Imagem de Samuel Costa é português e ajuda Lille a estar no mapa da cultura

24 Set 2012, 1:12

Texto de Pedro Rios

Pessoas

Samuel Costa é português e ajuda Lille a estar no mapa da cultura

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O programa artístico ”Fantastic” arranca a 6 de Outubro na cidade francesa. Samuel Costa, antigo estudante da FBAUP, ajuda a pô-lo de pé.

Manuel de Sousa

Foto: DR

Havia várias páginas de Facebook com as costumeiras fotografias da Ribeira e do rio Douro. Mas não havia uma página que se dedicasse ao Porto que já não existe, o Porto dos livros de história, dos postais velhos, das fotografias guardadas em arcas ou arquivos. Manuel de Sousa decidiu fazê-la, em Abril, e, hoje, a página “Porto Desaparecido” tem já mais de 8 mil seguidores.

Tem 47 anos, é do Porto e trabalha no marketing da Exponor. Mas Manuel, formado em História, ocupa parte dos tempos livres a contribuir para a difusão do conhecimento: como editor da Wikipédia e, desde Abril, com o “Porto Desaparecido”.

“O ênfase desta página é dar a conhecer os monumentos que desapareceram e tentar explicar como a cidade é hoje, à luz da história recente”, explica ao P24.

Interessa-se, sobretudo, pelo Porto da segunda metade do século XIX, a “época de ouro” da urbe, que “foi ao longo da Idade Média uma cidade pequena”. É no século XIX que o Porto “aparece num lugar cimeiro da história de Portugal”. As inovações técnicas da era industrial chegavam muitas vezes primeiro ao Porto do que a Lisboa.

“Houve um boom da cidade. Vê-se na questão das pontes: 40 anos depois da Ponte Pênsil, faz-se a Ponte Luís I, que é uma coisa grandiosa”, acrescenta.

Tudo isso está nos posts do Porto Desaparecido, nos quais encontramos pérolas como barquinhos no Douro, publicidade de outros tempos, mulheres a lavar no Rio Leça e até imagens do “Porto que nunca foi” (projectos que não saíram do papel).

Arruamentos desaparecidos, catástrofes, vida quotidiana, guerras, revoltas e personalidades, de todos estes temas o Porto Desaparecido já divulgou imagens.

Divulgar a história local

A maioria das fotografias são antigas, de “fotógrafos que faleceram há mais de 70 anos” e que, por isso, se encontram “no domínio público”, assegura o responsável pela página.

Outras imagens já existem em blogues e algumas são enviadas por seguidores. “Ainda há pouco tempo, um fã mandou-me 1.200 fotografias do Porto”, exemplifica.

Este trabalho, que envolve uma planificação de véspera, é feito para “tentar melhorar a auto-estima” dos portuenses que passa também por um desconhecimento da história local.

“Em Portugal, o que se aprende e o que se cultiva é a história nacional e internacional. Mais depressa um portuense sabe algo sobre o Mosteiro dos Jerónimos ou a Torre de Belém do que sobre a Igreja dos Congregados”, reforça.

Saudades do antigo Palácio de Cristal

Da experiência, Manuel de Sousa destaca “a interacção com as pessoas, que é muito gratificante”.

“As pessoas gostam de fotografias que às vezes me surpreendem”, conta. “O antigo Palácio de Cristal tem muito sucesso, as pessoas têm uma nostalgia pelo Palácio de Cristal antigo, de ferro e vidro. Os Aliados antes de os jardins serem retirados, fotografias com eléctricos (…) e a Ponte Pênsil. Um Porto com o qual as pessoas se conseguem identificar”.

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