3 Nov 2012, 15:19

Texto de

Opinião

A urgência de um Porto Metropolitano

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A criação do Porto Metropolitano consistiria na incorporação de todos os municípios vizinhos na nova delimitação da cidade. O novo Porto teria 6 distritos municipais: Centro, Maia, Matosinhos, Gaia, Gondomar e Valongo.

Mapa do Porto

Um mapa do Porto do início do século XX. Imagem: DR

A divisão do território e a gestão dos espaços resultantes dessa divisão sempre foi o terreno dos políticos “da terra”, ou dito de outra maneira, dos que têm alguma capacidade de intermediar a distribuição das prendas e rendas que o poder central distribui pelas populações.

Coisas simples como a atribuição do atestado de residência ou o preenchimento das vagas de trabalhadores eventuais num qualquer serviço prestado às populações são sempre entregues a esses responsáveis para serem geridos “como melhor entenderem” por serem quem tem a “proximidade dos problemas e das pessoas”.

E é esta a base do nosso sistema político atual já que são estes os mobilizadores de votos nos principais partidos do regime, com a capacidade de eleger delegados que, por sua vez, escolhem os principais líderes partidários.

Mexer na organização do território é assim mexer no âmago da estrutura partidária que nos governa. Esperar que os partidos façam isso bem é o mesmo que esperar que as ovelhas se tosquiem a si próprias.

A reorganização do território é uma necessidade evidente para qualquer pessoa de bom senso, já que percebemos todos que há um enorme desperdício de recursos e uma clara inflação de estruturas autárquicas nos principais centros urbanos que condicionam e distorcem as economias locais.

O processo de alargamento de Barcelona no fim do século XIX é o melhor exemplo que conheço do que devíamos fazer por aqui e foi feito com grande sucesso por uma cidade que tinha um problema específico grave: a sua subalternização sistemática pela capital do respetivo país.

Parece-me que não estamos numa situação muito diferente.

A criação do Porto Metropolitano, já defendida por muitos, consistiria na incorporação de todos os municípios vizinhos na nova delimitação da cidade, absorvendo-os integralmente ao mesmo tempo que se criava uma nova divisão administrativa, os distritos municipais, que correspondiam às câmaras hoje existentes.

Assim, o novo Porto teria 6 distritos municipais: Centro, Maia, Matosinhos, Gaia, Gondomar e Valongo e, para já, mantinham-se as atuais freguesias. A distribuição de poderes entre a nova câmara municipal e os novos distritos municipais permitiria racionalizar os níveis de gestão e os recursos existentes, enquanto esses distritos municipais seriam os gestores da herança territorial dos seus espaços.

Devíamos ser nós a dar este passo, mas cheira-me que só quando formos obrigados de fora a fazê-lo é que tal vai acontecer.

Francisco Rocha Antunes escreve segundo o novo acordo ortográfico

  1. RF says:

    Gosto. Ainda que utopia impossível. A menos que o Relvas não se tivesse focado nas freguesias (coitadas) e pensasse numa reforma a sério: o que é de esperar demais de um centralista, mais interessado em pequenos que em grandes interesses.

  2. José Nogueira says:

    Pela primeira vez leio algo escrito por alguém que percebe destas assuntos. Foi assim que Nova Iorque cresceu. Primeiro, ainda com o nome de New Amsterdam, na ponta sul da ilha de Manhattan (hoje Downtown New York). Depois, ocupando toda a ilha, que é um dos 5 boroughs de Nova Iorque, com o nome oficial de New York City (!). Mais tarde estendeu-se para Brooklyn (borough the Kings), Queens, Bronx e Staten Island (borough de Richmond). Manhattan tem cerca de 1,5 milhão de hab.; Os 5 boroughs cerca de 8 milhões a e a AM de NY cerca de 20 milhões (Tri State Area).
    Se compararmos com o Porto (cerca de 250 mil hab.) + Matosinhos, Maia, Valongo, Godomar e Gaia (cerca de 1 milhão) + outros concelhos que formam a AMP (cerca de 1,7 milhões) e ainda outros dos distritos de Braga, Porto e Aveiro (teríamos uma Região do Porto idêntica à de Lisboa, tal como aparece definida nos censos de 2011) teríamos cerca de 2,5 milhões ( a Região de Lisboa tem >2,8 milhões).

Opinião

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