com as pressas de quem quer aqueles terrenos livres para os negócios lucrativos que se preparam.

Em vez disso, erigiu-se a queda da torre em espetáculo mediático, como que se ver cair casas que foram lares com afeto dentro seja um regalo para a vista. Ah, e que bonito se visto do meio do rio, como fez o presidente da câmara!

Rui Rio subiu ao poder, em 2002, a prometer um firme combate à pobreza. Afinal, o que mostram estes 10 anos, é que tem levado a cabo um firme combate aos pobres. A queda da primeira das 5 torres é a capitulação perante 2 fenómenos: o de reverter o destino de comunidades urbanas deserdadas e o da ascensão triunfante de quem dita quais os melhores pedaços da cidade para investir o seu capital. Os pobres são, realmente, um estorvo: metem-se nas economias criminais das drogas, são uma parte importante do esforço do Estado Social que, como sabemos, é uma forma antiquada de gerir a sociedade e, ainda por cima, ocupam terrenos que devem estar na posse de quem sabe apreciar o belo que a cidade tem. É por tudo isto que decidir demolir as torres é, afinal, um ato que se limita a repor a ordem no mundo…

Luís Fernandes escreve segundo o novo acordo ortográfico.

  1. Simão says:

    Gostei particularmente da parte em que refere que Rio abandonou o combate à pobreza para o combate aos pobres. Aliás, parece-me que essa é uma tendência permanente no combate à pobreza: centralismo na pessoa – isolando-a em categorias, em estigmas, em preconceitos – descurando uma análise sobre as práticas sociais que lhe deram origem. Parabéns pela crónica. Coloca a realidade nua e crua.

    Cumprimentos

  2. Fernando Couto says:

    O pouco que esta democracia ainda nos deixa ter é o uso das palavras, bem hajam os que como o Luis Fernandes faz tão bom uso delas. Triste é esta democracia que nos impõe personagens como este Rui Rio Passos Coelho e muitos, muitos mais. Como diria qualquer capitão de Abril, não foi para chegarmos a isto que tudo aquilo foi feito. À laia de chalaça diria que este Rio devia ser condecorado, pois foi até agora a unica pessoa no mundo que descobriu como erradicar a droga…. pela implosão de prédios de gente pobre e modesta! Se houvesse Deus eu diriam Haja Deus!

  3. João Pedro da Costa says:

    Pois eu acho o maniqueísmo deste texto medonho. E, mais grave ainda, improdutivo. Não gramo o Rio, nem nunca votei nele, mas afirmar que nos últimos 10 anos ele levou um combate contra os pobres é demagogia pura.

    Também eu conheço malta que nasceu e cresceu em bairros sociais do Porto (com a vantagem de eu não considerar isso um galão do qual me possa gabar) e que está grata pelas obras de requalificação que a CMP encetou e nalguns casos concluiu nos últimos anos em diversos bairros.

    Não reconhecer isto é não ser sério. E, sem essa seriedade, o combate que é imperioso fazer a algumas políticas de Rui Rio será sempre um exercício inconsequente.

    • Pedro Pinheiro says:

      para quem não sabe a reabilitação dos bairros não foi o senhor RR que a começou… dava eu aulas pela pasteleira em 1997 quando se iniciaram as reabilitações dos bairros…

      • João Manuel says:

        Este senhor deve viver num mundo de fantasia! É verdade que houve reabilitação em 1997, mas foi simplesmente pintar as fachadas dos blocos, não o trabalho profundo que a CMP fez nos bairros sociais!

  4. Luis Wagner de Noronha says:

    Eu achei bem a demolição do ALEIXO. Afinal, este esta numa das melhores zonas da cidade,o que nao se coaduna com a população que nele vivia… Acho que as classes baixas tem de ser protegidas, mas não ao ponto de viverem em apartamentos, em zonas de elite, com vista para o rio DOURO. Cada um deve ocupar o seu lugar, portanto…

    • Vitor Gonçalves says:

      Confesso que ao ler este comentário hesito, porque sinceramente desejo que o teor do que escreve seja irónico… Como, porém, o espaço para a ironia é cada vez mais restrito, será que está mesmo a falar a sério?
      Não, não pode ser. O amigo de Noronha está certamente a brincar.

      • Luis Wagner de Noronha says:

        Nao Vítor, na verdade nao estou… as verdades são para se dizerem, sem recursos a eufemismos!

    • susana says:

      Acho triste acharmos que quem tem mais recursos financeiros tem mais direito a ter vistas para o rio do que os outros… como mais direito à educação, à saúde, ao trabalho, à cultura… virar as pessoas desfavorecidas economicamente para guetos e de preferência vedar-lhes o acesso à cidade das elites é de facto uma ideia de elevada intelegência para “combatermos os pobres”!! MENOS!!!

    • Marcus Ferreira says:

      Muito bem, bravo! Nós n Temos direito a zona e as vistas que tivemos durante 37 anos(desde 1975) , zona essa que era circundada por 5 fábricas e como se de um saco do lixo se trata se fizeram urbanizações sóciais, mas como agora o que conta é acordar, ter umas belas vistas, tirar o Porshe da garagem para o cenário e para ser melhor que o vizinho, arrancam nos como animais. Bravo,Bravo Capitalismo! Tudo se resume a €, infelizmente todo o ser humano tem um preço, até chega ao ponto de produzir armamento para enriquecer sem pensar que esse próprio armamento lhe pode destruir tudo, até a própria vida! Enfim!!! Bravo a todos, Rios, Raposos, Duartes Limas e grupo BES pois esses podem roubar e destruir como e o que quiserem e seråo sempre ilibados. O que não vale andar bem montado e de fato com gravatinhas de seda. Bravo Senhores, Bravo!

    • susana says:

      É bem verdade que os ricos tem enriquecido cada vez mais à custa da desgraça dos pobres. O Exmo. Sr. Luís aparenta ser um desses “ricos”… Nunca sabemos o que o futuro nos espera, nunca se esqueça disso!
      E a riqueza não está nas nossas contas bancárias e nos nossos alojamentos de elite…

      • Luis Wagner de Noronha says:

        susana, não esta só, mas também… e sim, confesso que a personalidade de uma pessoa também é muito importante

  5. Luis Montenegro says:

    è verdade, que so ha pobres como há ricos, mas todos temos os mesmos direitos, não se deve discriminar as pessoas pelo que tem, é absolutamente ridiculo

  6. Maria João Miranda says:

    Prof. Luís:

    Quando leio os seus artigos, é com orgulho que penso ter sido sua aluna (já lá vão 12 anos) e nem imagina, como me sabe bem ler os seus artigos, no meio desta decrépita sociedade hipócrita, em que de facto, pobre é estorvo e o combate é como diz não à pobreza, mas aos pobres, como se de pragas se tratassem, pena seja, que deles se alimentem quem enriquece, muitas e muitas vezes de forma ilícita e desonesta!
    Um Bom Ano

  7. Maria João Miranda says:

    No dia em que o nível das águas subir, a elite que deve ocupar o seu lugar, portanto, na melhor vista para o Douro, vai tentar a todo custo afogar os pobres! Porque não se deve discriminar, mas cada um no seu lugar????!!!!!

      • Joana says:

        Deviam também aproveitar para lá fazer uma clínica para desintoxicação de meninos ricos e pedantes como tu Noronha. Estão tão habituados a ir lá comprar que já não se perdiam.
        E já agora com vista para o rio, para os Noronhas desta vida apreciaram as vistas quando os forem visitar.

        Não há ricos porque há pobres, há é falta de justiça e mobilidade social.

        Roubar para cima de 1 milhão dá status, roubar 10 euros dá cadeia.

  8. Pedro says:

    Sbscrevo com boa parte do texto publicado, nomeadamente pelo facto de “tal evento” não achar nobre de ter tido qualquer intervenção de cariz social . Não reconheço o realojamento de todas as pessoas, apesar de divulgado, em locais transaccionais que permitam ter uma qualidade de vida que é efectivamente merecida a cada uma das pessoas que la vivia , assim como , um boa parte do lucro da reabilitação da zona que a câmara arcada, não seja direccionado ao combate à exclusão social .

  9. Zé Paulo says:

    Achei mt bem a demolição!
    1º aqilo não é um bairro é um guetto
    2º quem nasce no aleixo morre no aleixo
    3º perguntar a estas pessoas o que quer que seja sobre a saida é um erro… e justifico isto perguntando. pergunta a uma criança de um ano se quer comer? estas pessoas é o msm infelizmente
    eu sei bem do que falo acredite mas aceito o seu ponto de vista

  10. Habitante do Porto says:

    Luís Fernandes, só dizes asneiras. Claramente gostas de viver no meio do lixo, ou vives num castelinho muito bem situado, alheio aos problemas. Estudaste o Aleixo… interessante é ver que as pessoas que lá VIVIAM não ficaram muito desagradadas e que as manifestações de que fala foram feitas por arruaceiros (alguns nem sequer eram maiores de idade) que estavam ali apenas para arranjar confusão. E parece também que gosta de ter as pessoas a viver em prédios com 13 andares mas sem elevador, onde se concentra o tráfico e a criminalidade. O Sr. sim, é o verdadeiro defensor dos pobres: quer garantir que ficam na miséria. E o que dizer de quem vive nas imediações do bairro? Constantemente abordado pela corja que lá se concentra? E quando às pegas com o Sr. Pinto da Costa, desde quando é que uma empresa privada ( o FCP é uma empresa) tem direito a dominar uma cidade, lesar a Câmara Municipal com negócios fraudulentos, dominar a política, exigir o espaço público para celebrar os seus eventos, sem qualquer respeito pelos funcionários que lá trabalham, e etc. etc. etc. Faz-lhe falta estudar os factos e deixar a sua opinião política de lado quando usa o seu título de professor. É nojento usar o seu título para propaganda…

    • Ricardo Coimbra says:

      Tirando a fuga do pé para o chinelo, parece-me um comentário interessante. Luís Fernandes tem uma agenda que não é nem a dos residentes do Aleixo em particular, nem a dos pobres em geral.

    • Joana Cruz says:

      Sr habitante do porto, gostaria de saber quantos habitantes conhece do bairro do aleixo! gostaria de saber porque diz que eram só arruaceiros que se manifestaram contra a demolição do bairro… serão os seus preconceitos e a sua ideologia política a falar por si? parece-me, pois, o seu comentário profundamente ideológico e propagandista (assim como uns tais luíses de noronha que comentaram já acima)… Pois muitos dos habitantes do aleixo já tiveram que, por obrigação, mudar para aquele local, e muitos ainda não têm outro no qual habitar. Mas quem os pôs naquele lugar que, concordo, é um guetto, profundamente estigmatizado? Se conhece tão bem o aleixo saberá que muita gente não gostaria de dali sair, porque são ali as suas casas, os seus lares… e porque, se conhecesse realmente os habitantes do aleixo saberia que há crianças, adultos e idosos que sao bons alunos, bons avós e bons pais.

  11. Conheci a realidade do Bairro do Aleixo, vi pessoas que viviam neste bairro como se tratasse de uma ilha, nesta ilha onde muitos aportavam vi a ausência e demissão sobre a saúde pública por parte de quem governa que olhava para as pessoas com problemas de diversa orde já não eram pessoas .. Perante o problema do consumo e tráfico de droga as auroridades fechavam os olhos à disseminação de doenças associadas ao consumo de substâncias ilícitas, apesar de ser difícil de calcular dezenas de pessoas foram infectadas sem que houvesse uma resposta verdadeiramnete humana no combate a comportamentos de risco, os consumos a céu aberto foram sempre encarados como uma fatalidade sem que fosse encarado de frente um problema de saúde pública, os consumidores de drogas foram tratados como um aspecto menor da realidade complexa onde estavam inseridos, muitos deles foram vítimas de uma sociedade que prefere ignorar as fragilidades humanas, porque era infra-humano aquilo que sucedia neste bairro, a implosão das torres não erradica os problemas das pessoas que sofrem de uma doença chamada dependência, haverá outros locais de consumo espalhados pela cidade mas nenhuma política de saúde realista para aqueles que sofrem, nada se aprendeu em Portugal sobre os programas de consumo que provaram ser um sucesso em países onde ser doente não se apresenta como um perpétuo estigma sem possibilidade de recuperação e integração. O Estado prefere fechar os olhos a uma realidade que devia deixar sem sono aqueles que são coniventes com o número de pessoas infectadas por VIH , Hepatite , apenas para referir aquelas mais comuns associadas ao consumos. A verdade é que ninguém quer ser ou sentir-se responsável por algo que é um problema da comunidade e muito real mas tratado com a negligência habitual para com aqueles que são considerados como lixo humano .. a insensibilidade para com a questão de consumos efectuados com segurança permaneçe um tabú, algo que todos preferem virar o rosto, seguir em frente, sobretudo para evitar o contacto com aqueles a quem nada podem, mesmo o direito de se sentirem pessoas..

  12. Vivi num 9andar com vista para o Aleixo. Vi gente a deambular de cigarro em cigarro e a dormir no lixo. Tive um acidente com um dos consumidores que conduzia na r. das Condominhas enquanto se injectava: batei e fugiu… E podia contar mais episódios destes. O Aleixo precisa de ser tratado. O Presidente da Câmara deve ter um plano, mas não o conheço e não resulta certamente de um profunda discussão publica. Pessoalmente, um cidadão comum, gostaria de saber se o dinheiro dos terrenos será investido adequadamente nas pessoas e no município. A minha percepção ‘e que o actual executivo se perde no acessório, suporta-se num grupo bem definido e da pouco a cidade. Honestamente, esperava mais e melhor.

    • susana says:

      Enquanto cidadã gostava muito de ter a certeza que os dinheiros vão ser realmente bem aplicados, mas não posso deixar de ter sérias dúvidas nisso!
      Sei que é complicado a situação que lhe aconteceu com o seu carro, mas a mim aconteceu-me uma igual e quem o fez foi alguém que não mora no Aleixo, muito pelo contrário… sabemos bem que não são apenas essas pessoas que têm estes comportamentos!

      • Miguel Cosme says:

        Isto é mais um negócio Espirito Santo minha gente… é o terreno mais valioso da cidade e já está adjudicado a privados. Senhores que aqui se insurgem a favor da Cãmara das duas uma, ou não conhecem a realidade do Aleixo por nenhuma das pessoas que pertencem à comunidade ou então têm conhecimentos entre os ilustres que vão lucrar com esta situação. Este não é um problema distante é sim um problema da cidade.

  13. Miguel Pinto says:

    Não fosse o povo desta cidade composto na sua maioria por gauleses da aldeia de Astérix e talvez não tivéssemos todos gramado com um Abraracúrcix como presidente da CMP durante 3 mandatos. De facto o Luís Fernandes tocou num ponto fundamental quando diz que a linguagem do Sr. Rio “resulta nos 2 lados do continuum social”. O que quer dizer é que esta cidade é composta por uma maioria de grunhos e betos, que estão politicamente alinhados e que até cobiçam os mesmos sítios.

  14. Luis De Noronha says:

    Essa gentinha do aleixo, tem de ser reprimida, ir para o interior, para zonas adequadas a sua identidade… a vida é feita de sorte, uns sao ricos e outros pobres, mas isso ninguem decide….

    • Mara says:

      Os teus comentarios metem nojo…sim e não te trato por voce, nem por senhor porque nem isso mereces!
      És uma pessoa sem educação mas a vida um dia vai-te ensinar.

      Boa Sorte, que vais precisar!

      • Luis Wagner de Noronha says:

        desculpe Mara, mas eu conheço-a de algum lado, para se dirigir a minha pessoa assim… pois, logo vi! Não se preocupe que a minha fortuna dá para eu viver até ao fim da minha vida sem trabalhar, preocupe-se antes consigo… cumprimentos e boa sorte também para si

    • Marcus Ferreira says:

      Espero que os seus filhos ou netos nunca passem o que estão a passar crianças que viveram durante anos naquela torre… Já a si desejo lhe piamente que todo o mal que nos quer lhe caia em si a dobrar, talvez quem sabe um dia a arder no seu apartamento frente rio Douro
      Que lhe ira custar 200 ou 300 mil euros, capitalista de M…..

    • Miguel Pinto says:

      Gostas de provocar, não é Luis? Deve ser difícil viver sem amigos, sem coisas úteis para fazer e com essa carantonha feia e amarga… Deixa a vida real com as pessoas normais e vai por mais água no risotto.

    • Telma Almeida says:

      Caro Sr. Luis Wagner de Noronha,
      É com tristeza que leio os seus comentários. Compreendo que a sua visão da vida, influenciada pela abundância, não lhe permita enxergar a realidade de muitas pessoas, aquelas de estratos sociais mais baixos, aquelas que reduz a mero lixo e às quais chama “gentinha”. Recorda-me a visão de um certo senhor que talvez conheça, e muito possivelmente até admire, denominado Adolf Hitler! Este último também considerava que os grupos minoritários vistos como indesejados (no caso do Hitler os Testemunhas de Jeová, Eslavos, Poloneses, Ciganos, Homossexuais, Deficientes físicos e mentais, e Judeus; E NO SEU CASO os Habitantes do Bairro do Aleixo) deveriam “ser reprimidos” (para usar as suas próprias palavras), ir, não “para o interior, para zonas adequadas a sua identidade”, mas para campos de concentração onde deveriam ser exterminados. Parece-me que se pudesse, pegava “na gentinha do Aleixo” (e quem sabe de mais uns bairros sociais para fazer muitos) e os mandava para Auschwitz, na Polónia. Ora os seus comentários aludem a uma perspetiva racista, que me entristece, honestamente. Acreditava que passados tantos anos deste terrorífico extermínio sistemático e perseguição dos “indesejados” a nossa sociedade tinha aprendido qualquer coisa, afinal, ainda há aqueles, como o senhor Luís Wagner de Noronha, que se consideram de uma raça Superior (seria ironicamente cómico que também tivesse cabelos loiros e olhos azuis!). Tal como menciona, “cada um deve ocupar o seu lugar”, pois claro, Deus nos livre que pessoas com um estrato bancário menos recheado tenham direito a viver numa “zona de elite com uma vista para o Rio Douro” (passo a citá-lo, uma vez mais). Após ter lido os seus infortúnios comentários questiono-me qual será o seu lugar…
      Quanto ao artigo do Professor Doutor Luís Fernandes, louvo a honestidade e a coragem por dar a cara (e as palavras) por aqueles que muitas vezes não têm voz. É óbvio que no Bairro do Aleixo viviam traficantes de droga, toxicodependente e pessoas com outros percursos criminais. Contudo, não nos podemos esquecer que lá também viviam famílias, mulheres, homens, jovens, crianças e idosos com vidas comuns e percursos não criminais, semelhantes aos de muitos nós. Se foram realojados noutros locais e com melhores condições, quem sabe não foi uma mudança positiva… No entanto, não podemos ignorar, nem desprezar os sentimentos e opiniões daqueles que lá viviam.
      Ah, e Sr. Luís Wagner de Noronha, veja lá se não escrevi com erros! (Saliento, para que não restem dúvidas, que escrevi segundo o novo acordo ortográfico!)
      Um Bom Ano 2012 para todos!

      • João Gomes says:

        Totalmente apoiado cara Telma! O Luis Noronha deveria ter vergonha de num país livre e respeitador dos direitos humanos vir para um sítio público praguejar, abusar da liberdade de expressão e calcar os direitos de muitas pessoas bem mais inteligentes, trabalhadoras e socialmente integradas. Só me resta desejar as melhoras apesar de achar que no seu caso já não há solução possível por muito que a ciência consiga evoluir nos próximos anos. :)

        Um bom ano para todos!

  15. João Manuel says:

    O Sr. Luís Fernandes esconde-se por detrás do título de professor, mas se calhar seria melhor mostrar o seu cartão de militante, que muitos sabem qual ser a cor. A realidade, para quem sabe, é que o Bairro S. João de Deus na altura da sua demolição eram sim um cancro da cidade, com uma parte denominada pelos populares, como o ” Vale dos Leprosos “, onde se concentravam a maior parte dos toxicodependentes da zona! Tenho pena que o Sr. Luís Fernandes fale sem conhecimento de causa do Bairro S. João de Deus, a realidade é que lá morava gente que nem pagava renda, não tinha morada fixa em lado nenhum, eram meros nómadas que encontraram um sítio para ficar e se apropriaram do local. As pessoas que lá viviam ficaram gratas pela demolição do bairro não fale do que não sabe, fica-lhe mal falar de uma coisa que não sabe nem percebe! Tenho pena que realmente se esconda atrás do seu título de professor universitário quando isto que escreveu é meramente uma opinião política! Seja verdadeiro e não faça juízos de valor da população do Porto, porque se Rui Rio está lá há 3 mandatos não é certamente por ser um mau Presidente de Câmara!

  16. Pedro says:

    O modus operandi é simples e conhecido: primeiro deixa-se o bairro degradar-se. Depois sob o pretexto que o mesmo já não oferece condições de habitabilidade, deita-se abaixo. Para reconstruir o bairro? Não. Para isso ter-se-iam realizado obras de beneficiação, como se fez noutros bairros. Para vender à iniciataiva privada um dos locais mais aprazíveis da cidade. Quanto ao argumento da droga, é simples. Em todos os outros bairros há o mesmo problema. Não só existe tráfico de droga noutros bairros onde se fizeram obras, como o problema da droga é bem mais abrangente. Só alguém mentecapto pode pensar que demolindo o Aleixo se acaba com o problema. Até porque a maior parte dos consumidores que usam o Aleixo não são de lá. Muitos até pertencem a boas famílias.

    Importante é não confundir esta intervenção no Aleixo com os dois principais motivos que foram dados: reabilitação urbana e droga.

    O que se está a fazer no Aleixo tem um nome: gentrificação forçada. É o assumir, por parte da autoridade local, que o sítio em que está o bairro do Aleixo tem demasiadas potencialidades para ser ocupado por gente pobre.

    é pena que o RR não o assuma e procure subterfúgios.

    • AS says:

      Pois eu conheço bem a realidade do Aleixo. Tenho dúvidas que quem se pronunciou sobre ela a conheça. Também conheço bem de perto habitantes do que foi o Bairro de São João de Deus… E não me parece que muitos saibam do que se fala.
      Grande parte das pessoas querem continuar onde estão mas infelizmente não são as pessoas que interessam…
      O Exmo. Sr. Luís Noronha(tenho de o chamar assim pelo seu estatuto, já que tem uma recheada conta bancária e uma exemplar escrita) tem toda a razão para se achar superior… superior nas suas ideias idiotas e superior na sua falta de escrúpulos.
      Ainda bem que consigo lembrar-me e ter consciência que, embora tenha também uma conta bancária que me permita viver bem, o mundo não é meu… e eu existo porque outros existem…ricos ou pobres… brancos ou negros… bonitos ou feios…
      Um dia, Exmo. Sr. Luís, mostro-lhe estudos que provam que uma das principais causas do suicídio é o complexo de superioridade… mas ainda bem que o Sr. terá dinheiro para começar já a fazer uma terapia que o ajude a ser uma pessoa como as outras… O que será você sem dinheiro?? Pelo que vejo NADA ou alguém bem pior que um psicopata perigoso! Aconselho acompanhamento! Boa sorte para a terapia! Se quiser aconselho bons profissionais!

  17. JOSÉ MATOS says:

    Se a razão, que levou o Rui Rio e seus apoiantes a fazer a implosão das torres do Aleixo e a destruição do bairro João de Deus, é o tráfico de droga, então o próximo zona a ser destruída será a Sé.

  18. Antonio Brogueira says:

    Quer me parecer que o luis wagner noronha é um pseudonimozito… aqui do nosso querido professor, pa inflamar e despertar discussão nos seus artigos…
    Já que gosta tanto do aleixo, vá pa lá viver, ponha no jornal ou na net, troco a minha casa, apartamento, um loft talvez intelectual como é deve ter uma coisa dessas, t1? t2? t3? quem sabe um t4?, por um dos fantasticos apartamentos do aleixo…

  19. Não costumo comentar os comentários, limito-me a esclarecer que não sou o Luís Wagner de Noronha says:

    Não costumo comentar os comentários, limito-me a esclarecer que não sou o Luís Wagner de Noronha, há coisas que nem a brincar digo

Opinião

No Porto24, contamos as histórias que fazem o dia-a-dia do Grande Porto. A nossa missão é ser também um espaço de reflexão e debate. A Opinião é uma plataforma animada por um conjunto de intervenientes e observadores atentos da cidade, que escrevem com regularidade.