30 Dez 2011, 16:48

Texto de

Opinião

2012: Entre desejos e tristezas, mas ainda algumas certezas

Sete desejos e 4 certezas para o ano novo.

Em 2012, desejo para o município do Porto:

1. A Câmara vai perceber que a prioridade são as pessoas e não os projetos imobiliários, pelo que será suspensa a demolição de mais torres no Aleixo, cessando a transferência de residentes, passando a haver uma aposta determinada no apoio aos excluídos e na reabilitação das construções onde estes moram;

2. No lugar de grandes investimentos em novos pavimentos em ruas e praças do centro da cidade ou para corridas de automóveis, e apoio a mais e mais hotéis, passaremos a ver as ruas e praças da cidade limpas e seguras a todas as horas do dia;

3. A prioridade deixa de ser o lado ocidental e a frente de mar e o foco passa a ser o lado oriental da cidade, numa aposta visível de diminuição das assimetrias e de reforço da coesão da cidade, o que inclui a beneficiação da marginal a leste da Ponte D. Luís e a ampliação do Parque Oriental com instalação de equipamento de atração regional;

4. As juntas de freguesia do centro histórico concordam que nas próximas eleições haverá delegação de competências num dos 4 presidentes, que passará a representar o conjunto das 4 freguesias (Sé, S. Nicolau, Miragaia e Vitória). Haverá um executivo composto pelos 4 presidentes, nada mais se alterando no nome, nem nos limites das demais freguesias.

Alargando:

5. Guilherme Pinto negoceia com Rui Rio (com acompanhamento e apoio de todos os demais presidentes de câmara da Área Metropolitana do Porto) os meios e competências da futura Junta Metropolitana, reclamando e obtendo do Governo a garantia da eleição direta do futuro presidente da AMP.

Alargando mais ainda:

6. A generalidade das pessoas compreende que, mais do que o consumo, o que mais importa é a saúde, a amizade, a solidariedade, a exigência e tolerância com os demais em doses e contextos adequados (incluindo a punição política dos populistas e dos corruptos).

Mas, infelizmente, quase nada disto se cumprirá…

7. Pelo menos, espero que não se confirmem outro tipo de expetativas: mais desemprego, menos acesso a apoio social pelos mais frágeis, mais roubos e outros crimes, mais lojas, restaurantes e cafés a encerrar, mais casas velhas a ruir…

Outras coisas são certas:

1. Os funcionários públicos têm menos 2 meses de ordenado, apesar de o ano continuar com 365 dias;

2. Quase tudo sobe: custos da água, da eletricidade, dos transportes, das portagens, das taxas moderadoras da saúde, … menos a chuva que, como a água dos rios, há-de continuar a descer.

3. Como em 2011, há-de chover em Novembro e teremos Natal em Dezembro!

4. Também certo é que a cidade e o país existem e resistem para lá de quem os governa circunstancialmente e que, a cidade, como a nossa vida, depende muito de nós.

José Rio Fernandes escreve segundo o novo acordo ortográfico.

Opinião

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