5 Dez 2011, 12:58

Texto de

Opinião

15 anos… o que não se foi fazendo!

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É importante delinear uma estratégia que permita que a nossa cidade seja o retrato das gentes que a construíram, lhe deram nome, lhe deram alma e lhe deram razão de ser Património Mundial.

Escrever sobre o Porto, numa primeira abordagem parece uma tarefa fácil, mas depois complica-se, não pela falta de temas, mas pela diversidade de assuntos que apetece esmiuçar. E escrever sobre o Porto enquanto cidade Património Mundial é uma tarefa ainda mais difícil.

Nos últimos 15 anos, desde que o Porto foi classificado pela UNESCO Património Mundial algumas transformações foram visíveis, se para alguns muita coisa mudou, para outros nada se fez. Estes apontam como facto a degradação do centro histórico (CH) e é sempre mais fácil dizer mal, enumerar o que não se fez, o que poderia ter sido feito…

Aquando da inclusão da cidade do Porto, o Comité da UNESCO considerou que “o Centro Histórico do Porto constitui uma obra-prima do génio criativo do homem. Interesses militares, comerciais, agrícolas e demográficos convergiram neste local para abrigar uma população capaz de edificar a cidade. O resultado é uma obra de arte altamente estética e única no seu género. Trata-se de um trabalho colectivo, que não resulta de uma obra de um só período, mas de contribuições sucessivas”.

A génese do Porto mantém-se sem grandes alterações, o núcleo urbano primitivo que deu origem à cidade foi crescendo, os edifícios foram se “amontoando” ao longo dos caminhos estreitos, construídos num terreno de características morfológicas adversas, e o casario que data dos séculos XVII a XIX e que envolve as margens do Rio Douro são de uma beleza única. As gentes do Porto foram se renovando de geração em geração levando consigo as tradições, e a garra que lhes corre nas veias. Mas até quando teremos este cenário? A degradação e o abandono do CH são visíveis e são uma realidade dura para esta cidade que não quer perder as suas raízes e as suas vivências.

O edificado do CH é uma das inúmeras marcas das estórias que fazem parte da história da cidade e que aos poucos se vai perdendo entre um e outro edifício que se vai desmoronando. A Porto Vivo SRU “tem como missão conduzir o processo de reabilitação urbana da Baixa Portuense, (…) promover a reabilitação da respectiva zona de intervenção e, designadamente, orientar o processo, elaborar a estratégia de intervenção e actuar como mediador entre proprietários e investidores, entre proprietários e arrendatários e, em caso de necessidade, tomar a seu cargo a operação de reabilitação, com os meios legais  de que dispõe”Contudo, e olhando para os números disponíveis, compreende-se a razão do envelhecimento do CHP e da sua degradação.

Em 2001 foram identificados 166 edifícios de intervenção prioritária com 726 habitações distribuídos por diferentes áreas (Infante, Ferreira Borges, Sousa Viterbo, Feitoria Inglesa, Porto Vivo, Mouzinho/Flores, Ponte Nova e Carlos Alberto) dos quais apenas 32 foram alvo de intervenção, em 11 anos a Porto Vivo parece-me que pouco fez para cumprir a sua missão e principalmente manter de pé o edificado da cidade do Porto Património Mundial… manter vivas as estórias!

No dia em que se celebra 15 anos deste título é urgente fazer um balanço do que se fez… do que se podia ter feito… mais do que dizer mal, é seguramente mais importante delinear uma estratégia que permita que a nossa cidade seja o retrato das gentes que a construíram, lhe deram nome, lhe deram alma e lhe deram razão de ser Cidade Património Mundial… Em suma MAIS AÇÃO PRECISA-SE!

 

 

 

Opinião

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